sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025



     O autor da obra, Luiz Nakano, é interprete Português-Japonês-Espanhol e atua no sistema Judiciário no Japão. Trabalhando há muitos anos na área, Luiz é uma autoridade e referência quando se trata de traduções. Atendeu muitos casos extremamente complexos envolvendo estrangeiros e conhece como poucos o sistema judiciário japonês. O colecionador de crimes revela fatos e nuances que somente quem vive a rotina dos tribunais japoneses conhece, mas Luiz Nakano vai além e narra não somente os atos hediondos cometidos, como também traz à tona as circunstâncias e o lado humano de cada acusado, seus traumas, sua formação familiar, muitas vezes tóxica, e as motivações por trás da barbárie. Histórias de vidas permeadas de abandono, de carência e de incompatibilidade com uma sociedade que é extremamente exigente e que pune com severidade aqueles que não se ancaixam no sistema. Por se tratar de uma obra não-ficcional, a descrição dos crimes dá a sensação de um soco no estômago e as pessoas mais sensíveis talvez tenham que fazer algumas pausas para respirar. O livro é embasado em informações oficiais, traz estatísticas e, apesar de tratar de um assunto incômodo, é muito bem escrito, com uma linguagem fluída que prende o leitor até a última página.

Conheci o autor pessoalmente e comprei o meu exemplar que ele gentilmente autografou para mim. Luiz Nakano, apesar de ser um grande intérprete e tradutor e exercer um cargo de extrema importância dentro do Ministério da Justiça japonês, é um homem muito educado, acessível e gentil.

Li, gostei e super recomendo!!!



quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

Estranhos semelhantes


Caros amigos, mais uma boa sugestão de livro. 


 Estranhos Semelhantes é um belo apanhado de crônicas cotidianas que falam do ser humano e de seu comportamento dentro da sociedade. Leitura gostosa e envolvente, que prende e nos instiga a ler mais e mais para chegar logo no capítulo seguinte, como aquela sensação gostosa de maratonar uma série. 

   Ricardo Félix nos encanta e nos presenteia com esse trabalho que demonstra grande sensibilidade na descrição das pessoas, dos lugares e da vida. Podemos identificar muitas situações que podem ocorrer ao nosso redor em muitos contos, alguns bem curtinhos, mas com um teor profundo e cheio de reflexões. Li, gostei muito e super recomendo!!!!!

 

E-book disponível no site da Amazon. Livro físico disponível na Letras Virtuais Editora www.letrasvirtuais.com.br

domingo, 18 de fevereiro de 2024

Vale sob o luar


    Vale Sob o luar, escrito por Fernanda Egger.

   Gente, quando comecei a procurar obras de autores nacionais, sempre fui meio que, com o pé atrás. Infelizmente, é uma loteria garimpar livros internet afora para desfrutar de uma boa literatura. Mas prometi a mim mesmo abandonar o famoso complexo de vira-lata. É... aquele velho sentimento de que os autores gringos são melhores do que os Nacionais. Nessa minha jornada, tenho encontrado muitos autores maravilhosos e tenho me deparado com muitas surpresas literárias. Tem muito livro gringo ruim, assim como tem muito livro nacional bom... Tudo é uma questão de gosto e de ponto de vista. Nessa minha jornada literária, tenho conhecido o trabalho incrível de autores brasileiros que estão aí, perseverando e promovendo a arte, a cultura e a Literatura, bandeiras pesadas e que exigem muito amor pela arte de escrever.  

   Hoje quero falar um pouco sobre um trabalho que acabei de ler. Trata-se de VALE SOB O LUAR, da autora Fernanda Egger. O quero trazer não é uma sinopse, tampouco uma resenha, mas uma opinião sobre o livro sem dar muito spoiler, o que poderia diminuir a experiência de quem quer ler o livro.

   A sinopse encontra-se no site da Amazon https://www.amazon.co.jp/VALE-LUAR-Portuguese-FERNANDA-EGGER-ebook/dp/B09G8ZSJR2 

     Laura, uma policial vai para uma pequena cidade no interior do Rio para investigar os assassinatos em série cometidos por um maníaco que se auto intilula Lobisomem. Confesso que comecei a ler sem muitas expectativas, mas à medida em que ia avançando na trama, fui ficando amarrado de forma que fiquei ansioso para saber o que aconteceria nas páginas seguintes e assim, sucessivamente. Luis, o parceiro de investigação é o tipo de galã clichê, um clichê muito bem aplicado, diga-se de passagem, visto que ele encanta não só a protagonista, mas também o leitor que acaba simpatizando com o policial bonitão e protetor. Aliás, tudo o que uma mulher espera de um homem. Luís tem os olhos claros, tem o corpo em forma, é sagaz e, além de morar sozinho num chalé aconchegante, sabe cozinhar muito bem. 

A história é narrada em primeira pessoa e a personagem enfrenta o tempo todo conflitos internos sobre trabalho, ética e a tentação de se apaixonar por seu parceiro. Soma-se a tudo isso a vontade ferrenha de resolver o caso. Muitos dos pensamentos da protagonista conversam conosco, às vezes gritam, expressos de maneira muito feminina. Laura é uma mulher fascinante, esperta, inteligente e muito corajosa. Usa de seu charme para se inserir em posições privilegiadas dentro da investigação. Já quase no final, quando penso que a autora nos dará um descanso mental com um Happy end, há ainda mais um embate extra para quebrar a sensação de conforto do leitor. O talento da escritora Fernanda Egger faz com que uma fórmula comum de trama policial se desenrole de modo dinâmico, prendendo o leitor do início ao fim da trama. 

   Li, amei e super recomendo!!!   

sábado, 15 de abril de 2023

O encontro com um grande autor


 O grande escritor ITAMAR VIEIRA JUNIOR está no Japão para o lançamento de seu livro TORTO ARADO (曲がった鋤)leia-se "magatta suki" e com o apoio e  a realização do Consulado do Brasil de Hamamatsu e da Unip, deu uma palestra maravilhosa e gentilmente compartilhou suas experiências e respondeu as perguntas dos presentes. 



Um homem de fala mansa, de ar gentil e extremamente intelectualizado, fala com muita sensibilidade sobre sua vivência no INCRA e o contato chocante com as mazelas do país, especialmente nos lugares onde tais situações são ignoradas pelo resto do mundo. De maneira generosa e simpática, ele nos falou sobre sua trajetória com Torto arado, uma obra que obteve a façanha de ser laureada com três dos mais importantes prêmios literários: LeYa, Oceanos e Jabuti.

Apesar do tom ponderado, Itamar Vieira Junior exala perspiácia e é muito certeiro em suas respostas. Está surfando uma onda maravilhosa de sucesso e fama, mas em nenhum momento escorregou em qualquer manifestação de arrogância ou estrelismo, o que o torna ainda maior como escritor, como pessoa e como ser humano. 

Se eu já tinha uma grande admiração e simpatia pelo escritor, agora sou um fã incondicional e, para mim, é um orgulho saber que esse homem surge para colocar o Brasil sob os holofotes novamente. 

No Brasil, uma boa parte dos leitores ainda está presa à velha mentalidade "vira-lata", aquele conceito de que os autores estrangeiros são melhores. Com a pandemia, muitos novos escritores surgiram, o que afirmou ainda mais a teoria de que autores brasileiros são ruins. Felizmente, depois da era Paulo Coelho, eis que surge Itamar Vieira Junior para trazer a literatura nacional contemporânea de volta ao lugar que ela merece: nas estantes e nas prateleiras do mundo!!!  


A minha gratidão sempre a Deus, por me guiar pelos caminhos tortuosos da vida e por me colocar junto a pessoas tão maravilhosas como a Tutora Silvia Minami, da Unip, escritores de todos os cantos do mundo, a Letras Virtuais Editora, minha casa literária no Brasil, a Adriana Vaitsman minha querida editora, ao Sérgio da UpStage, a maior livraria online do Japão e... ao escritor fenomenal Itamar Vieira Junior que inaugura uma nova era no cenário literário brasileiro e internacional.
GRATIDÃO!!!!





 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

Aprendendo com os erros e acertos



Em 2011, quando publiquei OBAKE, O JAPÃO MAL-ASSOMBRADO, ainda não sabia o que era publicar um livro. O arquivo estava na gaveta já fazia alguns anos e então, resolvi viver a experiência de ter o meu primeiro livro. Confesso que enfrentei alguns problemas e desanimei. Sempre tive a mania de escrever e escrevo desde os 10 anos. Sou da época em que redação era "composição" e enquanto a maioria das pessoas tem verdadeira aversão ao desafio de escrever, cada tema proposto era visto por mim como um desafio gostoso. Muitos dos meus trabalhos, desde a época de escola se perderam e eu gostaria muito de tê-los em mãos para publicar. Mas a minha mente inquieta sempre me impulsionou a criar, mais e mais, então mesmo sem publicar, continuei escrevendo. Em 2010 comecei a escrever o que julgo ser a minha obra-prima: O IMORTAL e em 2020 consegui digitar a última página. Foi justamente nessa época que conheci a Editora Letras Virtuais e a Adriana Vaitsman, que me acolheu, me orientou e aceitou o desafio de publicar aquele calhamaço. Hoje, depois de mais de uma década da primeira publicação de OBAKE, O JAPÃO MAL-ASSOMBRADO, a obra renasce levando o selo da Editora Letras Virtuais. A obra foi totalmente revisada e o livro físico está esgotado, mas a versão e-book está disponível no site da Amazon.

 Este é um livro bem fininho, tem apenas 76 páginas e foi escrito de maneira experimental, como um ensaio para que eu pudesse vivenciar a experiência de publicar. Saiu com um monte de erros, mas enfim, foi uma experiência que me rendeu algumas dores de cabeça, mas tenho um grande carinho por ele, pois me abriu portas para projetos maiores. Obake, o Japão mal-assombrado retrata a vida dos brasileiros que foram trabalhar na Terra do Sol Nascente no início da década de 1990. Mostra um pouco do cotidiano dessas pessoas e o seu inusitado encontro com manifestações fantasmagóricas. Os contos desse livro estão adaptados em Motion Comic no Canal Obake, O Contador de histórias, no Youtube:

 

A versão física do livro se esgotou rapidamente e em 2021 a obra foi revisada pela Editora Letras Virtuais (https://www.letrasvirtuais.com.br/) e ganhou uma versão e-book para Kindle, tablets e smartphones: https://www.amazon.com.br/dp/B091687SF5


 

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

Caminhos e descaminhos, vem que eu te conto


   Saudações, meus queridos amigos e leitores. Hoje estou aqui para falar da Antologia CAMINHOS & DESCAMINHOS, VEM QUE EU TE CONTO.
   Através do grupo de escritores encabeçados pelo meu colega Leandro de Melo Pereira, com a coordenação paciente da minha amiga Eliana Bauman, juntamos forças e talentos para escrever esta antologia sensacional. O tema? JUVENTUDE!!!
Para mim, enquanto produtor de textos diversos, foi um desafio agradável e uma experiência gratificante. Ter o meu nome figurando entre tantos escritores talentosos está sendo uma honra e uma grande alegria!
   Falar de juventude é para mim tão importante quanto discorrer sobre tantos outros assuntos relevantes dentro da nossa sociedade. Trazer literatura de qualidade, com boas doses de humor, carinho, alegria, simplicidade e inocência. Dar um chacoalhão no leitor através de textos fortes e contundentes também. 
   Que experiência magnífica sentir a escrita desses autores em diversos textos, cada qual com sua característica distinta. Cada qual com sua visão e sua forma de expressão!
   Tive a honra de escrever a contra capa desta edição, dando um pequeno aperitivo ao leitor. Quer saber mais? Ah, como é difícil falar desta obra sem dar spoilers... Mas posso apresentar esse time de peso, maravilhoso, um verdadeiro Dream Team de escritores!!!
   Vamos lá...

   A obra começa já com a Karina Camargo, escritora, Youtuber e entrevistadora do canal Karina Camargo entrevista. 

   Em seguida, o Lima de Oliveira com seu estilo terno, trazendo um conto comovente. Quer saber mais sobre ele? Procure no Facebook e no Instagram por Coruja da lua.

   Na sequência, temos o conto do meu amigo Leandro de Melo Pereira, autor de Rua Nove, primeiras aventuras e Rua Nove, novas aventuras.

Quer mais? Temos a escritora e grande poetisa Betânia Pereira  https://www.instagram.com/btannia/

   Em seguida, apresentamos Marcos Macedo, grande escritor, poeta e ativista cultural.

Na sequência, temos o meu conto "Cinco minutos que mudam uma vida"

Depois, a minha querida amiga e escritora Juh Hunzicker

e depois, a maravilhosa escritora Eliana Bauman

e finalmente, o nosso escritor, poeta e filósofo Elton Rocha, com toda a sua poesia maravilhosa distribuída de forma encantadora num conto em prosa, que é para fechar essa obra maravilhosa com chave de ouro!!!


Esta Antologia está realmente maravilhosa e imperdível e vale a pena viajar por essas páginas repletas de emoções e lições de vida!!!
Para a aquisição do livro físico, entre em contato com um dos autores. A edição no formato e-book está disponível no site da Amazon


E como não poderia deixar de ser, o meu agradecimento à Letras Virtuais Editora, na pessoa da Adriana Vaitsman, pelo trabalho editorial maravilhoso e pelo reultado fantástico!!!

Bem... Eu sou suspeito para falar, mas quer saber a minha opinião sincera? Essa antologia está simplesmente maravilhosa!!!


   
   



 

sábado, 1 de maio de 2021

A ignorância é a pior doença que existe


 

   No dia 14 de Fevereiro de 1996, minha mãe falecia aos 51 anos vítima das sequelas de um AVC. Quando retornei dos meus primeiros 3 anos trabalhados no Japão, minha mãe não parecia a mesma mulher que eu havia deixado no Brasil.

   3 anos antes, eu me despedia dela e do meu padrasto no Aeroporto Santos Dumont em Porto Alegre. Minha mãe ainda era jovem e tinha longos cabelos negros. Quando retornei ao Brasil, ela estava com os cabelos curtos e grisalhos, algumas marcas de expressão fortes e com a metade do corpo paralisada em consequência de um derrame. Estava com as mãos e os pés inchados e acredito que deveria ser algum problema de má circulação.

   Gente, eu tenho que falar... Doença é um assunto sério!!! Meu pai-drasto sempre fazia aquela lavagem cerebral na gente dizendo que remédio era coisa ruim, que dava efeito colateral e que tudo poderia ser tratado com chás. "A indústria farmacêutica inventa essas coisas para tirar o dinheiro dos trouxas".

   Pressão alta é uma doença crônica e no meu caso, hereditária. Cresci vendo minha mãe passando mal de tempos em tempos e eles tentando resolver tudo com chazinho. 

   Eu me lembro que quando morávamos na chácara, era um suplício. Se alguém ficava gripado, tinha febre, tinha tosse, passava mal, mas meus pais achavam que tudo se resolvia com chazinho... Eu me lembro das tantas vezes que passávamos semanas a fio passando mal e sem conseguir dormir com aquela tosse incessante. "Toma chá de guaco que passa!"

   Machucado, torção, queda... Levar no médico? Nem pensar... Passávamos semanas e até meses com machucados e infecções sendo tratados com fumo, emplastos e salmoura. 

   Eu fico me questionando se essa resistência a ir no médico e aos remédios era por falta de dinheiro. 

   Bem, voltando à hipertensão, em mim, ela se manifestou por volta dos vinte anos. Passava muito mal quando tinha as crises. Não podia comer nada com muito sal, não podia me estressar e eu pensei que ser atleta me deixaria imune aos efeitos desastrosos da doença. Iniciei um tratamento aos vinte e oito anos, depois de uma crise da qual pensei que não escaparia. O médico me disse que fazer esportes era super positivo para a minha saúde, mas que eu deveria rever a minha dieta e iniciar um tratamento, pois sofria de uma doença crônica. 

   Iniciei o tratamento e o tempo foi passando. Com o tempo, relaxei e deixei tudo de lado. Morando no Japão, fiquei um bom tempo trabalhando sem pagar o seguro saúde. Perdi as contas de quantas vezes passei mal e tive que faltar ao serviço. Tive consequências sérias devido ao agravamento da minha hipertensão. Já me vi à beira de um ataque cardíaco, ou coisa pior e, mesmo assim, a ignorância me cegava, pois eu tinha que trabalhar, tinha que cuidar da minha filha e tinha que economizar dinheiro. Só eu sei a luta que foi sobreviver no Japão, enfrentar a minha luta diária e aguentar a doença. Ir ao trabalho dias seguidos passando mal para não ser mandado embora do emprego. 

   Depois de certo tempo, as empresas começaram a impor o Shakai Hoken para os funcionários. Nesse sentido, fiquei muito chateado com o desconto que começou a vir no meu pagamento, mas o seguro saúde me permitiria fazer o meu tratamento novamente. Fui ao médico e levei uns bons puxões de orelha por causa do meu desleixo, mas essa reviravolta foi muito positiva para mim e para a minha família. 

   Hoje tenho consciência de que terei que tomar remédio até o final da vida, mas ainda assim, de certa maneira, estou vivendo praticamente de maneira normal. Tenho que ser cuidadoso com a quantidade de sódio que consumo, tenho que fazer atividades físicas, tenho que controlar o peso e tenho que evitar o estresse. Tudo coisa simples que eu levei tempo para entender. 

   Completei 51 anos no último dia 28 de Abril e o fato de ter alcançado a minha mãe me trouxe muitas reflexões. Hoje eu vejo que ela não era tão velha assim... Estava somente judiada pela doença e cega pela ignorância. Ignorância nociva e contagiosa que quase custou a minha vida. Hoje eu me sinto bem disposto para o trabalho, além das minhas atividades como escritor, pai e comerciante. 

   Se eu não tivesse aberto meus olhos a tempo, talvez não conseguisse nem alcançar a minha mãe. Saúde é coisa séria e não deve ser colocada fora das nossas prioridades. Amei minha mãe muito, apesar das nossas diferenças, mas ainda não quero ir de encontro à ela, pois ainda tenho um filho pequeno para cuidar e educar. Quero ver meus filhos realizados, quero escrever muito e deixar um legado antes de partir deste mundo!