terça-feira, 1 de abril de 2014
Cada fim é um novo começo
Ontem, dia 31 de Março foi o meu último dia de trabalho na Belltech. Foram dois anos e meio de convivência com pessoas fantásticas. Cada ser humano tem uma história de vida. Suas alegrias e seus dramas diários, muitos deles chegaram a mim em forma de desabafo, afinal, o motorista é a primeira pessoa que elas encontram depois do trabalho. Nem o Mestre dos mestres conseguiu satisfazer todo mundo, então eu, na minha modesta condição de reles mortal não iria conseguir também, mas como em todos os lugares onde trabalhei, deixo uma legião de pessoas que, de alguma forma ficaram contentes com a minha convivência. Eu não fui tão somente um motorista, mas alguém que fazia parte do dia-a-dia dessas pessoas. Sempre fiz questão de saudar a todas as minhas passageiras com um "BOM DIA" dito lá do fundo do coração, vibrando e desejando realmente que o dia delas fosse bom. Assim como dizer "BOM SERVIÇO, TENHAM TODAS UM BOM DIA". No final do expediente, na hora do desembarque "BOM DESCANSO, UMA BOA NOITE"... Isso é agregar valor humano ao trabalho. O motorista trabalha muitos pontos que as pessoas não notam, mas que são muito importantes para o bem-estar das passageiras, como pré-aquecer o ônibus no frio, para que elas embarquem no veículo quentinho, ou então, deixar o ônibus com o ar condicionado ligado alguns minutos antes do embarque para que elas viajem num ambiente fresco no calor... Evitar que elas sofram com calor, ou frio extremo é ajudá-las a se prevenir de resfriados. Recebê-las com um sorriso e um tom cordial para que elas tenham um bom começo e um bom final de expediente... Ligar música em volume moderado para fazer um som ambiente e preencher o veículo com alto-astral... Chegar de bom humor no trabalho faz a pessoa ficar mais produtiva e menos suscetível a acidentes. Nem sempre as passageiras gostavam do meu modo de trabalhar, mas analisando o índice de passageiras que me demonstravam simpatia e respeito pelo que eu fazia, acredito que o saldo é bem positivo. Algumas poucas vezes o escritório me avisava que alguma funcionária tinha reclamado de algo, mas eu sempre me reportava antes para eles para que não houvesse nenhum mal-entendido. Sempre reportei os problemas do transporte à minha chefe, por mais pequenos que fossem para que o meu trabalho sempre tivesse credibilidade. Nunca discuti problemas técnicos com minhas passageiras, visto que não havia necessidade de dar explicações técnicas, principalmente para quem não sabe dirigir. Dirijo a 35 anos, sendo que 5 destes como profissional. Minha licença era GOLD e tenho licença especial de CHUUGATA (veículos de porte médio). Sempre primei pela segurança e bem-estar das minhas passageiras. De ônibus, ou de Van, para mim, sempre foi importante fazer o meu trabalho da melhor maneira possível, agregando valor com pequenos detalhes que, ao meu ver produzem grandes resultados.
Quando fui ao escritório formalizar a minha saída, fui recebido pelos tantoushas e pelos chefes Ota-san, Sonia-san e Ushida-san. Foi um Aisatsu bem informal, mas coroado de palavras de carinho e reconhecimento. Senti-me verdadeiramente entre amigos e confesso que dificilmente encontraria em outro lugar um ambiente de trabalho tão bom como esse.
Finalizar essa fase da minha vida não está sendo fácil e estou passando por uma transição muito dolorosa, mas acredito que este fim de fase marca o início de outra. Como disse para todos os meus amigos, trilharei novos caminhos, mas levarei todos no meu coração.
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