Foto: Arquivo Particular
Quando ganhamos consciência do mundo, a gente ainda não sabe de todos os percalços que a vida nos impõe. Temos nossos pais como educadores e as pessoas que nos cercam como referência. Nasci e cresci numa família heterogênea (pais que vieram de outros relacionamentos e formaram uma nova família). Tenho um meio-irmão, um irmão e uma irmã de criação. Dificuldades a parte, minha vida sempre foi marcada por divergências de opinião e convivência problemática num lar onde eu me sentia um intruso.Conquistar um lugar em minha própria casa nem sempre era tarefa fácil. Acho que lá em casa todos nós sofremos, mas tenho consciência de tudo o que passei naquela pseudo-família. Tudo que acontecia de ruim era culpa do Denis. Se alguém fizesse algo errado e meus pais não conseguissem descobrir quem foi, pairava no ar aquele clima de acusação sobre mim. Havia muita implicância e nós, os filhos dessa família nos defendíamos uns dos outros como podíamos. Vivíamos um verdadeiro Big Brother da vida real. Muitas vezes, os outros três irmãos faziam aquela panela... Certa vez meu padrasto ordenou que ninguém falasse comigo... Minha mãe fazia vista grossa para as injustiças que eu sofria. “Tenha paciência” dizia ela... Faltou diálogo, faltou didática, faltou compreensão... Muitas vezes me revoltei porque tudo e todos eram contra mim... Então, quando me enfurecia, era taxado de ignorante. Não tinha chance de expor meus motivos e, em muitas vezes, mesmo tendo razão eles conseguiam reverter a situação e me reduzir a pó... Não foram poucas a vezes em que me senti um lixo humano. Na minha adolescência por várias vezes, tive vontade de por fim a minha vida. Fui educado num lar espírita, o que acho uma contradição a lei do Karma... Por vezes cheguei a pensar que ir para o inferno sem salvação era melhor do que viver mergulhado naquela poça de picuinhas. Hoje não culpo minha mãe pelas coisas que aconteceram, mas as sequelas psicológicas ainda não cicatrizaram. As vezes tenho pesadelos daquele tempo onde aquele menino era massacrado, humilhado, caluniado... Eu não tinha nem sequer o direito de me defender... Lembro-me que na adolescência senti uma tristeza profunda e incontrolável... Enfurnava-me em algum lugar escondido para chorar, pois não queria que meus “inimigos” tivessem o prazer de me ver chorando. Eu não sabia o que era depressão. Para a minha família ignorante depressão era coisa de gente fresca.
Dia desses, li um trecho de um livro singelo chamado Minutos de Sabedoria. “...Deus envia os homens para ajudar os próprios homens...” dizia o capítulo que eu lera. Muita gente usa esse livrinho como uma espécie de oráculo. Esse trecho me fez lembrar de um anjo que Deus enviou para me guiar pelos caminhos tortuosos da vida que passei na juventude.
Até hoje ainda me lembro de quando o conheci. Eu estava na quinta série do ginásio e aquele homem magro de estatura mediana e de voz suave adentrou a sala. Seu nome eu nunca mais esqueceria: Luis Antonio Coracini. Tinha um sotaque do interior paulista e uma simplicidade que lhe eram peculiares. Estava sempre de calça e camisa social numa atitude de seriedade com a função que exercia. Dali até a oitava série ele foi nosso professor de Português e Inglês. Nos horários de intervalo, quando ele não estava ocupado, gastava seu tempo conversando conosco, os meros alunos... Em toda a sua simplicidade, ele discorria sobre os mais variados assuntos revelando-se uma pessoa extremamente culta. Falava com a gente sobre cultura, esportes, música, religião e um monte de coisas interessantes. Passei então a cultivar esse hábito de conversar com ele. Ele sempre tinha coisas bacanas para falar. Tornou-se o amigão da turma. Jogava bola com a gente. Trazia informações sobre cursos e palestras. Certa vez, ele veio com o carro abarrotado de livros e distribuiu para a escola toda num gesto de carinho e como um incentivo a leitura. Nunca ouvi uma palavra ofensiva saindo daquela boca. Nunca ouvi ele proferir um palavrão sequer... Sempre soube controlar o ímpeto da turma chamando nossa atenção, quando necessário.... Nós o respeitávamos, pois ele tinha algo que muita gente não consegue conquistar: Respeito.
Ele sempre se mostrou uma pessoa equilibrada, mesmo nos momentos mais críticos. Sua conduta sempre foi impecável. Como qualquer pessoa, ele não conseguiu agradar todo mundo, mas ele até hoje mora em nossas mentes. O professor Luis sempre vai ser o mais lembrado, o mais venerado...
Esse Anjo que Deus colocou na minha vida lá no começo nem imagina o quanto suas palavras amigas e seus bons conselhos me ajudaram a suportar a barra que foi a minha fase de adolescente. Ele representa para mim uma referência, um ícone, um exemplo... Se não fosse ele, talvez eu nem estivesse mais aqui hoje.
Agradeço a Deus sempre por ter enviado esse homem iluminado para me guiar. Professor Luis, que Deus o ilumine sempre, meu Amigo de Fé e irmão de espírito!!!

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