segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

As boas mulheres da China


"A humanidade já não me supreende..." Poucas pessoas podem dizer isso e eu definitivamente não sou uma delas. As boas mulheres da China - Vozes escondidas, é uma leitura difícil de digerir, que causa repulsa, indignação e assombramento. Apesar de ser um livro não ficcional, a narrativa é muito bem construída e chega a ser até poética em pontos específicos, mas isso não tira a crueza de tudo o que é relatado na obra.

No livro, Xinran descreve a vida do povo chinês no cenário de um país tomado pela Revolução Cultural, mas não se engane. Esse rótulo é só um nome bonito para designar o apagamento do que o Partido (comunista) chamava de extirpar os costumes burgueses sa sociedade. Pessoas que trabalharam para companhias estrangeiras ou que tivessem algum histórico de contato com elas eram consideradas subversivas e anti-revolucionárias. Intelectuais foram mortos, livros foram queimados e muitas pessoas foram perseguidas, oprimidas e marginalizadas. A imprensa ficalizava tudo oque iria ser veiculado nos meios de comunicação e o Partido censurava o que não fosse conveniente. Nesse ambiente caótico, de profundas transformações, mulheres e crianças se tornavam mais vulneráveis. Não sei porque, mas vejo uma semelhança muito grande com o que aconteceu no Brasil com a ditadura militar.

Por trás de cada relato, uma história de abandono, de violência, de abuso e, invariavelmente, de injustiça. Os relatos colhidos pela autora só puderam ser publicados quando ela resolveu ir para a Inglaterra. Um livro extremamente chocante e o que mais assusta é que todos os relatos aconteceram há poucas décadas. Um dos trechos que mais me sufocaram foi a parte em que a autora visita um vilarejo isolado chamado Colina dos Gritos, onde as pessoas não tem acesso à informação, a água é escassa e as condições de vida, igualmente ao lugar, são precárias e primitivas. Fico me perguntando quantos lugares afastados e atrasados (inclusive no Brasil) ainda devem existir por aí, mundo afora, com pessoas, especialmente mulheres e crianças sendo literalmente usadas como objeto e moeda de troca.

Um livro para ler e perder o sono entre reflexões perturbadoras. Recomendo a leitura somente para pessoas analíticas e que não sejam muito sensíveis a todo e qualquer tipo de violência.


 

Setembro, quando estivemos aqui


Em visita a São Paulo, passei na Loja Monstra, badalada Comic Shop e adquiri Setembro quando estivemos aqui. A obra em questão é uma história em quadrinhos muito bem impressa em formato de livro. Amei a capa e todo o capricho estético em sua produção. O roteiro traz uma vampira oriental, um garoto de rua e um cachorro. O clima sombrio com qual o ilustrador Samuel Bono expressa as cenas dá um tom gótico, mas ao mesmo tempo urbano ao enredo. Os quadros fogem do formato usual causando interesse e incômodo ao leitor. André Freitas criou uma história muito bem estruturada onde o suspense, o terror e a crítica social se encaixam e se harmonizam para trazer desconforto. Li em uma tacada só e tenho que dizer que essa urbanidade me encanta.

Li, gostei e super recomendo!!!

 

Chapa quente


Passeando Por Sampa, visitei a LOJA MONSTRA uma Comic Shop incrível e foi lá onde adquiri Chapa quente, do André Kitagawa. Foi visitando os perfis geek que ouvi falar da loja, da editora e da obra. O interesse foi despertado pela influenciadora @anasuzuuki, do canal Motoca Suzuki no YouTube. O trabalho em si é um compilado em quadrinhos em formato de livro e contém muitas coisas que me atraem como a urbanidade, o ser humano sem máscaras, a hipocrisia da sociedade e uma enxurrada de reflexões que a obra desperta. O autor consegue causar incômodo e desconforto ao mostrar o que existe atrás de cada pessoa sem seus filtros. A arte em si é um show a parte e o autor mostra sua competência transitando entre diversos estilos de traçado, especialmente no preto e branco.

Li, gostei e super recomendo!!!


 

A morta apaixonada


A morta apaixonada, gente… que amostra extraordinária do romantismo gótico!!! Um conto com uma vampira linda, sensual, amável e sedutora. Théophile Gautier coloca um padre entre a obediência aos votos rígidos de castidade e a paixão avassaladora por Clarimonde. É a situação clássica onde desejo, paixão e loucura se misturam e jogam o protagonista num redemoinho de acontecimentos. Amei as descrições de como o relacionamento entre o padre e a cortesã se consuma, assim como toda a narrativa surreal, absurdamente bizarra e, ao mesmo poética se desenrola. Clarimonde não é bem a imagem da vampira cruel e sanguinária, mas uma criatura lindamente apaixonada e apaixonante. Alimenta-se do seu amado, mas zelando para que não se deixe suga-lo além do necessário. É uma linguagem de amor que extrapola os limites da normalidade, mas vai muito além da narrativa macabra, pois é uma relação de reciprocidade e de entrega. Ele, mesmo sabendo que sua amada suga sua força vital de maneira velada e cuidadosa, chega a declarar para si mesmo que daria tudo de si, toda a sua seiva vital se ela assim o desejasse. Mesmo sabendo que é uma história de amor fadada a um fim trágico, me vi torcendo para que o casal apaixonado conseguisse ter ao menos algumas porções de felicidade.

Apesar do prefácio demasiadamente longo, o que aumenta a ansiedade de entrar logo no plot em si, o livro em questão vale muito a pena pelo texto poético maravilhoso, pelas ilustrações fantásticas e pelas notas de rodapé.

Li, gostei (muito) e super recomendo para aqueles que apreciam textos vampirescos.


 

Geraldão


Livro que traz um compilado de personagens do cartunista Glauco (10/03/1957-12/03/2010). A obra em questão foca em Geraldão, mas traz também o Casal Neuras, Zé do Apocalipse, Doy Jorge e Dona Marta.

Os personagens apareceram em tirinhas de jornal, mas as piadas mais pesadas foram publicadas em revistas próprias e deixaram saudades nas pessoas que leram os quadrinhos loucos dos anos 80. Geraldão é um jovem adulto com complexo de Édipo e vive assediando a mãe, o que gera situações picantes, absurdas e muito cômicas. Adulto, desempregado e sem objetivos na vida, o quadrinho é uma crítica alegórica aos adultos inúteis que dependem dos pais para tudo.

O casal Neuras mostra o cotidiano de pessoas dominadas por ciúmes num mundo onde a pegação corre solta. Ambos não são confiáveis, assim como ambos buscam a traição, mas morrem de medo de serem traídos.

Zé do Apocalipse é uma sátira àquelas pessoas que acreditam firmemente em alguma teoria absurda e ficam presos a ela, mesmo que, no fundo, tenham consciência de que podem estar errados. É como alguém que se prende a um objetivo inútil por não estar disposto a encarar a realidade de vida.

Doy Jorge é um viciado que começa com maconha, pula para a cocaína e quando percebe, está escravizado por drogas injetáveis. O quadrinho mostra como a droga destrói a vontade, o raciocínio e a produtividade de um ser humano reduzindo-o a um peso para a sociedade. Mais do que uma sátira, o quadrinho é uma crítica e um alerta, usando como pano de fundo a vida louca dos artistas da música Pop.

Dona Marta conta a história de uma mulher que foi reprimida na infãncia e adolescência e quando se deu conta, o tempo tinha passado, ela estava na casa dos 50 anos e ainda não tinha conhecido o sexo. Sua busca por perder a virgindade a qualquer custo gera cenas muito hilárias, bem aos moldes do humor anos 70 e 80.

A obra traz várias facetas da vida do cartunista e sua relação profissional com outros artistas de seu tempo. Também traz muitas críticas e cita políticos da época como José Sarney, Franco Montoro, Orestes Quércia e Ulisses Guimarães. A velha guarda em especial vai apreciar muito o material especialemnte por causa do tipo de humor ácido e esculachado.

Li, gostei e super recomendo!


 

Histórias extraordinárias de Edgar Allan Poe


Edgar Allan Poe foi e é indiscutivelmente um gênio. Contista habilidoso, suas histórias perturbam, chocam e prendem o público até os dias de hoje e ele continua conquistando novas gerações de leitores. Na obra em questão, figuram os contos A máscara da morte vermelha, O coração revelador, O gato preto e O retrato oval. Confesso que já tinha lido esses contos anteriormente, mas o livro em questão traz não só um texto gostoso de ler, como as tantas ilustrações maravilhosas do desenhista argentino Poly Bernatene, o que dá uma dimensão mais densa e saborosa à narrativa. Li, de novo, rsrsrs, gostei e recomendo!!!
 

Educação



Acho que quando um determinado grupo ganha a fama de ser o devorador de oportunidades no mercado, isso muito tem a ver com um longo processo de esforço cultivado por gerações. Um exemplo disso é quando um decendente de orientais passa em vestibulares concorridos ou abocanha boas oportunidades no mercado. A jovem autora, uma nikkei advinda do interior de São Paulo nos mostra que, mais do que ser descendente de japoneses, o fator primordial para o sucesso e a conquista de sonhos é a discplina, o esforço abnegado e a somatórias de mecanismos mentais que transformam dificuldades em desafios e desafios em testes de autoresiliência. Stephanie Matsubara evidencia que, mesmo tendo todo o suporte da família, agarrar as oportunidades e lutar pelos seus sonhos deve ser papel do protagonista da sua própria história. Se você não estiver disposto a abdicar de diversão e frivolidades para alcançar uma meta, ninguém o fará por você! Com uma linguagem acessível, a autora faz um background de seu próprio histórico educativo e salienta que o apoio familiar, a arte, o esporte, a música e os livros formam uma base educacional consistente e prepara o indivíduo para os desafios da vida adulta. O livro em si é uma ode à educação no sentido mais amplo da palavra e eu o indicaria tanto para jovens em idade escolar, quanto para pais que se encontram em dúvidas sobre que caminho devem seguir com relação à educação de seus filhos.

EducAÇÃO é um livro simplismente isnpirador e tenho certeza que pode acrescentar muito na vida de todas as pessoas que estão lutando por seus objetivos.

Li, gostei muito e super recomendo!


Link do ebook na amazon: https://www.amazon.com.br/EducA%C3%87%C3%83O-Stephanie-Matsubara-ebook/dp/B0DZPG6395

 

Japoneses, deuses e mitos


Não dá para falar do livro sem falar da autora que, está ligada à obra de maneira indissociável. Yei Theodora Ozaki, filha de um Barão japonês com uma cidadã britânica, nasceu na Inglaterra e teve um contato muito forte com a cultura japonesa durante sua estadia por alguns anos no Japão. De seu contato com os vários contos do folclore japonês, surgiu um compilado de histórias conhecidas hoje por contos de fadas japoneses e que foi traduzido para muitas línguas desde sua primeira publicação no início dos anos 1900. O grande atrativo da obra, além de nos apresentar um pouco da cultura japonesa é o fato de a autora transcrever as narrativas ao estilo dos contos de fadas europeus. Toda a estrutura dos textos e a forma como os temas foram abordados sinalizam um olhar estrangeiro sobre contos que foram criados e passados de geração em geração pelo povo japonês. Apesar do tom das narrativas apontar especialmente para jovens e crianças, me encantei com os textos e o tom moral e educativo que permeia todo o trabalho. A Editora Pandorga em conjunto com o grupo Boralê está de parabéns pelo excelente trabalho editorial. As notas de rodapé enriquecem a obra e situam o leitor dentro de todo o contexto. O prefácio fala sobre a autora e tais informações são muito pertinentes, já que nota-se uma influência ocidental muito forte no texto. Todo o trabalho gráfico, as ilustrações e elementos decorativos embelezam o livro e convidam o leitor à imersão. Um livro de capa dura com acabamento incrível a um preço muito acessível (paguei apenas 25 Reais no meu exemplar na Livraria).

*nota: O valor especificado na descrição se refere ao box Mitologia, pois a livro faz parte de uma coleção que inclui os títulos Gregos, Nórdicos, Japoneses e Celtas.

LI, gostei (muito) e recomendo!!!


 

Levi e Elas


 

Levi e elas traz uma história que acontece em toda época, em todos os lugares e, certamente, acontece mais perto do que pensamos. Levi, um jovem ali na casa dos vinte e poucos anos se vê cercado por sua esposa, com a qual tem um relacionamento que ele mesmo classifica como morno, Lucy, sua chefe, Estela, a melhor amiga da chefe, e Olívia, a chefe geral da empresa na América Latina... Mulheres fortes e poderosas que são atraídas pelo charme cafajeste de Levi. Como homem, compreendi as atitudes imaturas do protagonista, mas me dói o coração saber que muitos homens passam a vida inteira agindo como Levi, usando e manipulando as mulheres, oferecendo migalhas de si e criando nelas a esperança de um dia poderem ser agraciadas com a notícia de que ele largará a esposa e o filho para assumir um relacionamento com a amante. O livro desperta reflexões sobre machismo, sobre a hipocrisia da sociedade, sobre a castidade no casamento e sobre como homens e mulheres podem ser cruéis, lascivos e passionais. Lucy foi, de longe, a personagem que mais me fez passar raiva. Ela se deixar manipular por Levi, assim como sente por ele um amor platônico que ele finge corresponder. Vive a eterna espera da amante e parece ter colocado o alvo de sua paixão no centro de sua vida. Passa a história toda correndo atrás dele, rastejando, quase implorando para que ele lhe dê uma chance. O que me entristece é saber que realmente existem muitas mulheres assim, tão apaixonadas a ponto de abdicar do amor próprio em nome de uma ilusão. Jair de Sousa e Silva, o autor tem um estilo muito próprio, desenrolando toda a trama através de diálogos dinâmicos sem que precise explicar muito as coisas que estão acontecendo.

Adquiri a versão física do livro na Letras Virtuais Editora:

https://letrasvirtuais.com.br/levi--elas/p

Batman, Ano Um

 


 Batman, Ano Um é um clássico e, como ouvi boas avaliações sobre a obra, resolvi adquirir. Comprei o meu exemplar na Loja Monstra https://lojamonstra.com.br/

A bem da verdade, não sou adepto do colecionismo, mas acho que livros que viram clássicos e são encadernados em capa dura com versões de luxo são muito atraentes, apesar do preço. O roteirista Frank Miller mandou muito bem no desenvolvimento da história que pretendia trazer ao público uma versão definitiva (para a época) das origens do homem morcego. Corrupção e política permeiam a obra e o tom sombrio deixa o enredo bem detetivesco. Um ponto que me decepcionou um pouco foi a arte. Acho que esse trabalho merecia uma arte final mais rebuscada tanto em detalhes quanto em cores, mas levando-se em conta que David Mazzucchelli trabalhou na obra no ano de 1986, dá para perdoar, mas ainda assim, crio certa expectativa para que uma nova versão, com a arte mais caprichada seja produzida.

A obra em si realmente vale a pena pelo enredo, pelo projeto gráfico e por não exigir conhecimento prévio do vasto Universo do Batman, o que indica que é uma boa porta de entrada para quem quer acompanhar o icônico Justiceiro de Gothan em suas rondas noturna de combate ao crime.

Li, gostei com algumas ressalvas e recomendo.


Jornada de Conexão

 



Quando conheci Joziane Matsushima, adquiri de suas mão esse livro do qual vos falo neste momento. Para mim, livros da categoria de autoajuda costumam ser um pouco indigestos, mas confesso que a obra me surpreendeu por uma série de fatores. Com uma linguagem acessível e texto fluido, a terapeuta nos mostra de maneira muito prática as prováveis raízes dos conflitos interpessoais, muitos dos quais se originam ainda na infância. De maneira muito amigável e convidativa, Jozi aborda as situações complicadas que muitos de nós ja vivemos em algum ponto da vida e, com os quais, muitas pessoas convivem por anos, ou de maneira permanente, pespecialmente as mulheres. Tal quadro gera insatisfação, angústia e infelicidade. Jozi nos aponta caminhos e sugere ferramentas para que possamos nos orientar dentro dos turbilhões de sentimentos humanos. Com bom humor e racionalidade, a terapeuta nos fala de temas pesados, mas com a leveza de uma profissional experiente. Não tenho ilusões de que hajam fórmulas mágicas para a solução de problemas psicoemocionais, mas vejo na obra uma boa intenção e um bom começo, talvez um norte para que se dê um primeiro passo em direção à boa convivência e interação com as pessoas à nossa volta. Quem sabe um passo em direção a algum tipo de cura. A própria autora adverte que o campo das pesquisas e do tratamento emocional é muito vasto e que o livro em questão, apesar de abordar tópicos relevantes, ainda não abrange boa parte do que ela desejaria explicar e, em suas palavras, procurar um terapeuta é sempre aconselhável.

Jornada de Conexão é um livro produzido com muito capricho e carinho e isso se reflete não somente no conteúdo, mas também em toda a produção com papel de alta qualidade, o que permitiu a inserção de fotos e ilustrações coloridas que complementam a escrita. Todos esses aspectos fizeram com que me sentisse abraçado, tanto pelas palavras da autora, quanto pelo próprio livro que guardarei com muito carinho para revisitar no futuro.

Li, gostei e recomendo!!!

Caso alguém se interesse pela obra, entre em contato com a autora:

Facebook https://www.facebook.com/jozi.almeida?locale=pt_BR Jozi Matsushina

Instagram https://www.instagram.com/joziterapia/ @joziterapia