Foto: Arquivo pessoal (STK)
Primeiro gostaria de me desculpar por não ter postado no mês de Abril. Putz... Sabe como é... Mudança, bagunça para arrumar, trabalho, estudo e muitas outras coisas mais que são de minha responsabilidade resolver. Tem horas que tudo que eu desejo é um pouco de Paz.
Tem alguns momentos da vida em que começamos a nos questionar o verdadeiro sentido de estarmos sobre a face da Terra. Para alguns, essa questão torna-se a pergunta que não quer calar... Já passei por vários desses momentos de reflexão e ainda não tenho uma resposta que eu julgue convincente. Por mais que as coisas na minha vida tenham andado para frente, mesmo que de maneira árdua e gradativa, mesmo sentindo-me de certa forma confortável, sinto como se o meu tempo estivesse em contagem regressiva. Será que não está? Muitas vezes, pergunto-me se vale a pena gastar a vida fazendo sacrifícios, sendo que o melhor da vida é viver e esse ato de viver vai sendo deixado de lado ano após ano... E quando acordamos e enfim podemos nos dar ao luxo de viver, percebemos que não poderemos desfrutá-la com toda plenitude, já que a velhice nos impõe severas restrições que vão se agravando ainda mais com o passar do tempo.
Nesses últimos anos, estive tão preocupado em trabalhar, que esqueci de viver... Tirando o ano de 2010 que passei no Brasil, já faz um tempo em que ando mergulhado em trabalho. Em prol de conquistar uma vida melhor, privei-me de muitas coisas e vivi provisoriamente nos dois países. Quando estava no Brasil, não comprei móveis e nem fiz muita questão de estruturar minha vida doméstica, afinal tinha que me centrar na vida que eu levava no Japão. No Japão não comprei móveis e nem me dei ao luxo de alguns confortos básicos porque tinha planos de voltar ao Brasil. São duas décadas vivendo provisoriamente e desconfortavelmente.
Hoje sinto que penei por uma boa causa, mas sei que se tivesse me programado melhor, teria trilhado esse caminho de maneira menos sofrida.
Hoje muitos dos meus amigos da época do colégio estão formados e com suas respectivas carreiras. Trilhei caminhos diferentes, mas estou relativamente feliz com o desenrolar das coisas... Sei que esse grau de Felicidade ainda é ínfimo perto do que realmente desejo, mas o que eu quero não é muito... O que aspiro é um lugar para morar onde eu possa tocar nas árvores e ouvir o canto dos pássaros... Respirar o ar puro das manhãs e olhar o nascer do sol e seu crepúsculo... Ter muito espaço para receber os parentes e amigos para um churrasco e poder desfrutar da companhia deles sem medo do barulho incomodar a vizinhança... Ter um lugar onde meus amigos estacionem o carro sem a neura de pensar se os bandidos estão roubando, ou se a polícia está multando... Poder reunir as pessoas que amo em alegres reuniões familiares e desfrutar de boa comida, boa conversa e boas lembranças... Meu Deus... Meu pedido parece tão simples, mas no momento parece tão distante...
Tem dias em que tento desacelerar... Largo tudo e vou tomar café, conversar com pessoas interessantes (STK), vou nas livrarias, nos parques... A simplicidade de momentos de contemplação da natureza me acalma e me faz perceber que a vida é bela... Nós é que a tornamos complicada... A Primavera estava muito bonita neste ano. Especialmente para mim que estou redescobrindo a Alegria adormecida dentro da minha alma. Quando estamos neste estado “nirvânico”, mesmo os dias chuvosos e nublados tem um sabor e uma poesia diferente. as vezes é preciso que alguém nos acorde para esses pequenos detalhes que criam melhorias gigantescas em nossas vidas!
Obrigado meu Deus por todas as coisas boas que eu enxergava e por todas as coisas boas que passei a enxergar!!! Acho que o excesso de trabalho deturpou os meus sentidos, mas o lado bom de tudo isso é que sinto que ainda há tempo de correr atrás e recuperar muita coisa do que foi perdido. Como disse um sábio: “Uma grande jornada começa pelo primeiro passo...”

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