terça-feira, 5 de março de 2013

Os contos e os vigários


Aproveitando alguns trabalhos que estou fazendo para a faculdade, vou postar aqui a análise do título que acabei de ler. Quem se interessar pelo livro, posso emprestá-lo.

Atividade Cultural: Leitura
Obra: Os contos e os vigários – Uma história da trapaça no Brasil. Editora Leya, 2010.
Autor: José Augusto Dias Júnior

Seguindo uma velha máxima popular, é preciso conhecer o mal para que não se pereça desse mal. Com base nessa afirmativa, conhecer as ações dos vigaristas e como eles atuam é de grande utilidade, visto que cresce a cada dia o número de pessoas que são vítimas dos mais variados tipos de golpes. O autor nos traz com grande riqueza de detalhes, não somente a descrição dos embustes que foram e, que ainda são praticados, mas explica todo o contexto dentro do qual os vigaristas agiam.
Invariavelmente, haviam alguns ingredientes que faziam com que o golpe fosse aplicado com sucesso:
-As carências que o país atravessava em determinada época.
Aproveitando-se das mazelas do país, o golpista oferecia algum tipo de negócio vantajoso para driblar as dificuldades e trazer algum tipo de benefício à vítima em potencial.
-A vontade da potencial vítima de concordar em participar de uma negociação ilícita, ou a vontade desta de tirar vantagem sobre uma determinada situação.
-A técnica usada para pesuadir a vítima. Performance cenica, recursos oratórios e grande conhecimento de vários tópicos acerca do assunto usado no estratagema.

Na obra, José Augusto Dias Júnior nos desvenda vários golpes, suas origens, desde os primeiros registros na Europa e Estados Unidos e sua posterior proliferação no Brasil. O autor traz ainda um grande volume de referências históricas que foram registrados em jornais e revistas de época, além de transcrever alguns registros policiais.
Interessante notar que muitos dos golpes que conhecemos hoje, como a célebre pirâmide, tiveram seus primeiros registros na época do Brasil pós império. O livro não se trata de nenhum manual de estelionato, mas de um instrumento útil para a compreensão histórica do nosso país, além de trazer informações muito úteis na prevenção contra a ação de vigaristas. Podemos constatar que muitos dos golpes aplicados hoje, são mera evolução de engodos que eram praticados há muito tempo atrás.
A obra vale a pena pelo alerta que nos traz, pela abundância de referências históricas e pelo seu peso cultural. Li, gostei e recomendo.

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