Foto: Banco de imagens do Google
Quando a gente é criança, tende a ouvir determinadas palavras, ou termos e interpretá-los ao pé da letra. A primeira vez que ouvi o termo ''chá de bebê'', achei que iam pegar a água da banheira e fazer chá, rsrsrsrs... Sei lá, algum tipo de simpatia...
Um dia minha mãe me disse que a Quarta-feira de cinzas acontece depois do carnaval. Quarta-feira "de cinzas"? A ideia que me vem na cabeça até hoje é um gari varrendo toda aquela bagunça de confetes, serpentinas e todo o lixo que as pessoas jogam na rua... Junta tudo num canto e toca fogo... Daí as cinzas... Essa imagem mental se afirmou em minha mente de tal forma, que quando imagino o fim de algo, não consigo dissociar da questão de queimar e transformar em cinzas...
Quando eu era criança, sentia uma espécie de entusiasmo com a proximidade do final do ano. Apesar da infância pobre, minha mãe sempre fazia algo especial. Assava frango, fazia salada de batatas. Alguns amigos vinham comemorar com a gente. Era uma época em que o meu inferno doméstico de certa forma dava uma trégua... Eram os poucos momentos em que me sentia Feliz de verdade. Não era somente por causa da comida, mas pela reunião, pela alegria dos risos espontâneos e por saber que apesar de tudo, estávamos comemorando o nascimento de Jesus. Eu agradecia a Ele por tudo aquilo de bom, mesmo que por alguns dias... Imaginei que depois de adulto, apesar de toda a luta, ao menos a alegria de comemorar o Natal e o Ano Novo eu teria... Ledo engano. As vezes acho que não sou dono do meu destino. Conto nos dedos as poucas vezes que comemorei alguma coisa. Até certo ponto da minha vida eu me conformava, visto que trabalhava e sonhava com dias melhores. Hoje percebo que remei muito e me privar de algumas dessas alegrias não valeu a pena. As pessoas talvez nunca saberão o quanto esse tipo de coisa é importante para mim. Hoje até eu mesmo me incomodo com a minha apatia diante da vida, sabe por quê? Por que percebi que até uns poucos meses atrás eu trabalhei muito, mas não fui reconhecido. Fiz muitos sacrifícios, mas parece que as coisas passaram a não mais valer a pena. Parece que eu estou somente trocando seis por meia-dúzia e empurrando a minha vida ano após ano nesse país que se tornou a minha segunda pátria, mas que não me deixa Feliz. Agradeço muito a Deus pela chance de vir para cá e ter tido condições de construir a minha vida, mas vejo que a cada dia, eu estou morrendo por dentro, mas ninguém está nem aí. Na verdade cansei de servir de instrumento nas mãos de todo mundo. Ontem ouvi algo sobre mim que me deixou muito chateado:
"O Denis não ajuda as pessoas por que ele é bom, mas porque o ego dele precisa de aplausos..."
Na verdade, eu fico chateado, mas já não me decepciono com mais ninguém. Esses ano, ouvi tanta merda que a cota de sandices vindas de outrem já extrapolou.
Já faz dois dias que o Natal passou. Hoje é o meu último dia de trabalho na Belltech neste ano. Como nos anos anteriores, meu Natal foi uma bosta, e a previsão para o Ano Novo parece que não será diferente. Não fosse a empresa me dar um bolo de final de ano, o meu Natal teria passado em branco. Tudo bem, vou lutar e esperar por dias melhores. Quero me programar para ir embora em definitivo no primeiro semestre do ano que vem, se Deus me ajudar. No momento, só me resta varrer as cinzas do Natal.

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