Foto: Banco de imagens do Google
Eu tinha um amigo que ia para a escola todos os dias pelo mesmo caminho. A certo ponto do trajeto, havia uma casa com portões de grade com um cachorro muito bravo. Ele provocava o cachorro todos os dias. Parava, acenava para o cachorro, colocava a mão próximo à grade numa distância que o animal não alcançasse. Irritava o bicho até deixá-lo babando de raiva. Não sei qual dos dois era o mais animal. O meu amigo com certeza era o que tinha a atitude mais idiota. Todas as vezes que ele passava, parece que o cachorro já o estava esperando, para latir e ser provocado. Só de ver o meu amigo, o cachorro se transformava. Pois bem, um dia, acho que a dona do cachorro já estava de saco cheio daquela situação e deve ter deixado o portão encostado, mas não fechado. Pode ter sido apenas um "descuido". Quando meu amigo se aproximou para sua "diversão" diária, o cachorro correu para o portão semi aberto e avançou nas pernas do meu amigo. Deu várias mordidas e, por sorte a dona chegou e puxou o cachorro para dentro. A calça foi rasgada pelos dentes do cachorro e haviam sinais de belas mordidas. Meu amigo fez um grande escândalo e disse que iria processar a dona do cachorro e que ela iria ter que pagar-lhe uma calça nova. Onde já se viu, deixar um cachorro bravo solto!!! A dona, pacientemente se desculpou e mostrou o comprovante de vacina do cachorro. O assunto se encerrou por ali e meu amigo nunca mais passou em frente ao tal portão. Se eu fosse um juiz, com certeza daria ganho de causa para o cachorro, visto que era uma fúria acumulada de tantos meses de provocação. O cachorro foi o mais inocente e a maior vítima naquela história toda.
Quando eu morava na chácara, sempre comíamos juntos... Eu e meus irmãos. Não ligava para os peidos do meu pai, nem para o jeito barulhento de comer do Seu Arnaldo, o primo do meu pai que morava com a gente. Só havia uma coisa que me incomodava muito: Nunca gostei de arrotos à mesa. Tenho uma sensação horrível quando alguém arrota na mesa. A impressão que tenho é que a pessoa está vomitando gases gástricos sobre a comida que estamos comendo. Meu irmão Toninho sempre teve essa mania idiota de arrotar à mesa. Não sei se era para me provocar, pois sabia que eu não suportava esse tipo de coisa... "Cara eu não posso ficar segurando um arroto. Faz mal. É uma coisa tão natural..." E dava um sorriso cínico. Muitas vezes me desentendi com ele por causa disso. O engraçado é que ele não fazia esse tipo de coisa na frente dos meus pais.
Os anos se passaram e tivemos que morar juntos no Japão. Na época, aconteceu uma coisa muito desagradável, que ele conta como se eu fosse a pessoa mais estúpida do mundo, mas existem coisas que tem duas versões. Antes de alguém se doer por causa das minhas reações explosivas, avaliem a minha versão também.
Trabalhávamos numa empresa chamada Yutaka Denshi. Ele fazia umas duas horas extras. Ia embora cedo e conseguia descansar relativamente bem. Eu fazia de três a seis horas extras na época e voltava para casa só o bagaço. Só dava para jantar, tomar banho e dormir para tentar descansar, pois a jornada se repetia no dia seguinte. Quando estou muito cansado, geralmente acordo calado e de mal humor. Odeio aquelas perguntas idiotas: "Que cara é essa? Parece que não dormiu bem... Por quê você não fala? O gato comeu a sua língua? Quando não estou bem, ou não gosto de uma situação, pela minha cara já dá para perceber...
Sentamos e começamos a comer. Em dado momento ele deu um arroto bem sonoro, seguido daquele riso cínico. Não aguentei... Surtei... Tive uma reação explosiva. Joguei a tigela de comida nele, chutei a cadeira e virei a mesa... Naquele dia entramos no meu carro (ele ia trabalhar de carona comigo) sem trocar uma palavra. Fui trabalhar com fome. Tal qual o cachorro, as vezes me sinto como uma bomba relógio, mas as pessoas vivem testando a minha paciência.

Ele agiu mal, você, não. Tente não se sentir culpado. Você apenas repetiu o que Jesus fez com aqueles que comercializavam nas portas do Templo. Então, resumindo o comentário, ao menos uma vez na vida todos nós temos esse tipo de reação.
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