A morta apaixonada, gente… que amostra extraordinária do romantismo gótico!!! Um conto com uma vampira linda, sensual, amável e sedutora. Théophile Gautier coloca um padre entre a obediência aos votos rígidos de castidade e a paixão avassaladora por Clarimonde. É a situação clássica onde desejo, paixão e loucura se misturam e jogam o protagonista num redemoinho de acontecimentos. Amei as descrições de como o relacionamento entre o padre e a cortesã se consuma, assim como toda a narrativa surreal, absurdamente bizarra e, ao mesmo poética se desenrola. Clarimonde não é bem a imagem da vampira cruel e sanguinária, mas uma criatura lindamente apaixonada e apaixonante. Alimenta-se do seu amado, mas zelando para que não se deixe suga-lo além do necessário. É uma linguagem de amor que extrapola os limites da normalidade, mas vai muito além da narrativa macabra, pois é uma relação de reciprocidade e de entrega. Ele, mesmo sabendo que sua amada suga sua força vital de maneira velada e cuidadosa, chega a declarar para si mesmo que daria tudo de si, toda a sua seiva vital se ela assim o desejasse. Mesmo sabendo que é uma história de amor fadada a um fim trágico, me vi torcendo para que o casal apaixonado conseguisse ter ao menos algumas porções de felicidade.
Apesar do prefácio demasiadamente longo, o que aumenta a ansiedade de entrar logo no plot em si, o livro em questão vale muito a pena pelo texto poético maravilhoso, pelas ilustrações fantásticas e pelas notas de rodapé.
Li, gostei (muito) e super recomendo para aqueles que apreciam textos vampirescos.

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