Dizem que as boas oportunidades só aparecem uma vez na vida. As vezes tenho a impressão de que as pessoas não ligam muito para isso. Quando um jovem se apaixona loucamente por alguém, ele sente lá no seu íntimo a impressão forte de que aquele é o Amor de sua vida e que se perder aquela pessoa, talvez nunca mais volte a amar de verdade. Então eu me pergunto: Por que quando uma oportunidade bate na sua porta você a deixa escapar entre os dedos? Por que não trata as oportunidades como aquela paixão avassaladora da adolescência?
Algumas pessoas agarram suas oportunidades com unhas e dentes. Essas pessoas só precisam de uma chance, um empurrãozinho para que suas vidas tomem um rumo favorável.
Outras pessoas reclamam da vida. mas quando a chance aparece, elas literalmente a desperdiçam como se a vida fosse uma constante chuva de boas oportunidades.
Tenho visto muita gente no Brasil que vive em plena e infindável dificuldade financeira. Gente que daria qualquer coisa por uma chance de estudar, ganhar dinheiro, fazer cursos, comprar uma casa, ou terreno... Também conheço muita gente no Japão que teve a oportunidade de vir e trabalhar, juntar um dinheiro e projetar o futuro. Muitos desses últimos vivem aqui como se fossem os últimos burgueses, desfrutando de todos os luxos que o salário pode comprar. Saem todos os finais de semana, vão curtir a balada, compram tudo o que vêem pela frente como se a inconstância econômica não existisse. Um dia se cansam do Japão... Um dia se dão conta de que aquele recurso que foi desperdiçado lá atrás fará falta no futuro.
Quando eu era criança, vi um homem bêbado dormindo na beira de uma lagoa. Estava terrivelmente embriagado. de instantes em instantes ele rolava de um lado para outro. Corria o risco de rolar e cair dentro do lago. Um outro homem aproximou-se e tentou puxá-lo para longe do perigo. O bêbado puxou os braços e debateu-se bruscamente... “Não preciso que FDP nenhum venha se intrometer na minha vida!!!”
O outro, ofendido dise-lhe: “Então morra!!!”
Como no exemplo acima, aprendi que muitas vezes quem precisa de ajuda não merece ser ajudado. Tomei consciência de que é muito difícil ajudar quem não se ajuda.
No ano passado fui ao Brasil ver a minha filha e resolver alguns problemas pessoais. Aproveitei para visitar meus sobrinhos que meu irmão deixou desde que se separou da ex. Apesar do dinheiro que ele manda de pensão, minha ex cunhada se queixou da situação. Ofereci-me para cuidar das crianças. Meu sobrinho com 13 anos e minha sobrinha com 11. Meu sobrinho não quis vir, pois é muito apegado à mãe. Minha sobrinha então decidiu vir morar comigo no Japão.
Na época, viviam, como de fato ainda vivem numa situação de miséria. Minha sobrinha perdera 2 anos de escola. A geladeira sempre vazia. Estavam vivendo sem o mínimo de necessário para uma vida digna.
Chegando ao Japão, encaminhamos minha sobrinha para a escola. Proporcionamos uma vida condizente para uma menina de sua idade. Diferentemente da vida que ela levava no Brasil, ela passou a ter que pedir-nos permissão para sair de casa. Proporcionamos carinho, estudo, um quarto só para ela, afinal ela precisa de privacidade. Não lhe falta nada. Ela sai, passeia, vai a parques, matsuris, ganha mesada, Vai para a piscina da cidade, tem internet no quarto, ventilador, ar condicionado, mas... Não está feliz... Ela sente falta da liberdade!!! No Brasil ela saía e ficava a vontade sem ninguém monitorando seus passos... Como ela diz nas conversas de MSN:
“Aqui não tem pegação... Mó inferno, não posso fazer nada... No Brasil a pegação é mais forte...”
Pois bem... Tenho a impressão de que tentando ajudar, acabei extendendo a mão para quem não merecia. Minha sobrinha com o passar do tempo foi ficando mais exigente, mais egoísta, mais arrogante e ainda por cima falando mal de mim pela internet. Fiquei muito magoado. Não queria que ela me agradecesse pelo resto da vida, mas o simples sentimento de consideração e respeito para mim já seriam suficientes. Agora ela me diz que não está feliz aqui no Japão e que quer voltar o mais rápido possível para o Brasil (para a miséria em que vivia antes). Sei que voltando ela terá uma grande felicidade em rever a mãe e o irmão, mas o choque de mergulhar na miséria novamente também será muito forte. Deixo-a voltar ao Brasil com a consciência tranquila, pois retornar foi uma decisão dela. Hoje ela tenta escapar das obrigações escolares e da pressão dos compromissos que uma pessoa da idade dela tem aqui neste país. Hoje ela só enxerga a liberdade da diversão que ela pode ter no Brasil, mas no futuro essa decisão poderá pesar contra ela.
A chance de fazer algo de bom em sua vida foi dada. Aproveitar, ou não, isso é só com ela!!!
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