Aproveitando alguns trabalhos que estou fazendo para a faculdade, vou postar aqui a análise do título que acabei de ler. Quem se interessar pelo livro, posso emprestá-lo.
Atividade Cultural:
Leitura
Obra: Os contos e os
vigários – Uma história da trapaça no Brasil. Editora Leya,
2010.
Autor: José Augusto
Dias Júnior
Seguindo uma velha
máxima popular, é preciso conhecer o mal para que não se pereça
desse mal. Com base nessa afirmativa, conhecer as ações dos
vigaristas e como eles atuam é de grande utilidade, visto que cresce
a cada dia o número de pessoas que são vítimas dos mais variados
tipos de golpes. O autor nos traz com grande riqueza de detalhes, não
somente a descrição dos embustes que foram e, que ainda são
praticados, mas explica todo o contexto dentro do qual os vigaristas
agiam.
Invariavelmente,
haviam alguns ingredientes que faziam com que o golpe fosse aplicado
com sucesso:
-As carências que o
país atravessava em determinada época.
Aproveitando-se das
mazelas do país, o golpista oferecia algum tipo de negócio
vantajoso para driblar as dificuldades e trazer algum tipo de
benefício à vítima em potencial.
-A vontade da potencial
vítima de concordar em participar de uma negociação ilícita, ou a
vontade desta de tirar vantagem sobre uma determinada situação.
-A técnica usada para
pesuadir a vítima. Performance cenica, recursos oratórios e grande
conhecimento de vários tópicos acerca do assunto usado no
estratagema.
Na obra, José Augusto
Dias Júnior nos desvenda vários golpes, suas origens, desde os
primeiros registros na Europa e Estados Unidos e sua posterior
proliferação no Brasil. O autor traz ainda um grande volume de
referências históricas que foram registrados em jornais e revistas
de época, além de transcrever alguns registros policiais.
Interessante notar que
muitos dos golpes que conhecemos hoje, como a célebre pirâmide,
tiveram seus primeiros registros na época do Brasil pós império. O
livro não se trata de nenhum manual de estelionato, mas de um
instrumento útil para a compreensão histórica do nosso país, além
de trazer informações muito úteis na prevenção contra a ação
de vigaristas. Podemos constatar que muitos dos golpes aplicados
hoje, são mera evolução de engodos que eram praticados há muito
tempo atrás.
A obra vale a pena
pelo alerta que nos traz, pela abundância de referências históricas
e pelo seu peso cultural. Li, gostei e recomendo.

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