domingo, 5 de junho de 2011

Despojando-se da carapuça de coitado

Foto: Banco de imagens do Google

Em qualquer lugar do mundo onde você vá, seja no Brasil, ou no Japão, encontra-se pessoas que estão precisando de algum tipo de ajuda. Seja ajuda financeira, seja ajuda psicológica... Tem gente que usa a palavra coitado de maneira indiscriminada. Tem pessoas que dizem: “Coitado de fulano” como se ele fosse realmente um coitado no sentido literal da palavra. Oras, coitado para mim é aquele indivíduo que está numa situação da qual não pode se defender. Coitado é aquela pessoa desprovida de instrução, de meios financeiros para subsistência e que não pode fazer nada para mudar a própria situação. Esse sim é coitado!!! O adjetivo coitado não se aplica as pessoas com os seguintes requisitos:


  • Pessoas que gozem de plena saúde física e psicológica e que justamente por isso podem e devem procurar algo de útil para fazer.

  • Pessoas que possuem um mínimo de inteligência para dialogar e buscar recursos.

  • Pessoas que mesmo tendo disponibilidade de batalhar para ganhar a vida preferem a ociosidade e a compaixão dos outros.

  • Pessoas capazes, mas que, por complexos, ou caprichos se acham incacitadas de mudar a própria situação.

  • Pessoas que desperdiçaram chances valiosas de fazer algo da vida e que caem em dificuldade financeira.

  • Pessoas que mentem e usam meios desonestos para ganhar a compaixão dos outros.

  • Pessoas necessitadas que mesmo em situação financeira desfavorável querem manter pose de rico. Sua arrogância os fazem desperdiçar qualquer ajuda que venhamos a dispender em seu favor.

Existem muitos outros fatores que desqualificam uma pessoa da categoria dos coitados.


As características acima devem nos fazer pensar bem antes de usarmos a palavra coitado para nos referirmos a alguém. Agora, o mais importante de tudo é saber identificar corretamente quem precisa (e merece) ser ajudado. Existe muita gente por aí que por comodismo, ou por falta de consciência veste uma “carapuça” de coitado e fica mendigando a compaixão alheia. Gente carente de afeto, de auto-estima e de orientação. Essas pessoas não sabem, mas isso faz com que as pessoas se afastem delas. Ninguém gosta daquelas pessoas que vivem constantemente com uma nuvenzinha negra pairando sobre sua cabeça. Pessoas que transmitem tristeza e melancolia. Pessoas que infectam o ambiente com seu pessimismo e que não acrescentam nada de bom nem para si e nem para os demais. Conheço gente que tem muito potencial, mas que vivem reclamando da vida. As vezes tenho vontade de pega-las pelos ombros, dar um chacoalhão e dizer: “Tira essa carapuça de coitado e acorda para avida!!! Pára de reclamar e vai fazer algo que efetivamente vai te tirar do buraco!!!”


Lembro-me que certa vez conheci uma moça que havia sofrido um acidente de trem. Ela teve uma das pernas amputadas na altura da coxa. Andava com uma perna mecânica e levava uma vida relativamente normal. Trabalhava, tinha uma vida independente, mas sentia uma necessidade muito grande de contar para as pessoas sobre o seu problema. As pessoas não tocavam no assunto. Era sempre ela que entre lágrimas narrava sua desventura.


Outro caso típico foi de um rapaz que num dia chuvoso apareceu no meu trabalho todo encharcado. Na verdade ele poderia usar um guarda-chuva, mas preferia não fazê-lo para despertar a dó das pessoas. Disse que precisava ir andando senão não chegaria a Toyohashi naquele dia (Toyohashi fica a uns 60 kilômetros daqui). “Vai ser uma caminhada de umas 5 horas, mas eu chego!” Bem... Faça as contas: Um ser humano anda em média 6 kilômetros em ritmo rápido. Para chegar em Toyohashi ele gastaria 10 horas... Outro dia ele passou por aqui dizendo que estava a alguns dias sem comer, mas que não gostava de comida brasileira... A impressão que tenho é que ele gosta de vestir essa carapuça de coitadinho.


Quando éramos crianças, algumas vezes sentíamos aquela sensação de solidariedade quando alguém dizia: “Coitadinho, se machucou?” Essa sensação nos dava alívio e conforto, mas ela só é positiva enquanto somos indefesos. Devemos nos despojar dela no decorrer do nosso desenvolvimento. Algumas pessoas carregam essa carapuça pela vida toda, seja por se sentirem incapazes, seja para viver da compaixão dos outros...


Eu já ajudei algumas pessoas que não mereciam por falta de entender esse mecanismo, mas hoje creio estar mais preparado para identificar o verdadeiro coitado. Não que meu coração esteja mais duro, não é isso. Talvez eu esteja ficando menos bobo.


Um outro ponto a frisar é que as vezes, os coitados são os que menos precisam de ajuda. Um amigo, ou parente em dificuldades pode estar longe de ser um coitado, mas é digno de ser ajudado pois em situações de dificuldade devem existir duas ações:



  1. O indivíduo receber a ajuda.

  2. O indivíduo predispor-se a ajudar a si mesmo!!! Afinal, não é nada legal você ajudar uma pessoa e ela mesma não se ajudar.

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