terça-feira, 11 de agosto de 2015

Progresso, ou retrocesso?

Foto: Ponte na divisa entre os Estados de Minas Gerais (Montalvânia) e Bahia (Cocos)
Arquivo pessoal.

Desde que desembarquei no Japão pela primeira vez em Março de 1991, já fiz muitas vezes o caminho de ida e volta ao Brasil. De lá para cá, muita coisa mudou. A tecnologia foi chegando cada vez mais rápido e o Brasil começou a acompanhar com menos atraso as inovações que surgiam no mundo. Hoje, a comunicação entre as pessoas que moram no Japão com as pessoas que moram no Brasil está mais intensa e os laços se estreitaram a ponto de sabermos da vida de todo mundo quase que em tempo real. Programas de computador cada vez mais modernos facilitam a vida entre as pessoas e já é possível telefonar via internet com programas como o Whatsapp e o Messenger, que é um aplicativo anexo do Facebook. Tudo isso com qualidade e com custo praticamente zero.
Eu me lembro que no início da década de 90, para ligar para o Brasil, a gente tinha que procurar um telefone público com uma placa marrom, que era o tipo de aparelho que permitia as ligações internacionais. Perdi as contas de quantas vezes fui ao correio para comprar selos para enviar cartas para a minha mãe, assim como revelar fotos e pagar uma fortuna para enviá-las para o Brasil. Hoje tudo isso se faz via internet na comodidade de casa e sem gastar muito. A tecnologia chegou ao Brasil com força e proporciona conforto e prazer aos brasileiros. Hoje temos celulares de última geração que vieram para substituir fax, calculadora, agenda eletrônica, câmera fotográfica, filmadora, calendário e uma infinidade de outros aparelhos, facilitando o nosso trabalho e proporcionando lazer. É... Os tempos mudaram, mas a doença crônica do Brasil não sara: a corrupção. Eu sempre insisto na ideia de que a corrupção é a mãe de todas as outras mazelas do país e, na contramão do progresso tecnológico, o Brasil vive um retrocesso no seu desenvolvimento enquanto nação como um todo. Nunca antes neste país se viu tanto escândalo de corrupção, de roubo descarado e de demagogia. Discursos inconsistentes e falatórios sem nexo na intenção de ludibriar o povo.

 “Não vamos colocar meta. Vamos deixar a meta aberta, mas quando atingirmos a meta, vamos dobrar a meta” 

A pérola acima foi proferida pela mulher que dirige a nossa nação. Pela mulher que deveria dar o exemplo de austeridade e que deveria moralizar a política e viabilizar o crescimento deste país. A impressão que se tem é de que ela está nos enrolando, para ganhar tempo até que o mandato se acabe. Enquanto isso a roubalheira e a farra com o dinheiro público continua sem que ninguém faça nada, pois as pessoas que deveriam fazer alguma coisa parecem acuadas por quem está no poder.
Hoje no Japão, que já foi considerado um país extremamente caro, muitas coisas estão custando menos do que no Brasil. Uma ida ao restaurante no Japão não sai tão caro quanto comer fora no Brasil. O custo de vida está muito caro, energia elétrica chegou a patamares absurdos e a gasolina não para de aumentar. Enquanto isso, obras superfaturadas são erguidas debaixo dos nossos narizes, radares ajudam a engordar os cofres públicos na desculpa de tornar o trânsito mais seguro e a impressão que se tem é de que eles querem sugar o máximo possível a máquina de ganhar dinheiro, antes que o povo acorde e não os reeleja. A saúde, a segurança a educação estão jogadas às traças enquanto enormes painéis publicitários encomendados pelo próprio governo mostram demagogicamente os progressos inexistentes promovidos pelo governo. Afinal, houve um progresso, ou um retrocesso nas questões políticas do Brasil?    

sábado, 4 de julho de 2015

Desmistificando algumas ideias

Foto: Arquivo pessoal

Sinto-me privilegiado de ter nascido em São Paulo, pois aqui, desde pequeno, tive a oportunidade de conviver com pessoas das mais diversas partes do Brasil e até do mundo. Tenho que admitir que grande parte dos paulistas tem a mania de colocar rótulos nas pessoas de outros lugares, generalizando os indivíduos e criando imagens de forma pejorativa. Quem em São paulo nunca ouviu frases como essas que seguem abaixo:

-Baiano é preguiçoso;
-Gaúcho é metido;
-Carioca é malandro;
-"Preto" quando não pisa na bola na entrada, pisa na saída;
-Português é burro;
-Judeu é enrolão;
-Mineiro é falso.

Nesta semana tive uma prova de que ainda existe muita gente com o pensamento atrasado e a mente preconceituosa. Comentários racistas contra a moça que faz o boletim da previsão do tempo no Jornal Nacional  causaram uma grande indignação na maioria (espero) dos brasileiros. Não consigo deixar de pensar que em pleno século 21 ainda haja "gente" que não acredita que todos somos iguais diante dos homens e diante de Deus.
Estamos numa era de grandes mudanças e a vida em sociedade clama por mudanças na forma das pessoas entenderem o mundo. Já passou da hora de muita gente rever os seus conceitos e realinhar suas atitudes em conformidade com as exigências da vida em sociedade.

Eu gostaria de comentar a última frase acima "Mineiro é falso..."
Vivi metade da minha vida no Brasil e a outra metade no Japão. Nesses anos, convivi com pessoas de vários lugares: chineses, filipinos, peruanos, bolivianos... Brasileiros de vários Estados: mineiros, baianos, goianos, paranaenses, catarinenses, gaúchos, amazonenses, paraenses... O que dizer dessa gente toda? Não há de se generalizar, mas encontrei no meio de todos esses seres humanos, pessoas boas e pessoas nem tanto... A falsidade existe, mas devo confessar que encontrei mais gente sem credibilidade dentre os meus conterrâneos paulistas do que dentre os mineiros, contrariando assim a frase citada acima. 

Uma viagem para Mina Gerais é uma experiência única! A riqueza histórica, a culinária, a arquitetura, a arte e principalmente o povo hospitaleiro, simples e acolhedor.
Para mim, é sempre um prazer chegar em uma roda de amigos, sentar-me junto a eles e conversar animadamente. Dentistas, profissionais liberais, intelectuais, políticos, fazendeiros... Ninguém se auto-refere e nem entona conversas com ares de superioridade... O encanto do povo mineiro é sua simplicidade e modéstia. Ninguém se acha melhor do que ninguém e quando se tornam seus amigos, tenha certeza, serão parte dos seus melhores amigos! Mineiro é tão modesto que quando dizem "Vamos ali na roça comigo?" tenha certeza de que você vai se deparar não com uma roça, mas com terras a perder de vista. O exagero deles é um exagero bom e bem humorado. "Nóssinhora, caiu um trem nu meu oi..." O alqueire deles é de 48 mil metros, enquanto o alqueire paulista é de 24 mil. Uma "fazendinha" de 50 alqueires deles lá é terra que a minha imaginação não consegue conceber...
Mina Gerais: um lugar que aprendi a amar e onde encontrei uma grande quantidade de pessoas de sentimentos verdadeiros! Como dizia o Raul Seixas "Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo..." 

Para pensar e refletir:
Antes de dizer alguma frase feita de tom preconceituoso, analise se ela tem algum fundamento. 

sexta-feira, 15 de maio de 2015

A tempestade

Foto: Arquivo pessoal

     Certa vez, quando ainda era adolescente, um dos meus mentores me disse algo que se encaixa perfeitamente na situação pela qual passei esses tempos atrás: "Quando vier a tempestade, busque um lugar para se abrigar e não a enfrente de peito aberto tentado vencer..." É uma grande verdade e essa analogia serve para qualquer situação crítica em nossas vidas. Lá no início dos anos 1990, eu já ouvia histórias sobre nikkeis que voltaram do Japão com problemas emocionais, síndromes psicóticas e esquizofrenia, mas nunca achei que eu mesmo passaria por tantas coisas que fossem roubar o meu equilíbrio. Nos meus mais de vinte anos no eixo Brasil-Japão eu conheci pessoas que sofriam de algum tipo de desequilíbrio emocional. Em geral, eram pessoas solitárias, vivendo longe dos familiares, ou fugindo de algum problema que haviam deixado no Brasil... 
     Eu sempre soube que a maldade existia, mas achei que tentando ser uma pessoa boa e praticando o bem de maneira efetiva, eu estaria imune a toda ação mal-intencionada. Ledo engano... Acordei para uma dura realidade: Pessoas más não possuem ética, são mal agradecidas e não exitam em puxar o tapete até mesmo daqueles que lhes estenderam a mão em momentos de dificuldades. Fazer o que? O mundo e a vida são uma escola e as vezes, algumas lições saem muito caras e nos deixam com sequelas emocionais e psicológicas muito profundas.
     Eu, assim como muitas pessoas que passaram por problemas, deixei a situação chegar a um ponto tão crítico que senti que estava no meu limite. Caí em depressão e relutei em buscar ajuda. Estive à beira do suicídio algumas vezes e hoje, reconheço que eu deveria ter buscado ajuda médica, recursos e a companhia de pessoas boas. Felizes daqueles que tem o seu porto seguro na existência de uma família unida, forte e amorosa. Eu tenho muitos parentes, muitos atarefados com suas próprias vidas e cuidando de seus próprios problemas. São pessoas maravilhosas, mas nem sempre posso correr para lá para pedir um abraço e um ombro para chorar. 
     Muitas vezes, as soluções vêm de onde a gente menos espera e eu encontrei o meu abrigo para a tempestade junto à pessoas que nem possuem vínculo sanguíneo comigo. Fui até onde meu filho se encontra hoje e passei uns dias com ele. Ele precisa da minha companhia, mas na verdade, eu preciso ainda mais da companhia dele. Aliás, eu não vivo sem os meus dois filhos, que foram presentes que Deus me enviou e que a distância, às vezes, me priva da companhia deles. Enfim, fui para a distante cidade de Montalvânia, encravada ao noroeste de Minas na divisa com a Bahia. Lá, além de desfrutar da companhia do meu filho, fiz uma higiene mental, me desintoxiquei dos anos de energias negativas com as quais fui bombardeado diariamente, fiquei cercado de pessoas do Bem e de gente simples da roça que me dedicaram um dedinho de prosa prazerosa e compartilharam comigo a magia de estar vivo e respirando aquele ar puro, pisando na terra e comendo aquela comida saborosa temperada com açafrão e cominho. Eles se sentiram honrados em me receber em suas humildes casas de chão batido, mas não tinham ideia de que eu me senti mais lisonjeado de ser convidado a entrar em seus palacetes de simplicidade e me sentar à mesa para sorver uma xícara de café preparado com singeleza e carinho. Costumo dizer que Minas é um lugar cheio de encantos, mas o que há de melhor por lá é a sua gente, com o coração do tamanho de um trem!!! 
     Sinto que a tempestade passou e que enquanto eu me abrigava, encontrei amigos que me ensinaram belas lições de vida. Toda tempestade passa e deixa algum estrago, mas até eu ter condições de consertar tudo, ainda me resta apreciar a beleza do arco-íris que se formou no céu diante de mim.   

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Seguindo em frente

Foto: Arquivo pessoal

     Desde sempre tive a sensação de que eu não era dono do meu destino e dos meus caminhos. De alguma forma, sempre fui levado por caminhos que eu não esperava trilhar. Para mim, viver no Japão já não me traz muitas alegrias e estar numa situação em que não me vejo nem lá, nem cá, me trazia um grande desconforto. Não me envaidece ter uma empresa lá e muito menos pretendia viver tanto tempo longe da minha filha. Ano passado, eu voltei ao Brasil com a intenção de me fixar definitivamente por aqui. Estava tudo planejado: concluir a faculdade, arranjar um emprego, estudar para concursos públicos... Prometi algo para a minha filha que ela esperava desde que era pequena. "Desta vez, eu voltei de vez", eu disse. Na época, eu já tinha alguns trabalhos em vista e somados com um pequeno rendimento que tenho, já daria para viver de forma relativamente confortável. O destino resolveu brincar comigo e me mostrar mais uma vez que eu ainda não era dono dos meus rumos. Meu padrasto faleceu e eu percebi que gostava mais dele do que eu mesmo imaginava. Fiquei muito abalado e para ser franco, ainda não estou conformado com a partida dele. Para piorar, meu pseudo-irmão, além de querer vender o sítio que é meu, pois foi comprado com o meu dinheiro, ainda andou espalhando uma enxurrada de bobagens a meu respeito para encobrir toda a sujeirada que ele fez comigo lá no Japão. A saudade do meu filho Emanuel também me sufocava e haviam alguns problemas burocráticos que eu precisei resolver na empresa: contabilidade de final de ano, renovação da licença de importação e outras coisas... Eu estava muito fragilizado e já não conseguia raciocinar direito. Entrei em depressão e aos poucos fui sendo minado por uma série de tantos outros acontecimentos à minha volta. Sem pensar, quebrei a minha promessa e voltei ao Japão. Haviam muitas coisas a fazer... Não avisei ninguém e quando as pessoas perceberam, eu estava lá novamente. Talvez, poucas pessoas saibam o que é deixar as pessoas que você ama e partir para um lugar distante. A minha depressão se agravou e eu já não conseguia dormir e nem comer. Tentei dar fim em tudo algumas vezes... Fui definhando e me tornando um caco física e emocionalmente. Voltei ao Brasil cerca de dez quilos mais magro e com uma sequela psicológica profunda. Meus sonhos e esperanças haviam se dissipado e eu não conseguia enxergar alegria em mais nada. 
     Aos poucos, fui procurando recursos e busquei em calmantes e florais um atenuante para as minhas ansiedades. Meu sono e meu apetite ainda não voltaram ao normal, mas a companhia de minha filha, dos meus amigos verdadeiros e de alguns familiares tem me ajudado a ter ânimo. Sei que preciso buscar soluções e superar as minhas perdas e frustrações, mas tenho consciência de que não posso perder as esperanças. O sorriso dos meus filhos tem me ajudado a me erguer e a levantar a cabeça. Estou entregando os meus caminhos nas mãos de Deus e vou reconstruir a minha vida.
     Obrigado Denise e Emanuel por vocês serem os meus filhos maravilhosos. Obrigado Nágida, por ter me entendido e assim poder me apoiar nesse momento em que você precise mais de amparo do que eu. Obrigado minha prima Mônica e minhas tias Rosa e Araci, pelos bons conselhos e pelo amparo emocional. Obrigado Adão & Denise, Marquinhos & Stephanie pelo carinho e pela certeza de que vocês são meus amigos de verdade. Obrigado Nerislande e Antônio Souza pelas palavras de apoio e conforto. 
     Agora, posso ver com clareza que isso tudo é somente uma fase e que eu vou superar tudo novamente, assim como o fiz em outras vezes. 

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Entretenimento e Cultura

Foto: Banco de imagens do Google

Quando penso em entretenimento para mim e para os meus filhos, imagino uma forma de unir o útil ao agradável. Entretenimento e Cultura podem e devem estar ligados, pois fazem parte da formação de cada um de nós. Aproveitando a Quarta-feira, quando a maioria dos cinemas fica mais barata, além da vantagem de ser universitário pagando meia entrada, fui ao cinema com a minha filha para assistir Tim Maia. No Japão, eu não conseguiria descontos nos cinemas e mesmo porque, talvez esse filme não passe nas telonas de lá. Qualquer outro jovem relutaria muito em assistir algo sobre um cantor que veio da década de 70, fez sucesso nos anos 80 e morreu na década de 90. Para mim, que sou fã do Tim, era importante assistir a um filme que falasse sobre a sua vida e a sua trajetória. Através do meu interesse pelo filme, minha filha também ficou curiosa para saber sobre a vida do Tim, o que me deixou muito feliz, pois ela nasceu numa geração onde já não existem tantos talentos autênticos e salvo poucas exceções, o panorama da nossa música caiu num nível medíocre. Não vou contar o filme, mas quero apresentar, como sempre, as minhas impressões. A história do Tim é comovente até a parte onde ele ainda não havia encontrado o sucesso. Uma infância pobre e sofrida. Os fatores inegáveis eram o seu talento, sua genialidade e a personalidade de sua voz marcante. Sua irreverência, por vezes chegava à níveis estúpidos e até ofensivos, mas essa parte dá uma luz ao filme e consegue arrancar boas gargalhadas do público. Notamos que Tim Maia tinha uma crise existencial e vivia em conflito com seu próprio ego, buscando um caminho que o fizesse feliz. Ele vivia suas loucuras e fazia todos à sua volta embarcarem em suas manias. Seu temperamento forte e o envolvimento com álcool e drogas muitas vezes o levaram ao fundo do poço. Como eu suspeitava, Tim tinha um grande amor e o rompimento com sua amada o levou a uma fase melancólica, com músicas depressivas e que marcaram época. A história do Tim Maia se confunde com a história da música no Brasil. Eu nem sabia que ele teve um contato tão próximo com o Roberto Carlos. Ele era um visionário e teve talento e coragem para incorporar o seu estilo próprio. Não pude deixar de notar que, apesar de sua personalidade forte e seu temperamento explosivo, ele viveu rodeado de amigos em seu auge de sucesso, mas se viu sozinho quando esteve em dificuldades. Tim surgiu num cenário onde haviam poucos canais de entretenimento, onde era necessário muito esforço e alguém que o indicasse, o famoso QI. No mundo estavam acontecendo a corrida espacial, muitos talentos da música internacional haviam morrido, a ditadura militar havia tomado conta do Brasil e o país cantava em Inglês. Quem viveu as décadas de 70 e 80 vai curtir bastante, mas recomendo aos mais jovens que, para que apreciem mais amplamente a obra, pesquisem um pouco antes para não ficar boiando, ou ir ao cinema acompanhado dos pais. De qualquer forma, é uma boa pedida de entretenimento e as tiradas sarcásticas do Tim são uma diversão à parte.    

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Todos nós somos o Brasil


Com o fim do segundo turno, pouco mais da metade do Brasil reelege a presidente Dilma. Vejo muitos comentários revoltados, muita brigas, manifestações agressivas contra o resultado e contra as pessoas do Nordeste. Sei que a corrupção está demais e que os ânimos estão exaltados. Não sou petista, mas o Aécio Neves também não me agradava... Porque votei nele? Talvez, porque ele fosse, na minha opinião, o menos pior. O Aécio tinha sobre ele muitas denúncias de corrupção, mas a Dilma também tinha... Democracia é assim... A maioria elege o seu candidato, mesmo que ele talvez não seja o melhor... O Brasil não elegeu o Collor no início da década de 90? O Aécio ser eleito, ou não, isso faz parte do processo democrático. Foi assim com o Lula, que teve que se candidatar algumas vezes antes de se eleger. Acredito que futuramente, ele se elegerá, caso o nível do atual governo cair, ou se aparecerem mais escândalos de corrupção. Aos opositores do PT, o que resta é fazer oposição... Fiscalizar e cobrar. Para todos nós, o que temos a fazer é continuar trabalhando honestamente, cumprindo os nossos deveres e cobrando os nossos direitos. Brigar, boicotar e até fugir do país não vai resolver nada. Se você estiver numa canoa, mesmo que não goste do comandante, não vai abrir um buraco no casco só para mostrar a sua insatisfação... A coisa mais sensata a fazer é pegar o remo e ajudar os outros a remar. O momento agora é de refletir sobre o que queremos e lutar pelas mudanças que tanto desejamos.


Agora, mudando de assunto um pouco, pois estou de saco cheio de tanta briga e de tanta ofensa por causa de política, alguém aí assistiu Drácula, a história nunca contada? Eu sou suspeito para falar do filme, pois desde pequeno, sou fã desse ícone das estórias, e porque não dizer histórias de terror, já que muita coisa que se escreveu sobre ele foram baseadas no lendário Vlad, o empalador. Já assistia as versões com o Cristopher Lee no passado. Vi outras versões, inclusive a baseada no conto original do Bram Stoker. Drácula sempre foi retratado como o vilão de todas as tramas, mas nesta versão, fantástica por sinal, ele é um monarca que busca qualquer recurso que o ajude a salvar o seu reino. Não vou contar o filme, mas o que gosto de fazer é compartilhar as minhas impressões com vocês. O visual sombrio dá um toque misterioso e ao mesmo tempo belo. A fotografia é primorosa e as paisagens e cenários são de tirar o fôlego. O que estraga um pouco é o excesso de efeitos especiais e a velocidade das sequências de batalha, que não dão tempo para absorver e saborear os detalhes. Drácula é uma presença forte em todo conto e marca de maneira muito profunda e épica o enredo do filme, entremeado de drama, romance, terror, história e heroísmo. Bem diferente dos vampiros água-com-açúcar da moda que vimos a algum tempo atrás. O final é surpreendente e não vou me admirar se produzirem uma sequência. Tirando alguns detalhes, que não chegam a tirar algum mérito do filme, fazia algum tempo que eu não assistia a um filme tão bom. Eu e minha filha assistimos e aprovamos!!! Sei que gosto cada um tem o seu, mas acho que muitos vão gostar.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Estar no lugar certo na hora certa...


Gente, já faz tempo que não me animo a postar alguma coisa por aqui. Gosto muito de compartilhar as experiências que adquiro no eixo Brasil-Japão. Gosto de falar sobre as impressões que tenho dessas experiências, mas estive passando por um momento difícil emocionalmente e psicologicamente falando. Depois de 20 anos vivendo no Japão, tentar me situar no Brasil é uma tarefa um pouco complicada, ao menos para aqueles que estão realmente preocupados em crescer intelectualmente e profissionalmente. O Brasil mudou bastante em termos de tecnologia e infra-estrutura, mas no quesito organização, ainda deixa um pouco a desejar. Sei que isso é uma questão de tempo, mas a corrupção é um dos maiores empecilhos diante de uma nação que clama por melhores condições na saúde, na segurança, na educação e em tantos outros campos carentes da verba roubada pelas mãos inescrupulosas de muitos dos nossos políticos.

Ultimamente, tenho andado muito de Metrô em São Paulo. A nossa malha ferroviária ainda é modesta diante das linhas europeias, ou mesmo se compararmos com as ferrovias do Japão, mas o Metrô de São Paulo é um meio de transporte digno de primeiro mundo. Tudo limpo, organizado e com muitos trens transportando passageiros para as principais localidades da região metropolitana. O Metrô é um meio de transporte sofisticado, mas que é usado por muita gente mal educada. Vejo algumas pessoas sentadas em assentos preferenciais sem arredar a bunda para dar lugar aos idosos... Pessoas paradas no lado esquerdo da escada rolante, atravancando a passagem de quem está com pressa... Pessoas jogando lixo no chão, apesar das lixeiras disponíveis nas estações... Pessoas apoiando os pés em cima de assentos vazios, infectando com sujeira os assentos onde outras pessoas vão se sentar... Acho que enquanto o nosso coração e a nossa educação não forem grandiosos, dificilmente seremos uma grande Nação.

Existem coisas que devem ser ditas, ou escritas, com a cabeça fria, afinal, a tristeza, a ira e tantos outros sentimentos nocivos afetam o nosso discernimento. Hoje, 14 dias depois do falecimento do seu Fábio, o homem que passei a vida inteira chamando carinhosamente de Pai, eu posso falar um pouco sobre a sua vida e sobre a sua inesperada passagem. Desde pequeno, eu me lembro daquele homem alegre, saudável (não bebia e nem fumava) e forte. Ele era sedentário, mas fazia muitos serviços no sítio e posteriormente na casa onde morou nos seus últimos anos de vida. Tudo para ele era motivo de piada e passou a vida gargalhando gostosamente. Toda vez que voltava ao Brasil, sempre fazia-lhe uma visita e ficávamos juntos por pelo menos uns dez dias. Eram dias alegres, com aquelas piadas e pegadinhas que ele vinha repetindo à décadas. Por incrível que pareça, apesar dos 84 anos, ele não tinha nenhuma doença e nunca precisou fazer tratamento de nenhuma espécie. Em Julho deste ano, dei o meu último abraço e lhe prometi que voltaria em Setembro para comemorar o seu aniversário. Ele estava lúcido e saudável. Em Agosto recebi a notícia de que ele teve uma hemorragia no intestino e posteriormente um AVC. Ele passou um tempo internado, em coma na UTI. Sofreu uma cirurgia radical e os médicos tiveram que tirar o intestino grosso. Sobreviveu e passou mais um tempo em observação na UTI. "Alguém lá em cima gosta dele" disse o médico. Posteriormente, ele acordou do coma e voltou para casa. Eu sempre tive medo dessas melhoras... Pacientes em estado grave que melhoram, na maioria dos casos só recebem essa graça para poderem morrer em casa e se despedirem de seus familiares. A minha razão dizia isso, mas eu não perdia as Esperanças. Na madrugada do dia 15 de Setembro, 10 dias antes de meu pai completar 85 anos, recebi uma ligação do meu Tio João. "Denis tenho uma notícia não muito boa para te dar..." Eu já sabia o que tinha acontecido. Liguei para a Rita e combinamos todos de irmos juntos para o Rio Grande do Sul.

Eu não entraria no mesmo ambiente que o cafajeste do Toninho, o caçula, mas engoli o meu orgulho e fui sepultar o meu pai. Para mim, era mais do que uma obrigação, era o meu último gesto de Amor e carinho. Velório e enterro não são lugares para baixaria. O Toninho, quando soube que eu iria, voltou do meio do caminho (covarde). Disse que se ele fosse, que "a coisa iria ficar feia para o meu lado..." (coitado).

Só quero deixar umas coisas bem claras:
Agradeço muito a Deus por ter me deixado estar no Brasil quando minha mãe e meu pai foram sepultados. Poder me despedir deles me deixou com a consciência tranquila e cumpri o meu dever e o meu luto.
Se o Toninho não foi sepultar o pai dele, assim como não foi sepultar a mãe, que não coloque a culpa em mim... Das duas uma: Ou ele foi muito COVARDE para não olhar nos meus olhos depois de toda a sujeirada que ele e a imbecil que ele chama de esposa fizeram debaixo do meu teto, ou ele foi muito mesquinho para não comprar uma passagem e ir lá no sul cumprir com o seu dever. Aliás, fugir dos deveres é a especialidade dele, é só olhar como a Flávia e o Henrique foram criados.
Segurei a alça da cabeceira do caixão, eu e o Fabinho, com muita honra e conduzimos o corpo até o destino final. A minha parte está feita! Ir ver o pai somente nos momentos bons é fácil...
Assim como ele tentou colocar a culpa da morte da minha mãe em mim, ele tentou fazer de novo com a morte do pai. Toninho... Faça um favor para você e para mim: MANTENHA A SUA BOCA FECHADA!!!

Viver tantos anos no Japão e voltar no momento em que meus pais morreram, para mim não é coincidência. É Deus trabalhando para que eu possa ter uma separação menos traumática. Essa Paz na consciência não tem preço.
 Aniversário de 76 anos. Meu Tio João colocou o Fabinho no canto direito para que todos os filhos estivessem nessa foto.