segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Estar no lugar certo na hora certa...


Gente, já faz tempo que não me animo a postar alguma coisa por aqui. Gosto muito de compartilhar as experiências que adquiro no eixo Brasil-Japão. Gosto de falar sobre as impressões que tenho dessas experiências, mas estive passando por um momento difícil emocionalmente e psicologicamente falando. Depois de 20 anos vivendo no Japão, tentar me situar no Brasil é uma tarefa um pouco complicada, ao menos para aqueles que estão realmente preocupados em crescer intelectualmente e profissionalmente. O Brasil mudou bastante em termos de tecnologia e infra-estrutura, mas no quesito organização, ainda deixa um pouco a desejar. Sei que isso é uma questão de tempo, mas a corrupção é um dos maiores empecilhos diante de uma nação que clama por melhores condições na saúde, na segurança, na educação e em tantos outros campos carentes da verba roubada pelas mãos inescrupulosas de muitos dos nossos políticos.

Ultimamente, tenho andado muito de Metrô em São Paulo. A nossa malha ferroviária ainda é modesta diante das linhas europeias, ou mesmo se compararmos com as ferrovias do Japão, mas o Metrô de São Paulo é um meio de transporte digno de primeiro mundo. Tudo limpo, organizado e com muitos trens transportando passageiros para as principais localidades da região metropolitana. O Metrô é um meio de transporte sofisticado, mas que é usado por muita gente mal educada. Vejo algumas pessoas sentadas em assentos preferenciais sem arredar a bunda para dar lugar aos idosos... Pessoas paradas no lado esquerdo da escada rolante, atravancando a passagem de quem está com pressa... Pessoas jogando lixo no chão, apesar das lixeiras disponíveis nas estações... Pessoas apoiando os pés em cima de assentos vazios, infectando com sujeira os assentos onde outras pessoas vão se sentar... Acho que enquanto o nosso coração e a nossa educação não forem grandiosos, dificilmente seremos uma grande Nação.

Existem coisas que devem ser ditas, ou escritas, com a cabeça fria, afinal, a tristeza, a ira e tantos outros sentimentos nocivos afetam o nosso discernimento. Hoje, 14 dias depois do falecimento do seu Fábio, o homem que passei a vida inteira chamando carinhosamente de Pai, eu posso falar um pouco sobre a sua vida e sobre a sua inesperada passagem. Desde pequeno, eu me lembro daquele homem alegre, saudável (não bebia e nem fumava) e forte. Ele era sedentário, mas fazia muitos serviços no sítio e posteriormente na casa onde morou nos seus últimos anos de vida. Tudo para ele era motivo de piada e passou a vida gargalhando gostosamente. Toda vez que voltava ao Brasil, sempre fazia-lhe uma visita e ficávamos juntos por pelo menos uns dez dias. Eram dias alegres, com aquelas piadas e pegadinhas que ele vinha repetindo à décadas. Por incrível que pareça, apesar dos 84 anos, ele não tinha nenhuma doença e nunca precisou fazer tratamento de nenhuma espécie. Em Julho deste ano, dei o meu último abraço e lhe prometi que voltaria em Setembro para comemorar o seu aniversário. Ele estava lúcido e saudável. Em Agosto recebi a notícia de que ele teve uma hemorragia no intestino e posteriormente um AVC. Ele passou um tempo internado, em coma na UTI. Sofreu uma cirurgia radical e os médicos tiveram que tirar o intestino grosso. Sobreviveu e passou mais um tempo em observação na UTI. "Alguém lá em cima gosta dele" disse o médico. Posteriormente, ele acordou do coma e voltou para casa. Eu sempre tive medo dessas melhoras... Pacientes em estado grave que melhoram, na maioria dos casos só recebem essa graça para poderem morrer em casa e se despedirem de seus familiares. A minha razão dizia isso, mas eu não perdia as Esperanças. Na madrugada do dia 15 de Setembro, 10 dias antes de meu pai completar 85 anos, recebi uma ligação do meu Tio João. "Denis tenho uma notícia não muito boa para te dar..." Eu já sabia o que tinha acontecido. Liguei para a Rita e combinamos todos de irmos juntos para o Rio Grande do Sul.

Eu não entraria no mesmo ambiente que o cafajeste do Toninho, o caçula, mas engoli o meu orgulho e fui sepultar o meu pai. Para mim, era mais do que uma obrigação, era o meu último gesto de Amor e carinho. Velório e enterro não são lugares para baixaria. O Toninho, quando soube que eu iria, voltou do meio do caminho (covarde). Disse que se ele fosse, que "a coisa iria ficar feia para o meu lado..." (coitado).

Só quero deixar umas coisas bem claras:
Agradeço muito a Deus por ter me deixado estar no Brasil quando minha mãe e meu pai foram sepultados. Poder me despedir deles me deixou com a consciência tranquila e cumpri o meu dever e o meu luto.
Se o Toninho não foi sepultar o pai dele, assim como não foi sepultar a mãe, que não coloque a culpa em mim... Das duas uma: Ou ele foi muito COVARDE para não olhar nos meus olhos depois de toda a sujeirada que ele e a imbecil que ele chama de esposa fizeram debaixo do meu teto, ou ele foi muito mesquinho para não comprar uma passagem e ir lá no sul cumprir com o seu dever. Aliás, fugir dos deveres é a especialidade dele, é só olhar como a Flávia e o Henrique foram criados.
Segurei a alça da cabeceira do caixão, eu e o Fabinho, com muita honra e conduzimos o corpo até o destino final. A minha parte está feita! Ir ver o pai somente nos momentos bons é fácil...
Assim como ele tentou colocar a culpa da morte da minha mãe em mim, ele tentou fazer de novo com a morte do pai. Toninho... Faça um favor para você e para mim: MANTENHA A SUA BOCA FECHADA!!!

Viver tantos anos no Japão e voltar no momento em que meus pais morreram, para mim não é coincidência. É Deus trabalhando para que eu possa ter uma separação menos traumática. Essa Paz na consciência não tem preço.
 Aniversário de 76 anos. Meu Tio João colocou o Fabinho no canto direito para que todos os filhos estivessem nessa foto.

sábado, 12 de abril de 2014

Escolas brasileiras no Japão II

Foto: Banco de imagens do Google

Ano passado não consegui cumprir as horas de estágio exigidas para o cumprimento do meu curso, então estou continuando este ano. Em Fevereiro não tive condições de ir à escola, então recomecei em Março. Este ano as turmas estão em outras salas, pois os alunos passaram de ano. Basicamente são as mesmas pessoas. Já tenho um certo carinho pela escola, pelos professores e pelos alunos. Muitos expressaram uma certa alegria em me rever. Fiquei muito feliz, pois a reação das pessoas é um bom termômetro para avaliar o quanto a sua presença é aceita em determinado ambiente. Sempre que me deparo com as apostilas do sistema COC fico pensando na dificuldade que os alunos enfrentam no processo de aprendizado. O material é muito bom, mas como disse em outra ocasião, esses alunos são brasileiros sendo criados fora do Brasil e há uma carência de informações que eles deveriam absorver diariamente. Não estou dizendo que haja deficiência no sistema escolar, pelo contrário, a escola e os professores se empenham para que os alunos estejam inseridos num ambiente onde haja o máximo de informações e contato com a cultura brasileira. Olhando de fora, porém, sinto que há a necessidade da iniciativa dos pais (que trabalham muito neste país), no sentido de incentivar a leitura e o acesso a material audiovisual que estimule a aquisição de mais conhecimento e cultura, principalmente em assuntos ligados ao Brasil. Na verdade, não existem adolescentes que acessam a internet a procura de National Geographic, History Chanel, Jornais, noticiários e outros conteúdos que enriqueceriam o seu conhecimento. E se deixarmos por conta deles, os conteúdos acessados serão sempre Facebook, games, Pânico e outras coisas que não acrescentarão lá substancial quantidade de conhecimento útil, mas fútil. É papel dos pais, em primeiro lugar e dos educadores indicar os caminhos para a construção do conhecimento. Vivendo no Japão, noto que eles conversam de maneira muito informal, mesmo em situações formais. O nível das redações, com a repetição excessiva de palavras indica que eles possuem um vocabulário ainda muito restrito. Muitos alunos demonstram muita inteligência, mas são demasiadamente relapsos na administração de sua vida escolar. Alguns esquecem suas apostilas em casa, e não fazem suas tarefas, além de negligenciarem os trabalhos que lhes auxiliam nas notas. Nesse ponto, por mais que a escola se esforce e os professores aconselhem os alunos, a participação dos pais é fundamental. Eles devem não só fiscalizar e cobrar desempenho de seus filhos, mas estimulá-los a buscar conhecimentos que incrementarão seu desempenho escolar. Os alunos da escola onde estagio estudam com as mesmas apostilas usadas no Brasil, mas eles vivem uma realidade diferente, estão vivendo fora de todo o contexto para o qual estão sendo educados e a busca por informações sobre a história, sobre os acontecimentos, atualidades e cultura brasileira é que resultará na obtenção dos conhecimentos que eles precisarão para enfrentar a vida e espero que seja o caso da grande maioria, prestar o vestibular.
Na Escola Alegria de saber, além das matérias tradicionais, os alunos ainda aprendem Informática, Espanhol, Japonês e Inglês. Português e Inglês já fazem parte da grade de ensino, mas achei muito interessante a inserção de Espanhol e Japonês. O sistema de ensino é brasileiro, e a interação com os alunos é toda feita em Português, mas existem algumas regras que são caracteristicamente japonesas, como os obentos (marmitas) que muitas pessoas comem, além do souji (faxina) que é realizada pelos alunos no final da aula. Admiro muito a luta desses educadores no desafio de ensinar esses brasileirinhos que vivem tão distantes de sua Pátria. Eles são, não apenas professores, mas agregam conhecimentos gerais que complementam suas aulas, são psicólogos, conselheiros e ícones nos quais os alunos têm sua referência depois dos pais. Eles são acima de tudo Educadores.




Disponível nas livrarias:
http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=22601319&sid=6249712161451151996227139

http://martinsfontes.produto.rakuten.com.br/obake-o-japao-mal-assombrado.aspx


http://www.asabeca.com.br/detalhes.php?prod=5467&kb=791#.UQS_6r83sTA

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terça-feira, 1 de abril de 2014

Cada fim é um novo começo


Ontem, dia 31 de Março foi o meu último dia de trabalho na Belltech. Foram dois anos e meio de convivência com pessoas fantásticas. Cada ser humano tem uma história de vida. Suas alegrias e seus dramas diários, muitos deles chegaram a mim em forma de desabafo, afinal, o motorista é a primeira pessoa que elas encontram depois do trabalho. Nem o Mestre dos mestres conseguiu satisfazer todo mundo, então eu, na minha modesta condição de reles mortal não iria conseguir também, mas como em todos os lugares onde trabalhei, deixo uma legião de pessoas que, de alguma forma ficaram contentes com a minha convivência. Eu não fui tão somente um motorista, mas alguém que fazia parte do dia-a-dia dessas pessoas. Sempre fiz questão de saudar a todas as minhas passageiras com um "BOM DIA" dito lá do fundo do coração, vibrando e desejando realmente que o dia delas fosse bom. Assim como dizer "BOM SERVIÇO, TENHAM TODAS UM BOM DIA". No final do expediente, na hora do desembarque "BOM DESCANSO, UMA BOA NOITE"...  Isso é agregar valor humano ao trabalho. O motorista trabalha muitos pontos que as pessoas não notam, mas que são muito importantes para o bem-estar das passageiras, como pré-aquecer o ônibus no frio, para que elas embarquem no veículo quentinho, ou então, deixar o ônibus com o ar condicionado ligado alguns minutos antes do embarque para que elas viajem num ambiente fresco no calor... Evitar que elas sofram com calor, ou frio extremo é ajudá-las a se prevenir de resfriados. Recebê-las com um sorriso e um tom cordial para que elas tenham um bom começo e um bom final de expediente... Ligar música em volume moderado para fazer um som ambiente e preencher o veículo com alto-astral... Chegar de bom humor no trabalho faz a pessoa ficar mais produtiva e menos suscetível a acidentes.  Nem sempre as passageiras gostavam do meu modo de trabalhar, mas analisando o índice de passageiras que me demonstravam simpatia e respeito pelo que eu fazia, acredito que o saldo é bem positivo. Algumas poucas vezes o escritório me avisava que alguma funcionária tinha reclamado de algo, mas eu sempre me reportava antes para eles para que não houvesse nenhum mal-entendido. Sempre reportei os problemas do transporte à minha chefe, por mais pequenos que fossem para que o meu trabalho sempre tivesse credibilidade. Nunca discuti problemas técnicos com minhas passageiras, visto que não havia necessidade de dar explicações técnicas, principalmente para quem não sabe dirigir. Dirijo a 35 anos, sendo que 5 destes como profissional. Minha licença era GOLD e tenho licença especial de CHUUGATA (veículos de porte médio). Sempre primei pela segurança e bem-estar das minhas passageiras. De ônibus, ou de Van, para mim, sempre foi importante fazer o meu trabalho da melhor maneira possível, agregando valor com pequenos detalhes que, ao meu ver produzem grandes resultados.
Quando fui ao escritório formalizar a minha saída, fui recebido pelos tantoushas e pelos chefes Ota-san, Sonia-san e Ushida-san. Foi um Aisatsu bem informal, mas coroado de palavras de carinho e reconhecimento. Senti-me verdadeiramente entre amigos e confesso que dificilmente encontraria em outro lugar um ambiente de trabalho tão bom como esse. 
Finalizar essa fase da minha vida não está sendo fácil e estou passando por uma transição muito dolorosa, mas acredito que este fim de fase marca o início de outra. Como disse para todos os meus amigos, trilharei novos caminhos, mas levarei todos no meu coração. 

domingo, 9 de março de 2014

A hipocrisia nossa de cada dia

Foto: Banco de imagens do Google

Costumo dizer que a demagogia é uma parente muito próxima da hipocrisia. Quem é que não está já de saco cheio desses políticos fazendo pose de austeridade e, depois de eleitos, quando chega a hora de trabalhar a pose muda totalmente.Vendo o Brasil daqui de fora, sinto uma grande tristeza de saber que a grande massa ignorante vai vender o seu voto novamente para um dos partidos que mais se corrompeu como nunca antes visto na história desse país... Vão atravancar o progresso de uma nação inteira em nome do comodismo... Em favor de um governo que investe na sem-vergonhice de uma massa que prefere correr atrás da inscrição de tudo quanto é "bolsa" do que ir atrás de um emprego... Esse mesmo governo que, igual aos bandidos de rua, age descaradamente na certeza da impunidade.
Sempre digo que a corrupção é a mãe de todas as outras carências do país. Só que se observarmos bem, a hipocrisia é uma via de mão dupla... Estamos cercados por gente hipócrita... Aliás, estamos mergulhados num mar de gente hipócrita...  Se por um lado a hipocrisia do governo é descabida, por outro lado a hipocrisia do povo não fica muito para trás, visto que em toda eleição elegem-se as mesmas figurinhas carimbadas. Já diziam uns amigos meus de mais idade: "O brasileiro tem memória curta." Está aí uma grande verdade... É de se ficar no mínimo indignado, afinal, quantos políticos sob denúncias de corrupção são expostos pela mídia todos os dias e esses mesmos políticos voltam a cada eleição para pedir o seu voto! E você ainda continua votando nele?!

Como disse aí em cima, vivemos cercados de hipocrisia... Sei que todo mundo dissimula em maior, ou menor grau, mas a hipocrisia descarada me incomoda profundamente. Principalmente vinda daquelas pessoas que estão muito próximas a mim. 

-Naquelas pessoas na sua escola que falam mal de você pelas costas, mas que estão sempre te bajulando para que você as ajude nas tarefas difíceis. 
-No seu trabalho, quando todo mundo só é seu amigo até você ser promovido... Se você fica na sua você é metido... Se você se esforça, é taxado de puxa-saco... Batem nas suas costas, mas falam mal de você para o chefe no intuito de desestimular qualquer chance de promoção...
-Naqueles parentes que desejam que você fique bem, contanto que não fique melhor do que eles... 

Quando a facada vem de uma pessoa estranha, você até que fica chateado, mas supera, no entanto, quando vem de dentro do seu círculo de relacionamento aí a decepção é grande... 
Tenho um ex-irmão que não é exatamente um poço de virtudes, mas que um dia resolveu cuidar da minha vida e a falar mal de mim pelas costas. Começou a apontar os meus defeitos e a me chamar de mal-caráter... Bem... Eu já tinha engolido tanto sapo, afinal eu gostava dele e apesar de todas as coisas sujas que ele fez, limitei-me a me calar e guardar para mim todas aquelas coisas... Quando descobri todas as coisas que ele fez e falou dentro da minha casa e da minha loja ele conseguiu destruir toda a consideração que um dia tive por ele e que não era pouca. A hipocrisia dele me enoja e fez com que todos aqueles sapos que engoli nesses anos todos ficassem indigestos... Hoje estou num processo de desintoxicação e vou vomitar todas as coisas que ficaram encravadas na minha garganta. O volume de idiotices que ele fez é tão extenso que para colocar tudo para fora terei que escrever um livro.
O maior erro que cometemos é pensar que só porque tratamos alguém de maneira fraternal esse alguém vai ter conosco o mesmo nível de consideração.
Não sou contra as pessoas corrigirem seus erros, virar a página da vida e fazer um novo começo, mas odeio pessoas hipócritas que ficam se auto-referindo e julgando o caráter dos outros.
Meu ex-irmão me causou prejuízos psicológico, emocional e consequentemente financeiro... Tem dias que não durmo e nem como direito, pois ainda não consegui me libertar das traições que ele cometeu sob o meu teto. Ainda não me perdoei por ter deixado ele entrar na minha vida e fazer o que fez... Tenho tido pensamentos muito ruins e temo que esteja perdendo uma parte do meu bom-senso. Hoje, se eu o encontrasse na minha frente não exitaria em dar-lhe um soco na cara, ou um tiro na cabeça. 
Peço a Deus que ele desapareça da minha vida e que eu não tenha mais notícias dele, pois se eu souber que ele se aproximou de algum dos meus filhos, ou passou perto da minha casa, ou do meu sítio vou buscá-lo nem que seja no inferno!!!

Ultimamente estou num nível de tolerância crítico e a hipocrisia das pessoas tem me incomodado bastante.  

sábado, 1 de março de 2014

A cabana

Fazia tempo que eu não me deparava com um livro tão bom. Gostei muito da estória e da maneira como ela se desenrola. Li algumas críticas contra o livro, mas democracia é isso. Cada um expressa a sua opinião a respeito das coisas. Para analisar cada conteúdo, devemos primeiramente estar com a mente aberta e usar não só a inteligência, mas a sensibilidade para captar as mensagens sutis que o autor passa nas entrelinhas. Análise é o que é... Observar, sentir e reportar os resultados, as impressões. Sem preconceitos, sem parcialidades, ou tendencionismo. Conversei com minha filha dia desses e comentei sobre o livro. disse-lhe que achei o livro bom e me limitei a sugerir:  "se você se interessar pela obra, leia-a, pois eu gostei..." 
Como ela ainda não leu, vou somente comentar algumas facetas que achei interessantes e sugerir aos meus amigos que leiam também.
A cabana é uma estória fictícia bem ao gênero A casa do lago, o autor divaga entre a realidade e a fantasia simplificando o conceito de Santa Trindade. Espanta para longe o típico preconceito daqueles que fazem estereótipos da imagem de Deus, ou de Jesus. Põe abaixo aquela imagem mental que a maioria de nós temos a respeito de Deus. Um Deus severo, carrancudo, autoritário e vingativo... Young nos surpreende com a simplificação do nosso Todo Poderoso. Alguém que se divide em três e que é único. Alguém que apesar de toda a sua grandeza, volta-se para um simples homem e diz para ele que ele é especial... Que se materializa na forma humana e que converte o complexo mecanismo do universo em coisas simples como um jardim, ou uma cabana... Metáforas para que Mack possa entender tudo o que Papai tem a lhe dizer.
A cabana coloca em pauta para discussão assuntos como perdão, ira, mágoa, Amor, Esperança e redenção. Algumas pessoas acharam o livro meloso e que o autor faz uma trama confusa. Na minha modesta e honesta opinião, o livro nos transmite uma linda mensagem com sentimentalismo dentro do que se propõe (não poderia ser diferente, afinal é um romance e não um tratado científico) e o autor, ao contrário do que li em algumas críticas não arrasta um enredo confuso, mas faz uma explicação metafórica e simplificada de maneira genial sobre questões bíblicas e sobre como Deus nos ama. Como disse anteriormente, para se fazer uma análise honesta e mais próxima da verdade, deve-se despojar dos véus do preconceito e do tendencionismo para que nenhum conceito pré estabelecido deturpe a forma como sentimos as novas informações. Como digo sempre a respeito dos livros que apreciei: Li, gostei e recomendo!!!

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Os tipos de brasileiros no Japão

Foto: Banco de imagens do Google

Faz muito tempo que eu percebi que o ser humano usa diversas máscaras para interagir dentro da sociedade. Quando eu era criança, via as pessoas mais velhas nos condenando por mentir, no entanto, elas mesmas usavam essas máscaras, contradizendo tudo aquilo que pregavam. Certa vez, testemunhei um caso interessante: Uma pessoa do meu círculo (não vou citar o nome), falava mal de um certo conhecido que tínhamos. "Era fugitivo da Justiça, bandido, tramposo..."
Depois de um certo tempo, esse conhecido aparentava estar bem de vida. Eles tinham um relacionamento de muita camaradagem, mas o homem não sabia que o "amigo" falava mal dele pelas costas. Com o passar do tempo o discurso mudou: "Nossa... O fulano é um cara muito bacana... Estou pensando em chamá-lo para ser meu compadre..."
Incrível como a conveniência faz as pessoas mudarem de opinião... O suposto bandido agora era um cara legal...
Todos os seres humanos possuem o Bem e o mal dentro de si. É a teoria do Yin e do Yang. Duas energias opostas que coexistem dentro de nós. Em tempos de Facebook, as pessoas criam perfis escondendo seu lado mau e se mostrando como exemplos para a sociedade. No Facebook tudo é lindo, as pessoas são sempre bem intencionadas e não existe ninguém mau... Alguém acredita nisso?
Sou a favor das pessoas evoluírem... Muitas vezes, deixar um passado ruim para trás e virar a página, mas não posso deixar de notar os tipos de brasileiros que vivem por aqui. Não que isso me incomode, mas a título de curiosidade vou descrevê-los abaixo e acho que muita gente vai identificar muitos desses tipos em seu círculo de relacionamento.

THE BEST
Esse é o brasileiro que tem um  sério problema de autoestima. Toda vida foi um "joão-ninguém", mas ao chegar no Japão, vai trabalhar em alguma fábrica e depois de algum tempo torna-se veterano. Aí começa a concorrer com outros operários ao posto de melhor funcionário da empresa. Seu discurso é sempre:
"eu sempre bato a cota... eu sempre faço as produções mais altas... eu sou o melhor nisso... eu sou o melhor naquilo... nem sei o que vai ser dessa fábrica quando eu sair..."

O SOFREDOR
Esse é o tipo de brasileiro que acha que tudo é sempre mais difícil para ele. Enquanto todos trabalham, ele se sacrifica. Enquanto todos tem problemas, ele tem uma vida insuportável. Enquanto todos pegam o trem. ou o ônibus, ele cumpre uma via-crucis. Enquanto todos fazem horas-extras, ele se mata de trabalhar...
Invariavelmente banca o coitado... É uma espécie de pseudo-herói... Tenta a todo momento despertar a compaixão alheia no intuito de tirar vantagem.

O NOVO RICO
Esse tipo é muito comum aqui no Japão. Só anda vestido com roupas de grifes caras, endivida-se para criar uma aparência sofisticada para as outras pessoas. Geralmente gasta tudo o que tem tentando iludir os outros e a si mesmo. Nega veementemente as suas origens e faz pouco caso de pessoas mais simples. Geralmente volta ao Brasil falando mal do Japão, mas quando a situação aperta, vem correndo para cá novamente.
O novo rico faz questão de andar com produtos eletrônicos de última geração. Carros imponentes, roupas de grife, mas nos bastidores vive vendendo o almoço para comprar a janta.

O JAPONÊS
Esse tipo é bem comum. Normalmente é descendente de japoneses de pai e mãe. Notadamente brasileiro, mas quando está em público, tenta passar despercebido. Se alguém dirigir-lhe a palavra ele fará cara de poucos amigos e falará em japonês na ilusão de que pensem que ele é japonês. Tem vergonha de ser brasileiro e julga-se melhor que os demais.

O AMERICANO
Esse outro tipo também tem bastante por aqui. Geralmente não tem descendência japonesa. Invariavelmente é cônjuge de nikkei. Como o indivíduo descrito aí em cima, ele é notadamente brasileiro, mas tem vergonha disso. Arrasta um inglês sofrível e quer ser confundido com americano. Nos shoppings procura chamar a atenção tentando fazer com que as pessoas pensem que ele é americano. Para isso, usa roupas e acessórios imitando algum artista da terra do Tio Sam. O fim do mundo para ele é encontrar um conhecido e ser abordado  em alto e bom som na língua Portuguesa.

O ESQUIZOFRÊNICO
Esse tipo tem mania de perseguição. Para ele, tudo e todos estão contra ele. Desconfia de todo mundo e vive uma carência afetiva e social muito profunda. Geralmente tem problemas de relacionamento e mora sozinho. Também vive afastado da família. A maioria dos parentes está no Brasil e os que estão no Japão não querem saber dele.

O ABDUZIDO
Esse é bem típico. Geralmente é egoísta, trapaceiro e caloteiro. Endivida-se no Brasil, larga a família, as contas e tudo mais. Vive no Japão como se não fosse voltar mais para o Brasil (alguns nem voltam mesmo). Parece que foi abduzido e finge que problemas no Brasil não existem. Não paga as dívidas, pensão para os filhos e outras contas que sofrerão um baita calote. O abduzido geralmente acha que quando voltar ao Brasil, poderá repetir as palhaçadas no Japão. Geralmente pega celulares caros e financia um monte de outras coisas. Estoura o cartão de crédito e escapa para o Brasil.

O AVARENTO
No intuito de economizar dinheiro, esse tipo come comida instantânea, não sai de casa e não coça o bolso para nada. Chega a roubar papel higiênico da fábrica onde trabalha só para não ter que comprar. Normalmente é só pele e osso de aparência, vive doente e com distúrbios de sono, humor e saúde.

O VELOZ E FURIOSO
Esse é aquele que chega no Japão, compra um carro esportivo e sai por aí achando que é o Paul Walker, ou o Vin Diesel... Pega um monte de multas e é chamado na delegacia para prestar esclarecimentos. Gasta todo o salário com pneus, preparação de motor e acessórios para a caranga.
Gasta uma fortuna no carro e quando tem que voltar ao Brasil, vende a máquina por uma mixaria. Depois de gastar tanto dinheiro com o carro dos sonhos como Toyota Supra, Nissan Skyline, Mazda RX-7/RX-8, Mitsubishi Eclipse, Mitsubishi 3000 GT,  Mitsubishi Lancer Evolution, Subaru Impreza... Depois de montar em altas carangas o infeliz volta para o Brasil para andar de Golzinho 1000...

Acho que cada um faz o que bem entender de sua vida, mas essas figurinhas carimbadas fazem parte do nosso cotidiano no Japão e sei que muita gente conhece ao menos um desses tipos que fazem de suas vidas uma missão mais difícil do que deveria e ainda pior... Dificultam a vida de quem vive próximo deles.
Difícil encontrar alguém verdadeiramente autêntico... É... O ser humano e suas máscaras...

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Carta para Akiyo

Imagem: Banco de imagens do Google (Nosso Lar)

Carta para Akiyo
Querida mamãe, como vai? Hoje, dia 14 de Fevereiro faz 18 anos que você foi embora e deixou um grande vazio dentro do meu Coração. Gostaria muito de ter notícias suas, saber se você está bem, mas a humanidade ainda não encontrou um meio efetivo para estabelecer comunicação entre os nossos mundos sem que sejamos vítimas de charlatães e pessoas de má fé... Acho que você deve estar bem. Melhor do que eu, creio... Apesar de toda a luta que tenho dentro de mim para conter essa tristeza, quando chega o Valentine's day as lembranças ainda emergem com muita força do meu subconsciente. Quando você foi embora, experimentei duas sensações ao mesmo tempo: um certo alívio pelo fim do seu sofrimento e uma tristeza imensa pela nossa separação e pelas circunstâncias em que você partiu...
Gostaria de ter te trazido ao Japão para que você conhecesse a terra dos seus ancestrais. Para que você pudesse enfim se encontrar com a cultura dentro da qual foi criada. Na época em que você estava entre nós, achei que o dinheiro seria melhor usado te proporcionando bem-estar... Hoje vejo o quanto eu estava enganado. Uma viagem dessas seria uma experiência única em sua tão breve e sofrida vida. Hoje acho que não te amei o suficiente... Não te mimei o suficiente... E não fui sábio o suficiente para tomar as decisões mais acertadas. Hoje sei que engoli muito desaforo e fiz vista grossa para tantas coisas em nome do seu bem-estar. Desculpe mamãe, mas eu só tinha vinte anos quando tive que carregar a família. Espero que me perdoe. Quando você foi acometida pelo derrame, quiseram me culpar pela tragédia. Logo eu que sempre te apoiei e estive ao seu lado, mesmo distante... Queria voltar no tempo para te dizer o quanto te amava... Queria voltar no tempo para não ficar calado diante de tanta besteira que me foi dita... 
As pessoas que me cobraram tanto pelo seu bem-estar foram as primeiras a te abandonar. Ainda hoje me lembro que estávamos em não mais do que umas dez, ou quinze pessoas para nos despedir de você. Lembro me que quando toquei as suas mãos geladas, meu mundo caiu sobre a minha cabeça e o chão sumiu sob os meus pés... Minha tia Araci estava lá, ao meu lado e apertou as minhas mãos e me olhou com doçura. Sem me dizer uma única palavra, ela me transmitiu muitas coisas... Lembro-me do Tio João que também ficou lá comigo até os momentos finais... essas pessoas que estiveram comigo nos momentos mais difíceis sem querer nada em troca. Lembro-me que o Fabinho, a Rita e o Toninho chegaram no dia seguinte. Havia um ar de tristeza pairando, mas não pude deixar de reparar que o Toninho estava mais preocupado em rever os amigos em Cachoeirinha e Gravataí, do que respeitar o nosso luto. Acho que era a forma dele de fugir daquela realidade.
Alguns dias depois veio a conta dos serviços funerários. Quinhentos reais (no ano de 1996). Nessa hora não sei onde foram parar os filhos que você criou, mas agradeço a Deus por ter me dado condições de sepultá-la com dignidade. Agradeço a Ele também por eu estar no Brasil quando você se foi, pois se eu estivesse no Japão, acho que esse vazio dentro de mim seria bem maior.
Sua neta já está na faculdade e seu neto está um menino lindo e arteiro. Nas veias deles pulsa uma parte do seu sangue e que de certa forma me faz pensar que uma parte de você continua caminhando pelo mundo junto com eles.
As feridas e a dor se amenizam com o tempo, mas não se curam totalmente. Em dias como o Valentine's day, o dia das mães, o Natal e o Ano Novo, essa dor volta com mais força. Hoje é um dia em que eu precisava de um ombro para chorar... De um colo para recostar a minha cabeça e adormecer para esquecer dos problemas mesmo que momentaneamente...
A dor é imensa e intensa e a saudade é eterna. Gostaria muito de te dizer o quanto te amei, mas a sua educação nipônica não me dava espaço para isso, portanto, agora, mesmo tarde quero te dizer que te amei muito e tenho muito carinho pela sua lembrança.
Quero agradecer pelas lições de vida. Por você ter trabalhado tanto para me criar. Por todos os sacrifícios que você fez por mim e sei que do seu jeito você me amou talvez mais do que eu te amei. Hoje olhando para os meus filhos eu entendo tudo isso.
Obrigado mãezinha por tudo. Fique na companhia do Pai Maior.
Do seu filho que nunca te esquece,
Jun.