terça-feira, 19 de março de 2013

O Brasil do século XXI e o papel “higiênico”

Foto: Banco de Imagens do Google

Transcrevo abaixo uma questão que enviei para a Revista Alternativa (da qual sou muito fã), mas que infelizmente ainda não obtive resposta. 
Observação: no título, as aspas na palavra higiênico foram colocadas propósito.

Olá pessoal da Alternativa.

Moro uns vinte anos no Japão, mas periodicamente volto ao Brasil para visitar familiares e
resolver assuntos que ficam pendentes devido a minha ausência.
Sou fã da revista e sempre que posso, leio ao menos as colunas mensais.
Noto que o Brasil tem obtido um crescimento muito grande nestes últimos anos e que muitas tecnologias
que antes demoravam para chegar, agora chegam poucos meses depois. A globalização trouxe grandes avanços 
na parte de tecnologia, comunicação e medicina, mas tenho uma questão simples e que não consigo achar resposta.
Gostaria que as colunistas Priscila Hayashi e Fátima C. Cardoso, pelas quais tenho muito respeito, expressassem suas opiniões...
Por que o Brasil do século XXI, na condição de país gerador de riquezas e de capital ainda usa o papel higiênico
de jogar na cestinha, ao invés de usar o do tipo solúvel que vai junto com a descarga? Custos e falta de Know-how
talvez não sirvam como desculpa, visto que temos (apesar de toda miséria) uma classe C acendente e muitas pessoas 
de classe média que consumiriam tal produto, que ao meu ver, é muito mais prático e higiênico.

No aguardo de vossa resposta, desde já agradeço.
Atenciosamente,
Denis Jum Nishimura.


domingo, 10 de março de 2013

Os brasileiros, dois anos depois da tragédia


Mesmo no meio de tanta tragédia... Mesmo diante de tanta dor... Nós continuamos firmes, retomamos nossas vidas e lutamos ao lado daqueles que enfrentaram as perdas e até a morte. Cada pensamento, cada oração, cada doação, cada gesto... Por pequenos que fossem, somaram-se ao todo e geraram alívio para aqueles que estavam desesperados. Somos uma Nação dentro de outra Nação... Nós moramos aqui e mostramos que, além da camisa verde-amarela, nós vestimos branco e vermelho... Temos sensibilidade para sentir a dor do outro e encontramos força para sorrir, mesmo quando temos que chorar... Sabe por que??? POR QUE SOMOS BRASILEIROS E NÃO DESISTIMOS NUNCA!!!
Hoje nós brasileiros nos juntaremos ao povo deste país para um momento de respeito, memória e oração.
GANBARE NIPPON!!!

Ainda me lembro que alguns meses depois da tragédia eu estava passando no shopping e um japonês meio de idade apontou para mim e para a minha sobrinha e disse em voz alta: “Vocês brasileiros são safados mesmo heim... Olha, eles vão lá para o local da tragédia saquear as coisas e roubar peças para carro...”  Felizmente eu não fiquei sabendo desse tipo de notícia, mas se aconteceu, foram casos raros e isolados. Fiquei chateado com aquele velho apontando para mim e me chamando de ladrão e safado, mas preferi ficar calado. Já tínhamos tragédia o suficiente para me estressar com um idiota preconceituoso. A coisa que mais me incomodou na verdade, foi a falta de reconhecimento das atividades de ajuda feitas por voluntários brasileiros. A imprensa daqui não divulgou quase nada. O mais importante, no entanto, foi que, pude constatar que ainda podemos acreditar no ser humano... Que existe algo de bom em nós...


terça-feira, 5 de março de 2013

Os contos e os vigários


Aproveitando alguns trabalhos que estou fazendo para a faculdade, vou postar aqui a análise do título que acabei de ler. Quem se interessar pelo livro, posso emprestá-lo.

Atividade Cultural: Leitura
Obra: Os contos e os vigários – Uma história da trapaça no Brasil. Editora Leya, 2010.
Autor: José Augusto Dias Júnior

Seguindo uma velha máxima popular, é preciso conhecer o mal para que não se pereça desse mal. Com base nessa afirmativa, conhecer as ações dos vigaristas e como eles atuam é de grande utilidade, visto que cresce a cada dia o número de pessoas que são vítimas dos mais variados tipos de golpes. O autor nos traz com grande riqueza de detalhes, não somente a descrição dos embustes que foram e, que ainda são praticados, mas explica todo o contexto dentro do qual os vigaristas agiam.
Invariavelmente, haviam alguns ingredientes que faziam com que o golpe fosse aplicado com sucesso:
-As carências que o país atravessava em determinada época.
Aproveitando-se das mazelas do país, o golpista oferecia algum tipo de negócio vantajoso para driblar as dificuldades e trazer algum tipo de benefício à vítima em potencial.
-A vontade da potencial vítima de concordar em participar de uma negociação ilícita, ou a vontade desta de tirar vantagem sobre uma determinada situação.
-A técnica usada para pesuadir a vítima. Performance cenica, recursos oratórios e grande conhecimento de vários tópicos acerca do assunto usado no estratagema.

Na obra, José Augusto Dias Júnior nos desvenda vários golpes, suas origens, desde os primeiros registros na Europa e Estados Unidos e sua posterior proliferação no Brasil. O autor traz ainda um grande volume de referências históricas que foram registrados em jornais e revistas de época, além de transcrever alguns registros policiais.
Interessante notar que muitos dos golpes que conhecemos hoje, como a célebre pirâmide, tiveram seus primeiros registros na época do Brasil pós império. O livro não se trata de nenhum manual de estelionato, mas de um instrumento útil para a compreensão histórica do nosso país, além de trazer informações muito úteis na prevenção contra a ação de vigaristas. Podemos constatar que muitos dos golpes aplicados hoje, são mera evolução de engodos que eram praticados há muito tempo atrás.
A obra vale a pena pelo alerta que nos traz, pela abundância de referências históricas e pelo seu peso cultural. Li, gostei e recomendo.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Quando menos é mais

Foto: Banco de imagens do Google.

O carnaval já passou e, olhando para o Brasil daqui do Japão não consigo deixar de ser saudosista. Sei que a bagunça, a depravação, o vandalismo e outras tantas coisas que nos vem de “brinde” com o carnaval existem desde que o evento se firmou no Brasil desde lá de trás. A televisão não fala de outra coisa senão do carnaval. Fico feliz com a postura atual das emissoras que encorajam seus jornalistas a botarem a boca no trombone. O carnaval é uma boa época para abafar casos polêmicos e escândalos políticos. A mente das massas está tão entretida com o carnaval que não presta atenção aos assuntos mais relevantes para a sociedade. Antes que os entusiastas me crucifiquem, quero dizer que não sou contra a semana de folga, onde as pessoas podem descansar, fazer reuniões com amigos e parentes. Tomar aquela cervejinha. Curtir uma praia. Fazer churrasco... Enfim, curtir o que a vida nos dá de bom. Fazer bom proveito do feriado de maneira sudável. 
Hoje, os meios de comunicação estão deturpando os valores que até tempos trás ainda tínhamos como referência. O consumismo exagerado transformou as mulheres nas pseudo-musas, onde chama mais atenção que tem mais silicone nos seios e na bunda... Sem contar as pernas exageradamente musculosas. Desculpe quem gosta, mas eu prefiro mulher de verdade. A passarela do samba criou uma tendência ao culto do exagero onde vimos mulheres, desculpem o termo, bizarras... 
Sou a favor sim da estética bem direcionada. Existem mulheres lindíssimas na minha opinião, que tem silicone na medida certa, bumbum malhado e pernas torneadas. Pena que esse conceito ficou para trás. 
Felizmente, uma parte das mulheres ainda cuidam de sua aparência de maneira sóbria.
Mudando de assunto, mas ainda falando em exagero, tenho pensado em como a busca por sofisticação nos deixou escravos dos padrões que vão se estabelecendo com o passar do tempo. Desde muito jovem aprendi a amar o bucólico, a vida no campo e a simplicidade, no entanto, sempre tive aversão à falta de conforto. Gostaria de chegar em um ponto na minha vida onde eu pudesse unir o rústico, o simples, o vintage ao estilo de uma vida prática e confortável. Nesse aspecto, o menos para mim é mais.
Num dado momento, lá atrás eu imaginei que por volta dos 40 anos eu teria conquistado o meu Paraíso na Terra... Hoje não consigo vislumbrar esse Paraíso para tão já... Sinto a vida e o vigor físico se esvaindo a cada ano e não consigo deixar de me frustrar com a idéia de que talvez não alcance o meu tão sonhado Éden sobre a Terra.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A Solidariedade do Brasileiro

Foto: Banco de imagens do Google

Por causa da correria, com o tempo passei a postar em média, uma vez por mês neste modesto blog, mas não consegui ficar calado com a tragédia que aconteceu em Santa Maria-RS. Mais uma vez o brasileiro mostrou a sua solidariedade e produziu um fenômeno dos tempos modernos: Uma comoção generalizada que se espalhou pela internet e ganhou o mundo. 
Isso me fez lembrar da tragédia do último terremoto seguido de tsunami que houve por aqui. Muitos brasileiros se mobilizaram via internet para alastrar informações e mensagens de solidariedade. Muitos brasileiros se mobilizaram de maneira prática para enviar mantimentos, água e roupas para as vítimas. Meu Coração se enche de orgulho quando vejo meus compatriotas dando esses exemplos de solidariedade ao mundo...
No Brasil, apesar de todas as nossas mazelas, em momentos críticos como esse, nosso povo se mostra mais humano, mais solidário e mais caloroso.
Como cidadão que vive fora do Brasil, tenho que expressar o meu respeito pelas famílias e amigos das vítimas e postar as impressões que tenho neste momento. Apesar de não estar totalmente por dentro dos acontecimentos e, acho que ninguém saiba ao certo tudo o que aconteceu no interior da casa noturna, tenho acompanhado as notícias e, como blogueiro, crítico ferrenho da sociedade, tenho que fazer as minhas ressalvas.
Apesar do imenso volume de manifestações de solidariedade, uma minoria de espíritos-de-porco ainda se dão ao trabalho de fazer comentários desnecessários, ou fazer piadas idiotas sobre a tragédia... Repórteres talvez sejam os mais cruéis profissionais em ação. Muitos ainda tem a audácia de fazer aquela famigerada pergunta: “O que o Senhor está sentindo nesse momento?” Sei que em nome da informação, esses profissionais tem que estar nos locais onde as coisas acontecem e informar o telespectador, mas há a necessidade explorar a dor dos que ficam? Imbecis de plantão, desocupados da internet e repórteres parecem tripudiar em cima do sofrimento alheio.
Noto que muita gente está se mobilizando em prol de produzir alguma ajuda de forma consistente. Aqueles que não podem fazer nada, ao menos ajudam na divulgação de informações e nas orações. As circunstâncias nos mostram que as redes sociais como o Facebook podem ser úteis em momentos como esse. Não existem instrumentos ruins. A faca é um instrumento útil, pode ser boa, ou ruim, dependendo da forma como a usamos. Divulgar, ou compartilhar uma informação via Facebook pode parecer uma atitude simples, mas essa mesma informação pode ser decisiva para alguém.
Na hora que acontece uma desgraça, a tendência é buscar um culpado, mas de quem será a culpa? Prenderam o dono da casa noturna. Será ele o culpado? As circunstâncias (e não eu) dizem que em parte, sim, pois houve negligência ao não se observar as regras BÁSICAS de segurança. Que regras? Bem, vamos explicar: 

  • Um recinto que abriga um grande número de pessoas tem  OBRIGATORIAMENTE que ter, além da entrada convencional, outras saídas de emergência.
  • Sistemas e dispositivos anti-incêndio deveriam ser instalados em vários pontos no local e sua manutenção deveria estar em dia. Esse ítem poderia ter controlado o fogo no início.
  • Os funcionários do estabelecimento deveriam estar sempre alertas e treinados para lidar com situações como essa.
Prenderam dois integrantes da banda que estava se apresentando. O fogo foi causado por faíscas durante uma “performance”pirotécnica. A culpa foi deles então? Em partes, visto que não se usa fogo, ou produtos que produzam faíscas em lugares fechados. A impressão que tenho é que faltou bom-senso.
Se a culpa não é toda deles, então de quem é?
Nesse momento, muitos estão cobrando as autoridades para achar um culpado. Temos que tomar cuidado para não jogarmos um bode expiatório na guilhotina. Na verdade, a culpa deverá ser dividida entre a direção da casa noturna, pela negligência e pelos rapazes que iniciaram (acidentalmente) o incêndio. A história todo mundo já conhece: Processo e pena por homicídio culposo (sem intenção), cabendo recurso. Fico me questionando se as autoridades não vão levar parte da culpa, afinal, se tivéssemos normas de segurança para o funcionamento desses estabelecimentos, e mais, se as normas já em vigor fossem devidamente cumpridas mediante fiscalização rígida, talvez essa desgraça não tivesse acontecido.

Mais uma vez, aos familiares e amigos das vítimas, o meu sentimento. 

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.” 


Mateus 11:28



























sábado, 26 de janeiro de 2013

Buscando Forças

Foto: Banco de imagens do Google
Não sou nenhum aficionado pela Bíblia, mas gosto de muitos trechos. Quando era criança, ali pelos 8, ou 9 anos, não me lembro, li a Bíblia do começo ao fim. Evidentemente eu, em tão tenra idade não tinha maturidade suficiente para compreender a profundidade do seu conteúdo. Muita gente usa a Bíblia como um oráculo. Outros a usam como uma diretriz de suas vidas. Para mim, a Bíblia, naquela época me serviu para compreender melhor o mundo que me cercava. As pessoas sempre falavam de passagens bíblicas, ou faziam alguma analogia com alguns trechos. Inicialmente a questão de saber quem foi Jesus e o porque de Ele ser tão citado me despertava um grande interesse. Sem dúvida Jesus foi alguém muito importante. Tinha um grande carisma e muita sabedoria. Sua mensagem de Amor, Fé, Paz e tolerância ecoa até hoje, dois mil e tantos anos depois. Uma pena alguns homens terem distorcido seus ensinamentos e a sua mensagem.
Gosto muito dos célebres Salmos 23 e 91. Tenho passado momentos difíceis e encontro forças no apoio dos Amigos e em palavras que, quero crer, foram inspiradas pelos mensageiros de Deus. 
Viver no Japão é estar inicialmente preso... Voluntariamente... Chegamos aqui pelas nossas pernas, mas com o tempo, percebemos que estar aqui, por vezes é contra nossa própria vontade. A frase acima é um pouco contraditória, mas é o que sinto e, acho que muitos dos meus compatriotas também  sentem. Muitos de nós viemos para o Japão atrás de melhores salários para criar a perspectiva de uma vida melhor lá na frente. Algumas vezes, entra ano, sai ano e parece que remamos muito e não saímos do mesmo lugar. Para economizar dinheiro e criar perspectivas, muitas vezes temos que abrir mão de muita coisa. De estar no Brasil, por exemplo. Para quem tem filhos, economizar é uma missão árdua. As contas chegam todo mês, independentemente de estarmos trabalhando, ou não.
Bem... Trabalho desde os oito anos. Isso mesmo! Desde os oito anos e a minha vida sempre foi baseada em trabalho. Venho de uma família heterogênea de seis pessoas: Meu padrasto, minha mãe, meu irmão mais velho de criação, eu, minha irmã mais nova de criação e meu meio-irmão filho da minha mãe e do meu padrasto. Apesar de todo o trabalho, as coisas em casa sempre foram muito difíceis. Eu sei o quanto é difícil ganhar a vida... Quando minha filha nasceu, eu prometi para mim mesmo que nunca iria faltar nada para ela. A minha vida de trabalho continuou, mas ia chegar um dia em que eu não poderia pagar-lhe bons cursos, e nem uma faculdade. “Eu passaria fome ao seu lado, mas queria que você estivesse aqui comigo...” São lindas palavras para uma pessoa que cresceu dentro do Romantismo. Para mim, que cresci dentro do Realismo a coisa é um pouco diferente. Para minha filha é difícil entender o meu ponto de vista. Ela nunca passou necessidade. Para mim, a vida dura que tive me ensinou que as coisas não caem do céu... Tenho levado muitas pancadas da vida, mas o desprezo de minha filha com relação a mim, talvez tenha sido o golpe mais duro até agora. Talvez um dia, quando ela sair para o mundo e enxergar todo o esforço que fiz, então ela poderá reconhecer que teve um pai que estava distante, mas nunca ausente. Por enquanto quero simplesmente dizer que apesar de toda a tristeza que estou sentindo, de todos os tombos que tenho levado e de todas as dificuldade que tenho enfrentado a escolha de vir para o Japão foi minha, mas permanecer aqui foi fator ditado pelas circunstâncias.

“Mil cairão ao teu lado e dez mil à tua direita, mas tu não será atingido.”
                                                                                            Salmos 91:7

















domingo, 9 de dezembro de 2012

Retrospectiva 2012

Foto: Banco de imagens do Google

Esses dias estávamos em Agosto... Tive muitos problemas de ordem pessoal e quando vi já estava em Dezembro. Gente, desculpem-me mas não tive condições de postar nada em Setembro, Outubro e Novembro... A imagem acima casa bem com a sensação de longa jornada que é essa minha vida de Japão. Vi na internet esses dias alguém perguntando ”como foi o ano de 2012 para você?” Se eu fosse responder de maneira bem sucinta eu diria: Foi foda!!! Desculpem os mais pudicos, mas essa resposta foi a que mais se ajustou ao meu ano de 2012. Não que não tenham acontecido coisas boas, mas aconteceram uma sucessão de coisas não muito boas que ao meu ver, em quantidade, foram incomuns na minha vida.
Sei que a vida de todo mundo é corrida... Também sei que tanto no Brasil, quanto no Japão, em geral as pessoas enfrentam problemas, mas para mim, esse ano foi incomum.
  -Em Janeiro comecei o ano contraindo Influenza... Fiquei alguns dias de molho, com todos aqueles sintomas chatos que uma gripe forte pode causar... 
  -Tive alguns desentendimentos com familiares. Tem um monte de gente querendo se apossar do meu sítio no Brasil, e acho que vou acabar perdendo mesmo... Mas se não houver jeito mesmo, farei uma doação para alguma instituição de caridade. Essas instituições de caridade geralmente possuem advogados ferozes que ganham qualquer causa...
  - Além da loja que toco em Aichi, trabalho fazendo transporte de funcionárias para uma grande empresa: A Belltech. O meu trabalho vai bem, obrigado. Minhas chefes são muito educadas e meu senpai (colega veterano) é muito prestativo comigo. O problema reside em algumas das minhas passageiras que nunca estão satisfeitas com nada... Se ando depressa (note bem que, ninguém exceto aqueles japinhas bem velhinhos andam a 30, ou 40 por hora), algumas passageiras reclamam... Não reclamam diretamente para mim, geralmente ligam no escritório fazendo queixa... Se ando devagar essas mesmas também reclamam... Se ligo o rádio reclamam... Se não ligo, algumas sentem falta... Se ligo o ar condicionado, umas reclamam... Se não ligo, reclamam... Rsrsrs... Vai saber... Bem... Se não consigo agradar a todas, pelo menos tento fazer o meu trabalho o melhor possível... Tenho carinho e respeito por todas elas.
 - Quando retomei meus estudos na Unip, fiquei completamente perdido... Fiquei afastado por um ano e ainda assim, sinto-me meio perdido ainda. A minha sorte é que tenho colegas de turma maravilhosas que sempre me dão um apoio. Procuro retribuir me esforçando o máximo na realização dos trabalhos em grupo. Apesar do prazer que sinto estudando matérias como literatura, Ciências sociais e linguística, conciliar a faculdade com os outros compromissos, por vezes, quase me deixa louco.
  -Nesse ano conheci muita gente... Algumas pessoas que realmente valeram a pena e que acrescentaram muita coisa na minha maneira de ver o mundo. São pessoas que não vivem naquela mentalidade do funcionário de fábrica. Apesar de trabalharem em fábrica, muitas pessoas possuem uma vasta bagagem cultural: Conhecem muitos países, falam outros idiomas, como francês, italiano, inglês e espanhol... Alguns tem formação superior... Eles falam de trabalho, mas o assunto não se restringe ao “eu faço mais peças que você, eu sou o Bam-bam-bam, eu faço muito zangyou, eu tenho muitos anos de Japão...” 
Tem gente que quando conversa nos dá uma aula de vida... Isso me faz lembrar uma citação que ouvi certa vez: “Pessoas vazias me dão sono...”  Pois bem... Ganhei alguns amigos, perdi outros... Alguns não farão falta, outros porém, será uma pena não poder beber mais na fonte de seus conhecimentos...
  -O clima entre Japão e China não andou bem, por causa de umas ilhas próximas a Taiwan. O governo Japonês diz que as ilhas são do Japão. A china reivindica seus direitos sobre o local. Acendeu-se mais uma vez uma velha rivalidade e abriu-se novamente antigas feridas. Esses impasse está afetando a economia por aqui. Já falou-se de crise, de queda nas bolsas, mas ninguém falou de solução.  Esperamos que o panorama econômico melhore já a partir de Março do próximo ano. Aqui no Japão as pessoas andam meio preocupadas. A crise de 2008 deixou muita gente apreensiva. A verdade é que o futuro é incerto e as pessoas não gostam muito desse clima de insegurança.
Falando em segurança, tenho acompanhado as notícias sobre a onda de violência no Brasil e fico preocupado. Ato contínuo... Trabalhamos muito para construir uma vida no Brasil... Mas... Será esse Brasil de violência para o qual estamos tão desejosos de voltar? Nossa Pátria Amada, mas tão maltratada e tão jogada ao descaso pelos nossos governantes... Espero que as autoridades façam alguma coisa para devolver a Paz para as pessoas.
  -Já faz um tempo estou sentindo uma dor terrível nas costas. Tem tempos em que ela acalma, mas tem horas que a dor é insuportável. Fui no massagista... Fui no acupunturista... Bem... Como paliativo para a dor foi muito bom, mas eu queria solução. Fui no Ortopedista e fiz vários exames, incluindo uma Ressonância magnética... Resultado: Hérnia de disco em dois pontos na região lombar. A boa notícia é que segundo o médico, esse tipo de hérnia é bem “comum” e no estado que está pode sarar. Restrições? Não posso pegar peso e nem fazer atividades muito intensas...

Mas nem tudo são pedras no caminho... Esse ano me trouxe novas mudanças: Mudei de casa, agora estou morando mais próximo a loja. A loja também mudou para um local mais amplo onde poderemos atender melhor os nossos clientes. Estou findando mais um semestre da faculdade (agora preciso correr atrás de um estágio)... Minha filha que antes relutava em vir ao Japão, enfim resolveu vir me visitar... Fiquei muito feliz!!! E enfim, a última boa nova: Vou ser pai novamente.