NOTA: O resumo crítico transcrito abaixo foi elaborado de acordo com o livro Memórias sexuais do Opus Dei. Quero deixar bem claro que trata-se de um trabalho acadêmico e que não tomo nenhuma posição contra, nem a favor dessa, ou de qualquer outra organização religiosa. O trabalho foi desenvolvido em cima dos fatos narrados pelo autor e, com base nesses fatos, teci meus comentários e críticas. Como estudante de ciências humanas, é minha obrigação ter senso crítico e fazer minhas análises sobre os fatos narrados e compará-los com as referências históricas.
Atividade: Leitura
Título:
Memórias sexuais no Opus Dei (Panda Books, 2006)
Autor:
Antonio Carlos Brolezzi
Contado
em primeira pessoa, Memórias sexuais no Opus Dei é mais do que uma
narrativa comovente, mas expõe de maneira clara, os artifícios de
dominação usados por essa organização religiosa. O livro, pode-se
dizer de passagem, chega a ser uma denúncia sobre as coisas que
acontecem com os membros do Opus Dei (do Latim: Obra de Deus).
O
autor, ex-membro da citada organização, narra sua trajetória desde
seu ingresso no Opus Dei, até sua saída, que culminou em sua volta
ao seio da família.
Nas
entrelinhas, o Opus Dei “atrai” jovens teoricamente capacitados
intelectual e financeiramente. Ao ingressando é mostrado um mundo de
amor, onde Deus o “convoca” para uma grande missão. Com esses
argumentos, cria-se um afastamento da família, o que afirma ainda
mais os laços de dominação. Na “obra” como os membros do Opus
Dei chamam a organização, a família é relegada a um segundo
plano. A Família a partir do ingresso do indivíduo são a
organização, as atividades e os membros.
Ainda,
segundo revela o autor, há uma espécie de censura, onde toda
literatura deve passar pelo crivo dos superiores antes de um
numerário ler. Isso impede que os membros leiam coisas que possam ir
contra a doutrina. Caso o numerário tiver que fazer um trabalho
escolar, ou desenvolver uma pesquisa, deverá apresentar a literatura
para aprovação prévia.
A
dominação se reforça também na idéia de que não se deve
esconder pensamentos e ações “impuras”. A organização
doutrina os membros de forma que todos devem fazer uma confissão
diária. Todo e qualquer “pecado” deverá ser confessado para que
o numerário não se torne um membro impuro. Assim, os superiores
podem monitorar cada membro. Castidades como o silício e chicote são
usadas para conter o ímpeto sexual e os pensamentos. O autor cita a
vergonha de entrar numa fila de confessionário para dizer que havia
se masturbado na noite anterior. O domínio sobre cada membro se
reforça através desse tipo de monitoramento e a sensação de culpa
torna-se um carrasco, visto que para que haja uma redenção, deve
haver uma confissão e a expiação através da auto flagelação.
Segundo o autor, o Deus que o Opus Dei mostra é cruel e insensível
com as “fraquezas” humanas.
O
autor dá a entender que desperdiçou muitos anos de sua vida numa
organização que só o explorou, subjugando e fazendo-o de
marionete. Desses anos de terror, humilhação, tristezas e saudade
dos familiares, Brolezzi ficou alienado do mundo e da sociedade.
Trouxe do “cativeiro,” como ele mesmo designa o tempo em que foi
numerário, muitas seqüelas na mente e na alma.
Quando
pediu seu desligamento, seus superiores o demonstraram grande frieza,
tratando-o como um traidor, o que o fez definir a organização como
uma seita que usa seus membros como ferramentas descartáveis. De
certa forma, o que vemos nas entidades religiosas de hoje, pode
servir de ponta para uma analogia, onde o Opus Dei usa de recursos
sutis, mas eficientes de dominação.

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