Foto: Banco de imagens do Google
Lembro-me que certa vez, quando criança, perguntei para minha mãe se eu poderia ajudar um colega na arrumação do quintal da casa onde ele morava. Minha mãe em sua sabedoria foi categórica: "Não sou contra você ajudar o seu amigo, mas você já arrumou o seu quarto?" Foi uma pequena pergunta que me trouxe uma grande lição: Antes de varrer a casa do vizinho, arrume a sua primeiro.
Olhando o Brasil aqui de fora, vejo tão distante o objetivo de atrair investimentos para o país... Parece que o governo quer "fazer festa com o chapéu alheio" e quem paga a conta é o povo... O Brasil tem tantas deficiências não resolvidas, tantas mazelas crônicas que a gente se questiona se era necessário mandar dinheiro para Cuba... A gente se questiona se existe a necessidade de gastar somas absurdamente altas de dinheiro na construção de estádios de futebol... Não sou brizolista, mas me lembro que o projeto do sambódromo do Rio não só foi concluído em um prazo curto, como também barateou o custo do carnaval e ainda serve de escola durante o ano letivo. E os estádios? Vão beneficiar quem? Por que ficam tão caros? Parece que a "presidenta" (que distorção ridícula da palavra) está mais preocupada em realizar a melhor copa do mundo de todos os tempos, do que ser a melhor presidente de todos os tempos... A que preço? O dinheiro desperdiçado nessas obras faraônicas faz falta na saúde, na educação, na segurança, no saneamento básico e no bem-estar social.
Hoje no Japão é dia 13 de Fevereiro. Amanhã é o Valentine's day. Uma espécie de dia dos namorados, quando as meninas dão chocolates para os rapazes nos quais estão interessadas, ou simplesmente para mostrar aos colegas a sua consideração, ou simpatia. O dia dos rapazes retribuírem a gentileza é no dia 14 de Março, chamado de White day.
Não sei porque, mas hoje as 5 horas da manhã acordei e não consegui mais dormir. Uma onda de lembranças ruins povoaram a minha mente e me deixaram irrequieto. Todo ano é assim. Quando se aproxima o Valentine's day, minha mente se enche de lembranças amargas. Incrível como as pessoas que menos cumprem suas obrigações são as que mais exigem seus direitos. São as que mais cobram dos outros.
Quando estive no Japão pela primeira vez, no início da década de 90, eu fazia das tripas coração para ajudar a minha família e ainda ter como sobreviver no Japão e economizar dinheiro para construir minha vida. Lembro-me que minha mãe ficou muito doente e eu tinha que mandar dinheiro para comprar remédios e custear tratamentos. Nos feriados eu avisava que não ia poder mandar dinheiro, pois o salário vinha mais baixo, mas no mês seguinte sempre enviava o dinheiro. Recebi uma carta desaforada do meu pseudo-irmão Toninho me dizendo coisas horríveis como: "pô cara, a mãe está muito doente... Vê se olha mais pela nossa mãe..." Ele nem imagina o sacrifício que eu fiz para ajudar todo mundo... Engoli aquelas palavras e me limitei a continuar lutando. Ele sempre me dizia: " a situação está difícil..."
Mandar cartas desaforadas cobrando atitudes dos outros parece que é bem a especialidade dele... Certa vez, ele mandou uma carta para minha avó dizendo desaforos do tipo: "ela (minha mãe) é sua filha... Vocês tem que nos ajudar... se a senhora não ajudá-la é porque não tem coração e nem merece ser chamada de mãe, pois uma verdadeira mãe não vira as costas para seus filhos..." Ele nem sabia dos problemas da minha avó... Ele nem sabia da situação das pessoas para julgá-las e cobrar-lhes alguma coisa... Minha avó passou muito mal por causa dessa maldita carta.
Quando voltei ao Brasil, meu pai me disse: "o Toninho ajuda um pouco em casa, dá os vales refeição para a gente, mas não abre mão de estar sempre bem arrumado. Vai para a balada e gosta de estar sempre perfumado...
Confesso que me decepcionei com o quadro... Será então que as cobranças por atitudes efetivas de ajudar a família só recaíam sobre mim???
Pouco antes de minha mãe falecer ela estava muito doente. Na época o Toninho era o único que podia ficar com meu pai para ajudar a cuidar dela. Pedimos-lhe para cuidar dela, ao menos por um tempo até que eu, ou outra pessoa pudesse ir ao Rio Grande do Sul ficar com ela...
" todo mundo foi fazer a vida... eu é que não vou ficar aqui cuidando dela..." Essa foi a resposta que escutei dele... No mês seguinte minha mãe faleceu. A pessoa que deu a notícia do falecimento para ele descreveu sua reação: "nossa, o moleque parece que enloqueceu..."
As palavras do Toninho, segundo essa pessoa foram: "minha mãe morreu... o que o meu pai vai dizer?"
O fato de minha mãe ter morrido não o preocupava tanto quanto o que meu pai pensava a respeito dele...
Hoje analiso tudo o que se passou e só consigo sentir tristeza e indignação.
Quando minha mãe era viva, eu trabalhava e economizava para fazer a minha vida e ajudar minha mãe. Saía e me divertia com moderação e não conseguia dormir em Paz sabendo que ela estava passando por dificuldades. Para mim, era inaceitável desperdiçar dinheiro se minha mãe não estivesse bem.
Quando o Toninho veio para o Japão, no começo chorava todos os dias por causa dos filhos... Não sei se era uma maneira de me manipular, pois ele sabia que eu tinha muita afeição pelos filhos dele. Passado um tempo, suas atitudes mudaram drasticamente. Passou a sair, ir para baladas da comunidade, tomava bebidas de luxo como vinhos importados e salames finos. Fazia altos passeios e postava as fotos no Facebook para quem quisesse ver...
Tudo isso seria absolutamente normal se os filhos dele não estivessem passando necessidade no Brasil.
Eu me enganei, quando achei que com a minha ajuda ele cuidaria dos filhos... Ele abandonou a própria mãe... Foi um erro achar que ele olharia pela filha que trouxemos do Brasil e que ele deixou ir embora.
Fazer pose de bom pai para todo mundo ver é fácil... Chorar lágrimas de crocodilo para impressionar as pessoas também... Cobrar os outros é mais fácil ainda... Difícil é fazer de tudo por esse tipo de pessoa e ainda ser traído por ela.
Hoje o Valentine' day para mim é só um dia que eu gostaria de excluir do meu calendário...

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