segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Quando menos é mais

Foto: Banco de imagens do Google.

O carnaval já passou e, olhando para o Brasil daqui do Japão não consigo deixar de ser saudosista. Sei que a bagunça, a depravação, o vandalismo e outras tantas coisas que nos vem de “brinde” com o carnaval existem desde que o evento se firmou no Brasil desde lá de trás. A televisão não fala de outra coisa senão do carnaval. Fico feliz com a postura atual das emissoras que encorajam seus jornalistas a botarem a boca no trombone. O carnaval é uma boa época para abafar casos polêmicos e escândalos políticos. A mente das massas está tão entretida com o carnaval que não presta atenção aos assuntos mais relevantes para a sociedade. Antes que os entusiastas me crucifiquem, quero dizer que não sou contra a semana de folga, onde as pessoas podem descansar, fazer reuniões com amigos e parentes. Tomar aquela cervejinha. Curtir uma praia. Fazer churrasco... Enfim, curtir o que a vida nos dá de bom. Fazer bom proveito do feriado de maneira sudável. 
Hoje, os meios de comunicação estão deturpando os valores que até tempos trás ainda tínhamos como referência. O consumismo exagerado transformou as mulheres nas pseudo-musas, onde chama mais atenção que tem mais silicone nos seios e na bunda... Sem contar as pernas exageradamente musculosas. Desculpe quem gosta, mas eu prefiro mulher de verdade. A passarela do samba criou uma tendência ao culto do exagero onde vimos mulheres, desculpem o termo, bizarras... 
Sou a favor sim da estética bem direcionada. Existem mulheres lindíssimas na minha opinião, que tem silicone na medida certa, bumbum malhado e pernas torneadas. Pena que esse conceito ficou para trás. 
Felizmente, uma parte das mulheres ainda cuidam de sua aparência de maneira sóbria.
Mudando de assunto, mas ainda falando em exagero, tenho pensado em como a busca por sofisticação nos deixou escravos dos padrões que vão se estabelecendo com o passar do tempo. Desde muito jovem aprendi a amar o bucólico, a vida no campo e a simplicidade, no entanto, sempre tive aversão à falta de conforto. Gostaria de chegar em um ponto na minha vida onde eu pudesse unir o rústico, o simples, o vintage ao estilo de uma vida prática e confortável. Nesse aspecto, o menos para mim é mais.
Num dado momento, lá atrás eu imaginei que por volta dos 40 anos eu teria conquistado o meu Paraíso na Terra... Hoje não consigo vislumbrar esse Paraíso para tão já... Sinto a vida e o vigor físico se esvaindo a cada ano e não consigo deixar de me frustrar com a idéia de que talvez não alcance o meu tão sonhado Éden sobre a Terra.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A Solidariedade do Brasileiro

Foto: Banco de imagens do Google

Por causa da correria, com o tempo passei a postar em média, uma vez por mês neste modesto blog, mas não consegui ficar calado com a tragédia que aconteceu em Santa Maria-RS. Mais uma vez o brasileiro mostrou a sua solidariedade e produziu um fenômeno dos tempos modernos: Uma comoção generalizada que se espalhou pela internet e ganhou o mundo. 
Isso me fez lembrar da tragédia do último terremoto seguido de tsunami que houve por aqui. Muitos brasileiros se mobilizaram via internet para alastrar informações e mensagens de solidariedade. Muitos brasileiros se mobilizaram de maneira prática para enviar mantimentos, água e roupas para as vítimas. Meu Coração se enche de orgulho quando vejo meus compatriotas dando esses exemplos de solidariedade ao mundo...
No Brasil, apesar de todas as nossas mazelas, em momentos críticos como esse, nosso povo se mostra mais humano, mais solidário e mais caloroso.
Como cidadão que vive fora do Brasil, tenho que expressar o meu respeito pelas famílias e amigos das vítimas e postar as impressões que tenho neste momento. Apesar de não estar totalmente por dentro dos acontecimentos e, acho que ninguém saiba ao certo tudo o que aconteceu no interior da casa noturna, tenho acompanhado as notícias e, como blogueiro, crítico ferrenho da sociedade, tenho que fazer as minhas ressalvas.
Apesar do imenso volume de manifestações de solidariedade, uma minoria de espíritos-de-porco ainda se dão ao trabalho de fazer comentários desnecessários, ou fazer piadas idiotas sobre a tragédia... Repórteres talvez sejam os mais cruéis profissionais em ação. Muitos ainda tem a audácia de fazer aquela famigerada pergunta: “O que o Senhor está sentindo nesse momento?” Sei que em nome da informação, esses profissionais tem que estar nos locais onde as coisas acontecem e informar o telespectador, mas há a necessidade explorar a dor dos que ficam? Imbecis de plantão, desocupados da internet e repórteres parecem tripudiar em cima do sofrimento alheio.
Noto que muita gente está se mobilizando em prol de produzir alguma ajuda de forma consistente. Aqueles que não podem fazer nada, ao menos ajudam na divulgação de informações e nas orações. As circunstâncias nos mostram que as redes sociais como o Facebook podem ser úteis em momentos como esse. Não existem instrumentos ruins. A faca é um instrumento útil, pode ser boa, ou ruim, dependendo da forma como a usamos. Divulgar, ou compartilhar uma informação via Facebook pode parecer uma atitude simples, mas essa mesma informação pode ser decisiva para alguém.
Na hora que acontece uma desgraça, a tendência é buscar um culpado, mas de quem será a culpa? Prenderam o dono da casa noturna. Será ele o culpado? As circunstâncias (e não eu) dizem que em parte, sim, pois houve negligência ao não se observar as regras BÁSICAS de segurança. Que regras? Bem, vamos explicar: 

  • Um recinto que abriga um grande número de pessoas tem  OBRIGATORIAMENTE que ter, além da entrada convencional, outras saídas de emergência.
  • Sistemas e dispositivos anti-incêndio deveriam ser instalados em vários pontos no local e sua manutenção deveria estar em dia. Esse ítem poderia ter controlado o fogo no início.
  • Os funcionários do estabelecimento deveriam estar sempre alertas e treinados para lidar com situações como essa.
Prenderam dois integrantes da banda que estava se apresentando. O fogo foi causado por faíscas durante uma “performance”pirotécnica. A culpa foi deles então? Em partes, visto que não se usa fogo, ou produtos que produzam faíscas em lugares fechados. A impressão que tenho é que faltou bom-senso.
Se a culpa não é toda deles, então de quem é?
Nesse momento, muitos estão cobrando as autoridades para achar um culpado. Temos que tomar cuidado para não jogarmos um bode expiatório na guilhotina. Na verdade, a culpa deverá ser dividida entre a direção da casa noturna, pela negligência e pelos rapazes que iniciaram (acidentalmente) o incêndio. A história todo mundo já conhece: Processo e pena por homicídio culposo (sem intenção), cabendo recurso. Fico me questionando se as autoridades não vão levar parte da culpa, afinal, se tivéssemos normas de segurança para o funcionamento desses estabelecimentos, e mais, se as normas já em vigor fossem devidamente cumpridas mediante fiscalização rígida, talvez essa desgraça não tivesse acontecido.

Mais uma vez, aos familiares e amigos das vítimas, o meu sentimento. 

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.” 


Mateus 11:28



























sábado, 26 de janeiro de 2013

Buscando Forças

Foto: Banco de imagens do Google
Não sou nenhum aficionado pela Bíblia, mas gosto de muitos trechos. Quando era criança, ali pelos 8, ou 9 anos, não me lembro, li a Bíblia do começo ao fim. Evidentemente eu, em tão tenra idade não tinha maturidade suficiente para compreender a profundidade do seu conteúdo. Muita gente usa a Bíblia como um oráculo. Outros a usam como uma diretriz de suas vidas. Para mim, a Bíblia, naquela época me serviu para compreender melhor o mundo que me cercava. As pessoas sempre falavam de passagens bíblicas, ou faziam alguma analogia com alguns trechos. Inicialmente a questão de saber quem foi Jesus e o porque de Ele ser tão citado me despertava um grande interesse. Sem dúvida Jesus foi alguém muito importante. Tinha um grande carisma e muita sabedoria. Sua mensagem de Amor, Fé, Paz e tolerância ecoa até hoje, dois mil e tantos anos depois. Uma pena alguns homens terem distorcido seus ensinamentos e a sua mensagem.
Gosto muito dos célebres Salmos 23 e 91. Tenho passado momentos difíceis e encontro forças no apoio dos Amigos e em palavras que, quero crer, foram inspiradas pelos mensageiros de Deus. 
Viver no Japão é estar inicialmente preso... Voluntariamente... Chegamos aqui pelas nossas pernas, mas com o tempo, percebemos que estar aqui, por vezes é contra nossa própria vontade. A frase acima é um pouco contraditória, mas é o que sinto e, acho que muitos dos meus compatriotas também  sentem. Muitos de nós viemos para o Japão atrás de melhores salários para criar a perspectiva de uma vida melhor lá na frente. Algumas vezes, entra ano, sai ano e parece que remamos muito e não saímos do mesmo lugar. Para economizar dinheiro e criar perspectivas, muitas vezes temos que abrir mão de muita coisa. De estar no Brasil, por exemplo. Para quem tem filhos, economizar é uma missão árdua. As contas chegam todo mês, independentemente de estarmos trabalhando, ou não.
Bem... Trabalho desde os oito anos. Isso mesmo! Desde os oito anos e a minha vida sempre foi baseada em trabalho. Venho de uma família heterogênea de seis pessoas: Meu padrasto, minha mãe, meu irmão mais velho de criação, eu, minha irmã mais nova de criação e meu meio-irmão filho da minha mãe e do meu padrasto. Apesar de todo o trabalho, as coisas em casa sempre foram muito difíceis. Eu sei o quanto é difícil ganhar a vida... Quando minha filha nasceu, eu prometi para mim mesmo que nunca iria faltar nada para ela. A minha vida de trabalho continuou, mas ia chegar um dia em que eu não poderia pagar-lhe bons cursos, e nem uma faculdade. “Eu passaria fome ao seu lado, mas queria que você estivesse aqui comigo...” São lindas palavras para uma pessoa que cresceu dentro do Romantismo. Para mim, que cresci dentro do Realismo a coisa é um pouco diferente. Para minha filha é difícil entender o meu ponto de vista. Ela nunca passou necessidade. Para mim, a vida dura que tive me ensinou que as coisas não caem do céu... Tenho levado muitas pancadas da vida, mas o desprezo de minha filha com relação a mim, talvez tenha sido o golpe mais duro até agora. Talvez um dia, quando ela sair para o mundo e enxergar todo o esforço que fiz, então ela poderá reconhecer que teve um pai que estava distante, mas nunca ausente. Por enquanto quero simplesmente dizer que apesar de toda a tristeza que estou sentindo, de todos os tombos que tenho levado e de todas as dificuldade que tenho enfrentado a escolha de vir para o Japão foi minha, mas permanecer aqui foi fator ditado pelas circunstâncias.

“Mil cairão ao teu lado e dez mil à tua direita, mas tu não será atingido.”
                                                                                            Salmos 91:7

















domingo, 9 de dezembro de 2012

Retrospectiva 2012

Foto: Banco de imagens do Google

Esses dias estávamos em Agosto... Tive muitos problemas de ordem pessoal e quando vi já estava em Dezembro. Gente, desculpem-me mas não tive condições de postar nada em Setembro, Outubro e Novembro... A imagem acima casa bem com a sensação de longa jornada que é essa minha vida de Japão. Vi na internet esses dias alguém perguntando ”como foi o ano de 2012 para você?” Se eu fosse responder de maneira bem sucinta eu diria: Foi foda!!! Desculpem os mais pudicos, mas essa resposta foi a que mais se ajustou ao meu ano de 2012. Não que não tenham acontecido coisas boas, mas aconteceram uma sucessão de coisas não muito boas que ao meu ver, em quantidade, foram incomuns na minha vida.
Sei que a vida de todo mundo é corrida... Também sei que tanto no Brasil, quanto no Japão, em geral as pessoas enfrentam problemas, mas para mim, esse ano foi incomum.
  -Em Janeiro comecei o ano contraindo Influenza... Fiquei alguns dias de molho, com todos aqueles sintomas chatos que uma gripe forte pode causar... 
  -Tive alguns desentendimentos com familiares. Tem um monte de gente querendo se apossar do meu sítio no Brasil, e acho que vou acabar perdendo mesmo... Mas se não houver jeito mesmo, farei uma doação para alguma instituição de caridade. Essas instituições de caridade geralmente possuem advogados ferozes que ganham qualquer causa...
  - Além da loja que toco em Aichi, trabalho fazendo transporte de funcionárias para uma grande empresa: A Belltech. O meu trabalho vai bem, obrigado. Minhas chefes são muito educadas e meu senpai (colega veterano) é muito prestativo comigo. O problema reside em algumas das minhas passageiras que nunca estão satisfeitas com nada... Se ando depressa (note bem que, ninguém exceto aqueles japinhas bem velhinhos andam a 30, ou 40 por hora), algumas passageiras reclamam... Não reclamam diretamente para mim, geralmente ligam no escritório fazendo queixa... Se ando devagar essas mesmas também reclamam... Se ligo o rádio reclamam... Se não ligo, algumas sentem falta... Se ligo o ar condicionado, umas reclamam... Se não ligo, reclamam... Rsrsrs... Vai saber... Bem... Se não consigo agradar a todas, pelo menos tento fazer o meu trabalho o melhor possível... Tenho carinho e respeito por todas elas.
 - Quando retomei meus estudos na Unip, fiquei completamente perdido... Fiquei afastado por um ano e ainda assim, sinto-me meio perdido ainda. A minha sorte é que tenho colegas de turma maravilhosas que sempre me dão um apoio. Procuro retribuir me esforçando o máximo na realização dos trabalhos em grupo. Apesar do prazer que sinto estudando matérias como literatura, Ciências sociais e linguística, conciliar a faculdade com os outros compromissos, por vezes, quase me deixa louco.
  -Nesse ano conheci muita gente... Algumas pessoas que realmente valeram a pena e que acrescentaram muita coisa na minha maneira de ver o mundo. São pessoas que não vivem naquela mentalidade do funcionário de fábrica. Apesar de trabalharem em fábrica, muitas pessoas possuem uma vasta bagagem cultural: Conhecem muitos países, falam outros idiomas, como francês, italiano, inglês e espanhol... Alguns tem formação superior... Eles falam de trabalho, mas o assunto não se restringe ao “eu faço mais peças que você, eu sou o Bam-bam-bam, eu faço muito zangyou, eu tenho muitos anos de Japão...” 
Tem gente que quando conversa nos dá uma aula de vida... Isso me faz lembrar uma citação que ouvi certa vez: “Pessoas vazias me dão sono...”  Pois bem... Ganhei alguns amigos, perdi outros... Alguns não farão falta, outros porém, será uma pena não poder beber mais na fonte de seus conhecimentos...
  -O clima entre Japão e China não andou bem, por causa de umas ilhas próximas a Taiwan. O governo Japonês diz que as ilhas são do Japão. A china reivindica seus direitos sobre o local. Acendeu-se mais uma vez uma velha rivalidade e abriu-se novamente antigas feridas. Esses impasse está afetando a economia por aqui. Já falou-se de crise, de queda nas bolsas, mas ninguém falou de solução.  Esperamos que o panorama econômico melhore já a partir de Março do próximo ano. Aqui no Japão as pessoas andam meio preocupadas. A crise de 2008 deixou muita gente apreensiva. A verdade é que o futuro é incerto e as pessoas não gostam muito desse clima de insegurança.
Falando em segurança, tenho acompanhado as notícias sobre a onda de violência no Brasil e fico preocupado. Ato contínuo... Trabalhamos muito para construir uma vida no Brasil... Mas... Será esse Brasil de violência para o qual estamos tão desejosos de voltar? Nossa Pátria Amada, mas tão maltratada e tão jogada ao descaso pelos nossos governantes... Espero que as autoridades façam alguma coisa para devolver a Paz para as pessoas.
  -Já faz um tempo estou sentindo uma dor terrível nas costas. Tem tempos em que ela acalma, mas tem horas que a dor é insuportável. Fui no massagista... Fui no acupunturista... Bem... Como paliativo para a dor foi muito bom, mas eu queria solução. Fui no Ortopedista e fiz vários exames, incluindo uma Ressonância magnética... Resultado: Hérnia de disco em dois pontos na região lombar. A boa notícia é que segundo o médico, esse tipo de hérnia é bem “comum” e no estado que está pode sarar. Restrições? Não posso pegar peso e nem fazer atividades muito intensas...

Mas nem tudo são pedras no caminho... Esse ano me trouxe novas mudanças: Mudei de casa, agora estou morando mais próximo a loja. A loja também mudou para um local mais amplo onde poderemos atender melhor os nossos clientes. Estou findando mais um semestre da faculdade (agora preciso correr atrás de um estágio)... Minha filha que antes relutava em vir ao Japão, enfim resolveu vir me visitar... Fiquei muito feliz!!! E enfim, a última boa nova: Vou ser pai novamente.




quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Somos todos brasileiros

Foto: Arquivo pessoal
No mês passado o Corinthians venceu a Taça Libertadores da América. Um grande feito e inegavelmente houve um trabalho forte no sentido de preparar os atletas para a conquista de um resultado tão almejado e tão importante. Sou torcedor do São Paulo Futebol Clube e acima de tudo, um brasileiro que torce pelos brasileiros. Fico feliz quando meu time vence, mas nunca concordei com a bestialidade das torcidas... Nunca concordei com a rivalidade levada até as últimas consequências... Odeio os apelidos ofensivos com os quais as torcidas de alfinetam mutuamente. Essa coisa de ficar chamando o torcedor de “Bambi, Gambá, Porco...” Desculpem-me os mais folcloristas, mas eu não aceito esse tipo de troca de ofensas. Imagino quão maravilhoso o mundo seria se as pessoas trocassem gentilezas ao invés de palavras rudes. Ainda me lembro de alguns trechos do Mahabarata, da literatura indiana. Muitos homens e deuses tomaram lados opostos numa guerra, mas havia um clima de respeito, onde mesmo sendo tecnicamente inimigos, eles trocavam palavras cavalheirescas antes de se confrontar.

Pela primeira vez na vida, pisei num estádio de futebol. Apesar de ter nascido no Brasil, só fui ter a oportunidade de entrar num estádio agora, depois de tanto tempo. Já não tenho o mesmo entusiasmo, mas a emoção foi especial. Diferentemente do Coliseu de Roma, neste centro de espetáculo os atletas se confrontam de maneira mais saudável. A selvageria dos gladiadores muitas vezes acontece nas arquibancadas, ou nos arredores do estádio. Felizmente esse tipo de coisa não acontece por aqui.
Felizmente, no Brasil as coisas parecem que estão mudando. hoje casais estão se beijando ao se verem no telão e crianças já podem assistir aos jogos sem muito receio.

O estádio de Toyota é simplesmente magnífico. Olhando de fora, a estrutura de concreto e aço impressiona pelo tamanho e pelas formas modernas de sua arquitetura.
Caminhando por dentro, nota-se a limpeza e o conforto para os espectadores. A proximidade com o campo é bacana e proporciona uma boa visualização de toda sua extensão. Dá para ver os jogadores bem de perto, pois só há uma pequena cerca e não os alambrados que estamos acostumados a ver segurando o ânimo dos mais fanáticos.
Das arquibancadas pude imaginar a emoção dos espectadores. Há um clima gostoso de desporto no ar. Senti uma sensação doce de Felicidade em saber que times brasileiros jogaram aqui. O Corinthians jogará em Dezembro nesse estádio. Independentemente dos times que se apresentarão aqui, acho que o que vale é o espetáculo.

domingo, 15 de julho de 2012

Vivendo a Vida

Vídeo: “Vamos Fugir” - Skank  (A special reference to STK)
Depois de mais de 20 anos de Japão, trabalhando duro para tentar dar uma melhoradinha na vida percebi que não conheço o país no qual moro já faz metade da minha vida. No começo a sede de juntar dinheiro para comprar uma casa, depois para buscar estabilidade financeira me guiaram para trabalhar diligentemente e economizar o que podia. Hoje vejo que eu podia ter sido um pouco mais equilibrado e vivido um pouco mais também. Podia ter aproveitado a chance de estar neste país fantástico e fazer um pouquinho de turismo. Conhecer lugares interessantes e desfrutar de pequenos prazeres a muito esquecidos por mim... Viajar de carro, de ônibus, trem, ou trem-bala... Adquirir bagagem cultural e fotografar bastante. Sentir a brisa do mar tocando meus cabelos e afagando meu rosto... Respirar o ar das montanhas e beber a água das fontes... Vislumbrar paisagens de tirar o fôlego... Sentar debaixo de uma árvore e fazer um piquenique... Sentir a alegria das pessoas do interior... Visitar lugares famosos e conhecer o seu conteúdo histórico... Hoje depois de muitos anos resolvi me dar o direito de viver um pouco e me permitir fazer todas essas coisas. O vídeo acima exprime bem o desejo que dormia latente em meu peito. Resgatar a Alegria a tanto tempo apagada... Viver a vida de maneira mais intensa sem deixar as minhas responsabilidades de lado... Resgatar cada fagulha de entusiasmo e emoção que estavam mofando dentro de mim e redescobrir a vida!!!
Tenho um desejo muito forte de fazer um grande acervo de imagens digitais do Japão para posteriormente imprimir e decorar minha casa, ou publicar um livro... Tenho consciência de que tenho muito trabalho pela frente, mas ultimamente gostaria de desacelerar e viver um pouquinho mais. Já faz algumas semanas que reservo o Domingo para descansar e dar umas voltas. Não atendo telefonema nem do Papa Bento XVI!!!
No fim das contas percebi que posso continuar sendo um sujeito trabalhador sem no entanto deixar de aproveitar a vida. Na Segunda-feira começa tudo de novo, mas o sabor das coisas maravilhosas que vivi no final de semana me entusiasmam e me dão fôlego para enfrentar outra jornada e aguentar até o próximo Domingo.


domingo, 24 de junho de 2012

Coração forte, mas nem tanto...

Foto: Banco de imagens do Google
Tenho muitos conhecidos, muitos parentes, alguns colegas e uns poucos Amigos. Dentre todas essas pessoas, no entanto, talvez apenas umas duas ou três me conheçam de verdade. Para algumas, eu sou aquele cara que está sempre de bem com a vida, alegre, otimista e trabalhador. Meus parentes e conhecidos dizem que sou um cara batalhador, incansável, corajoso... Uma fortaleza... Confesso que fico envaidecido com esse tipo de comentário. Trabalhei duro a vida inteira e chega um momento que a gente quer algum reconhecimento. Durante essa minha vida aprendi a levar pancada e a superar... Aprendi a cair e levantar... Tornei-me forte até certo ponto, mas tenho que ser sincero...As vezes eu fraquejo. 
Já estive inserido nos mais diversos ambientes de trabalho: Trabalhei na roça, quando garoto, trabalhei fazendo terraplanagem na base do carrinho de mão, da pá e da enxada... Cuidava de criação na chácara dos meus pais, onde cresci. Cuidava das hortas... Fui ajudante de jardineiro, lenhador, servente de pedreiro, pintor, ajudante de eletricista, ajudante de carpinteiro de obras, pintor e montador de placas publicitárias, letrista, funcionário público, funcionário de escritório, faxineiro, vendedor, segurança, professor de Karatê...
No Japão fui operário de linhas de montagem, kensa, torno, pintura, baritori, produção e inspeção de peças para a Toyota (Denso, Asahi Garasu), fui garçon de churrascaria, fui eletricista de caixas de distribuição de força, fui intérprete e tantousha, fui motorista, fui lojista...
Bem... Isso dá uma idéia de como tive contato com os mais variados tipos de pessoas... Com essas pessoas aprendi muito. Também me machuquei bastante. No final das contas, muitas vieram para acrescentar algo na minha vida. Com o tempo aprendi que as pessoas que não tem nada a ver com a gente não podem nos magoar. Um comentário maldoso, uma mentira que digam a meu respeito, ou uma calúnia só me desestabilizam momentaneamente. Para superar esse tipo de percalço eu estou preparado. As únicas pessoas que realmente conseguem me magoar são aquelas que lhes tenho em alto patamar de consideração... Para elas, o meu coração está aberto e vulnerável...
Minha filha está em plena adolescência. Ela nem imagina o Amor que sinto e lhe dedico. As vezes ela me trata de maneira fria, indiferente. Tenho que admitir que nessas horas eu me sinto fraco...
Quando temos algum desentendimento com quem amamos, parece que o mundo desaba sobre nossas cabeças e se essa bruma não se desfizer plenamente, sentimos como se tivéssemos sido atingidos por uma granada. Mesmo que um médico nos opere, temos a sensação de que ficaram alguns estilhaços...
O Amor é uma faca de dois gumes: Ele nos levanta e nos ajuda a viver de maneira mais intensa, mas esse sentimento também tem o poder de nos derrubar e converter o dia mais ensolarado na noite mais sombria de todas. Não é a toa que muita gente depois de uma desilusão amorosa entra em processo de depressão profunda.
Para muita gente, viver no Japão é mais complicado, pois muitos tem dificuldade de se relacionar com outras pessoas. Não há o apoio dos poucos amigos que tinham no Brasil... Não há o apoio dos parentes... Muitos vivem sozinhos no meio da multidão. Não tarda a melancolia, a amargura e a manifestação se sintomas de esquizofrenia... As vezes sinto que estou muito perto de ficar assim... As vezes acho a linha da razão e da irracionalidade muito tênue... Talvez seja a fase que estou passando agora...
Continuarei tentado ser uma pessoa melhor a cada dia... Tentando ser bom para o meu próximo... Disso tenho plena certeza. Continuarei ignorando a maldade alheia... Posso no máximo ficar indignado.
A única coisa da qual ainda não consigo ter controle é esse sentimento de impotência quando me desentendo com as pessoas que amo...