sábado, 17 de janeiro de 2026

FLOR DE AMORA, Adriana Vaitsman (Letras Virtuais Editora)


 Flor de Amora, da querida e talentosa Adriana Vaitsman é uma história que merece virar série. O enredo pega o leitor desde as primeiras páginas e eu amei como Amora, a nossa protagonista enfrenta todas as situações e faz transparecer seus pensamentos intrusivos, sempre marcados em itálico. Amora é uma personagem carismática, o verdadeiro retrato de mulher decidida, independente, mas também ética e honesta. Vive um profundo conflito interno entre a dor de um luto difícil e abrir o coração para uma nova e avassaladora paixão. Li a primeira versão dessa história em um livro homônimo de 2021 e já naquele tempo gostei da história que é ambientada no eixo Brasil-Portugal. Mas a nova versão 2025, retrabalhada pela autora traz os elementos picantes do gênero hot, o que deixa a história mais sem filtros e aumenta a verossimilhança do enredo. As descrições da Quinta Amarante em portugal e todo o trabalho de expressão dos personagens com suas características como gírias, sotaques e uso de expressões leva o leitor a uma experiência de quase viagem às terras lusitanas. Há também um mistério a ser desvendado e uma antiga paixão do galã que aparece para tumultuar o meio de campo e pôr à prova a paciência da mocinha. No final, todas as pontas soltas se encaixam perfeitamente e a gente fica com aquela sensação deliciosa de final de novela das oito.

Li, gostei muito e super recomendo!!!


NIHONJIN (Japonês)

 


Sendo descendente de japoneses por parte de pai e mãe, me identifiquei muito com essa história, mas acredito que o tom dos dramas humanos trazido nesse relato há de mexer com as emoções de qualquer pessoa que tenha um mínimo de sensibilidade. Ninhonjin (pessoa nascida no Japão) é uma narrativa emocionante de gerações de famílias que imigraram do Japão para o Brasil. As dificuldades com o dioma, o choque cultural e a relutância dos japoneses em se integrarem ao Brasil, pois carregavam a ilusão de um dia retornarem ao seu país. Tudo acontecendo num cenário difícil, com salários baixos, muito trabalho duro e condições miseráveis de sobrevivência. Ao final de cada temporada nas fazendas, a triste constatação de que os ganhos mal dariam para cobrir as compras no armazém. Com o passar do tempo, os japoneses passaram das fazendas para as cooperativas e muitos migraram para a cidade, montando seus próprios negócios como lojas de artesanato, tinturarias, entre outras atividades. O autor dá uma pincelada em fatos que marcaram gerações de nipo-brasileiros, como a proibição de namoro e casamento com não-japoneses, a criação de associações como a Shindo Renmei que passou de instituição voltada a unir japoneses para célula terrorista que passou a perseguir e matar os japoneses que admitiam a derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial. O autor, Oscar Nakasato, construiu o relato ligando a corrente imigratória lá nos primórdios até o atual fenômeno decasségui, quando o narrador se encontra prestes a fazer uma viagem no sentido inverso. Com um fluxo de consciência potente e com muita habilidade, o autor faz sua narrativa fluir de forma muito direta e emotiva. Admito que chorei em algumas partes, pois a narrativa trouxe uma conexão direta com a história da minha família e dos lugares citados como o Bairro da Liberdade, do Brás, da Rua Conde de Sarzedas.

Li, gostei muito e recomendo!


Nota: Fico feliz de ter lido esse livro bem depois de ter escrito "Decasségui, memórias, cartas e retratos", trabalho que já está em processo de publicação pela Editora Letras Virtuais, no Rio de Janeiro e tem previsão de lançamento para o final do primeiro semestre ou início do segundo semestre de 2026. Nihonjin me encantou e me impactou de tal forma que seria inevitável sofrer algum tipo de influência em meu próprio trabalho. Felizmente, o meu livro foi concebido sem influências ou intervenções externas e, acredito que as pessoas que gostaram de Nihonjin certamente apreciarão Decasségui, memórias, cartas e retratos.