quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Um Valentine's day amargo

 
Foto: Banco de imagens do Google

Lembro-me que certa vez, quando criança, perguntei para minha mãe se eu poderia ajudar um colega na arrumação do quintal da casa onde ele morava. Minha mãe em sua sabedoria foi categórica: "Não sou contra você ajudar o seu amigo, mas você já arrumou o seu quarto?" Foi uma pequena pergunta que me trouxe uma grande lição: Antes de varrer a casa do vizinho, arrume a sua primeiro.

Olhando o Brasil aqui de fora, vejo tão distante o objetivo de atrair investimentos para o país... Parece que o governo quer "fazer festa com o chapéu alheio" e quem paga a conta é o povo... O Brasil tem tantas deficiências não resolvidas, tantas mazelas crônicas que a gente se questiona se era necessário mandar dinheiro para Cuba... A gente se questiona se existe a necessidade de gastar somas absurdamente altas de dinheiro na construção de estádios de futebol... Não sou brizolista, mas me lembro que o projeto do sambódromo do Rio não só foi concluído em um prazo curto, como também barateou o custo do carnaval e ainda serve de escola durante o ano letivo. E os estádios? Vão beneficiar quem? Por que ficam tão caros? Parece que a "presidenta" (que distorção ridícula da palavra) está mais preocupada em realizar a melhor copa do mundo de todos os tempos, do que ser a melhor presidente de todos os tempos... A que preço? O dinheiro desperdiçado nessas obras faraônicas faz falta na saúde, na educação, na segurança, no saneamento básico e no bem-estar social.

Hoje no Japão é dia 13 de Fevereiro. Amanhã é o Valentine's day. Uma espécie de dia dos namorados, quando as meninas dão chocolates para os rapazes nos quais estão interessadas, ou simplesmente para mostrar aos colegas a sua consideração, ou simpatia. O dia dos rapazes retribuírem a gentileza é no dia 14 de Março, chamado de White day.
Não sei porque, mas hoje as 5 horas da manhã acordei e não consegui mais dormir. Uma onda de lembranças ruins povoaram a minha mente e me deixaram irrequieto. Todo ano é assim. Quando se aproxima o Valentine's day, minha mente se enche de lembranças amargas. Incrível como as pessoas que menos cumprem suas obrigações são as que mais exigem seus direitos. São as que mais cobram dos outros.
Quando estive no Japão pela primeira vez, no início da década de 90, eu fazia das tripas coração para ajudar a minha família e ainda ter como sobreviver no Japão e economizar dinheiro para construir minha vida. Lembro-me que minha mãe ficou muito doente e eu tinha que mandar dinheiro para comprar remédios e custear tratamentos. Nos feriados eu avisava que não ia poder mandar dinheiro, pois o salário vinha mais baixo, mas no mês seguinte sempre enviava o dinheiro. Recebi uma carta desaforada do meu pseudo-irmão Toninho me dizendo coisas horríveis como: "pô cara, a mãe está muito doente... Vê se olha mais pela nossa mãe..." Ele nem imagina o sacrifício que eu fiz para ajudar todo mundo... Engoli aquelas palavras e me limitei a continuar lutando. Ele sempre me dizia: " a situação está difícil..."
Mandar cartas desaforadas cobrando atitudes dos outros parece que é bem a especialidade dele... Certa vez, ele mandou uma carta para minha avó dizendo desaforos do tipo: "ela (minha mãe) é sua filha... Vocês tem que nos ajudar... se a senhora não ajudá-la é porque não tem coração e nem merece ser chamada de mãe, pois uma verdadeira mãe não vira as costas para seus filhos..." Ele nem sabia dos problemas da minha avó... Ele nem sabia da situação das pessoas para julgá-las e cobrar-lhes alguma coisa... Minha avó passou muito mal por causa dessa maldita carta.
Quando voltei ao Brasil, meu pai me disse: "o Toninho ajuda um pouco em casa, dá os vales refeição para a gente, mas não abre mão de estar sempre bem arrumado. Vai para a balada e gosta de estar sempre perfumado...
Confesso que me decepcionei com o quadro... Será então que as cobranças por atitudes efetivas de ajudar a família só recaíam sobre mim???
Pouco antes de minha mãe falecer ela estava muito doente. Na época o Toninho era o único que podia ficar com meu pai para ajudar a cuidar dela. Pedimos-lhe para cuidar dela, ao menos por um tempo até que eu, ou outra pessoa pudesse ir ao Rio Grande do Sul ficar com ela...
" todo mundo foi fazer a vida... eu é que não vou ficar aqui cuidando dela..." Essa foi a resposta que escutei dele... No mês seguinte minha mãe faleceu. A pessoa que deu a notícia do falecimento para ele descreveu sua reação: "nossa, o moleque parece que enloqueceu..." 
As palavras do Toninho, segundo essa pessoa foram: "minha mãe morreu... o que o meu pai vai dizer?"
O fato de minha mãe ter morrido não o preocupava tanto quanto o que meu pai pensava a respeito dele...

Hoje analiso tudo o que se passou e só consigo sentir tristeza e indignação. 
Quando minha mãe era viva, eu trabalhava e economizava para fazer a minha vida e ajudar minha mãe. Saía e me divertia com moderação e não conseguia dormir em Paz sabendo que ela estava passando por dificuldades. Para mim, era inaceitável desperdiçar dinheiro se minha mãe não estivesse bem.
Quando o Toninho veio para o Japão, no começo chorava todos os dias por causa dos filhos... Não sei se era uma maneira de me manipular, pois ele sabia que eu tinha muita afeição pelos filhos dele. Passado um tempo, suas atitudes mudaram drasticamente. Passou a sair, ir para baladas da comunidade, tomava bebidas de luxo como vinhos importados e salames finos. Fazia altos passeios e postava as fotos no Facebook para quem quisesse ver... 
Tudo isso seria absolutamente normal se os filhos dele não estivessem passando necessidade no Brasil.
Eu me enganei, quando achei que com a minha ajuda ele cuidaria dos filhos... Ele abandonou a própria mãe... Foi um erro achar que ele olharia pela filha que trouxemos do Brasil e que ele deixou ir embora.
Fazer pose de bom pai para todo mundo ver é fácil... Chorar lágrimas de crocodilo para impressionar as pessoas também... Cobrar os outros é mais fácil ainda... Difícil é fazer de tudo por esse tipo de pessoa e ainda ser traído por ela.

Hoje o Valentine' day para mim é só um dia que eu gostaria de excluir do meu calendário...




sábado, 8 de fevereiro de 2014

A voz do Brasil

Foto: Banco de imagens do Google

O título dessa postagem não faz alusão ao programa de rádio do governo que nos enfia goela abaixo todos os dias as 19 horas. Quando digo a voz do Brasil, me refiro a jornalista Rachel Sheherazade, essa mulher que surgiu na mídia brasileira com seu posicionamento firme e suas opiniões polêmicas. Aliás, as coisas que ela diz são polêmicas porque incomodam as pessoas que defendem os bandidos e a classe marginal. Foi-se o tempo em que as pessoas davam importância para os valores morais como honestidade e ética. Os valores estão tão distorcidos que hoje em dia o ladrão é a vítima e a sociedade está no banco dos réus. Isso quando não somos reféns dos muros e grades que cercam nossas casas. Fazia tempo que não aparecia alguém como ela, com coragem para desnudar as mazelas do país e do sistema, sem ressalvas e nem papa na língua. Ainda me lembro do Deputado Afanásio Jazadji, que tinha um programa de rádio e colocava a boca no trombone.
Infelizmente, num país não tão sério como o Brasil, ainda é inviável a instituição da Pena capital, pois a corrupção ainda faz com que a nossa justiça seja tendenciosa e parcial. Há muitas lacunas nas nossas leis e bandidos safados e advogados inescrupulosos se fartam com essas deficiências. A lei no Brasil existe, mas o problema é que ela não é cumprida. Um criminoso muitas vezes vai preso e se for menor de idade em seguida será solto. Estará rindo de nossas caras, e zombando do sistema. Há uma necessidade urgente em reformar o sistema no sentido de se acabar com a impunidade.  
Estão dizendo nas redes sociais que as opiniões estão "bem divididas". Bem divididas o escambal (desculpem o termo). Se vocês acessarem os artigos em relação aos comentários da jornalista, há uma esmagadora diferença entre quem aprova e quem é contra. Isso dá margem para pensar naquela teoria (verdadeira) sobre quem apóia bandido é bandido também. Aliás, só quem tem parente na penitenciária, amigos vida louca, ou faz parte dessa inversão de valores é que se posiciona contra a jornalista. Estão chamando-a de hipócrita. Desculpem-me os mais inflamados, mas hipocrisia é ter amigo e parente bandido e ficar aí fazendo pose de ativista do direitos humanos.
Quem acompanha os artigos na internet constata que a maioria esmagadora simpatiza com as ideias da jornalista em questão, por isso digo que ela é a nossa porta voz. Ela é a voz do Brasil, pois tem a coragem de falar o que todos nós gostaríamos de dizer com um alcance em nível mundial. Não estou fazendo apologia à violência, mas trazendo o assunto para a pauta de discussões. A exemplo do Deputado Afanásio Jazadji, se ela se candidatar, com certeza será eleita. Já tem muitas pessoas cansadas de tanta violência e de tanta burocracia no sistema que estão dizendo: Rachel me representa! Pois eu e muitos outros mais dizemos o mesmo. Já passa da hora de alguém sério e engajado nas questões sociais aparecer e fazer a diferença. Uma posição ousada como a dela pode gerar dois resultados:
Alguém pode querer fazer uma queima de arquivo, pois ela está incomodando interesses escusos, ou ela poderá se tornar uma das mulheres mais influentes do nosso país (bem diferente das dilmas e roseanes que vemos por aí).
Para quem quiser ver, ou refrescar a memória segue o link do vídeo que causou polêmica nas semanas anteriores:

http://www.youtube.com/watch?v=-WKU7w6OsJo

Para aqueles que ainda não se inteiraram dos artigos, assistam a esse e aos outros vídeos da jornalista e façam suas próprias conclusões.
Ela já cometeu alguns erros, mas acredito que existe um grande mérito quando erramos buscando acertar.
RACHEL ME REPRESENTA!!!

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

A subjetividade do tempo...

Foto: Banco de imagens do Google

O tempo se mostra de diversas maneiras. É tão subjetivo que o vemos como aliado em alguns momentos e como algoz em outros. Aos 35 minutos do segundo tempo, se o nosso time está ganhando, os 10 minutos restantes parecem se arrastar, mas se o nosso time estiver perdendo, o tempo passa como um raio! Até os 20 anos o tempo demora a passar, dando-nos a impressão de que temos todo o tempo do mundo. Acho que é assim com todos nós. Talvez porque nessa faixa etária nós sejamos acelerados em todos os sentidos. Depois dos 20 anos começa a aumentar a carga de responsabilidades que pesa sobre os nossos ombros e então começamos a ver que o tempo começa a tornar-se escasso. Daí em diante o tempo passa a correr mais rápido e quando nos damos conta, estamos na casa dos 30, 40, 50 anos... Percebemos que a vida passou como um raio e que muitas oportunidades escaparam pelo meio dos nossos dedos. Alguém já se questionou qual o sentido da vida? Em termos bem simples, a vida só faz sentido se viermos para esse mundo para sermos felizes e propagar a Felicidade para os que nos cercam. A vida é um aprendizado constante e uma luta constante também... Quando nascemos, somos encaixados em uma família. Aos nossos pais cabe a tarefa nos dar Educação e formação, os meios para que possamos sobreviver no mundo com as nossas próprias forças. O lado ruim desse processo, no entanto, é o fato de que nem todos tem pais maravilhosos que provêm Educação e formação aos seus filhos. O indivíduo nasce e cresce numa luta constante que começa desde cedo. Dizem que dinheiro não traz Felicidade... Realmente, mas sem ele, dificilmente alguém conseguiria ter uma vida, digamos, no mínimo digna. Para que possamos sobreviver e sermos felizes e proporcionar Felicidade aos que nos rodeiam é necessário que se tenha dinheiro. Isso é uma verdade irrefutável... Não se compra a Felicidade. Não se faz pessoas felizes com dinheiro, mas pode-se construir uma vida digna e feliz com ele. Nas palavras a diferença pode ser sutil, mas na prática a diferença é brutal. Como faremos então para ter dinheiro? Gastando nosso tempo e nossas vidas trabalhando!!! Não dá para ser feliz sem condições de proporcionar uma vida digna para nossos filhos... Não dá para ser feliz com um monte de contas para pagar... Por outro lado, também não dá para ser feliz se não tivermos tempo para nos dedicar as coisas que nos dão prazer. Existe uma balança cruel que rege a vida da maioria das pessoas: Tempo X Dinheiro, ou seja, quando você tem um, muitas vezes não tem o outro. Para que se possa, no decorrer da vida, encontrar a Felicidade é necessário que desde cedo tenhamos orientação de pessoas mais experientes com relação a fazer o equilíbrio da balança. Infelizmente quem nasce desfavorecido (incluo-me nesse grupo) vai gastar um bom bocado da vida correndo atrás de dinheiro. 
Felizes aqueles que tem pais conscientes que incentivam-nos a estudar e buscar uma formação. Felizes aqueles que receberam Educação e firmaram valores tão esquecidos na sociedade atual. Felizes aqueles que se formaram cedo e conseguiram bons salários, pois podem viver felizes com suas famílias, proporcionar Educação e Cultura para seus filhos e concomitantemente serem felizes também... E finalmente, felizes aqueles que se aposentaram na casa dos 40, 50 anos com salários dignos e que ainda tem saúde para desfrutar o que lhes resta de vida. As pessoas sempre falam da importância de estudar, mas além da aquisição de conhecimento e Cultura, devia-se discutir mais sobre a vida em sociedade, o futuro das pessoas e a conquista da Felicidade, fazendo assim do Tempo um mestre e aliado.
Por fim, quando o Tempo nos for tirado, a maior satisfação seria a certeza de que gastamos o nosso tempo sendo felizes. 

domingo, 26 de janeiro de 2014

Saudades do Brasil

Foto: Google imagens

Dia desses eu estava ouvindo a Zip FM, rádio aqui de Nagoya (77.8 Fm) e eles abordaram o problema das pichações no Brasil. Um problema que deixa a cidade feia e que parece não ter solução. Com a proximidade da Copa e das Olimpíadas, a preocupação é maquiar as nossas mazelas para os olhares estrangeiros. Igualzinho as prefeituras do litoral fazem para disfarçar a presença de esgoto na praia. Tornar a cidade ao menos, menos feia. "Não adianta pintar, pois os pichadores voltam e vandalizam tudo de novo" foi o que ouvi do radialista Kobayashi Takuichiro. Segundo ele, uma solução viável seria um programa de incentivo aos grafiteiros, pois observou-se que as áreas grafitadas são menos atacadas por pichadores.
Preciso fazer duas pequenas ressalvas nesse ponto:
1-Na verdade a urgência de mudança que se faz necessária é na EDUCAÇÃO das pessoas. Depredar, vandalizar e causar prejuízo em propriedade alheia é crime!!!
2-Nem todo grafite é arte... Desculpem-me os defensores do trabalho dos grafiteiros, mas eu só aprecio o trabalho dos verdadeiros artistas do grafite. Para mim, muitos jovens não passam de pichadores que pintam coisas tão horrorosas quanto os que atuam na calada da noite.
A exemplo do grafite aí da foto e uns que tive a oportunidade de conhecer de um lugar chamado "Beco do Batman", enchem os nossos olhos e nos transmitem verdadeiras mensagens de cunho social e artístico. Evidentemente que nem todos os grafites são bonitos, mas a intenção é boa, afinal é preferível ver desenhos bem trabalhados do que letras disformes emporcalhando nossas paredes. 
Apesar de o governo estar desperdiçando nosso dinheiro com obras faraônicas e , acho que deve ter um monte de gente metendo a mão, pois as notícias que nos chegam só falam de escândalos, fraudes e corrupção, ainda acho que se o saldo da Copa for negativo para o país, ao menos teremos crescido de alguma forma, seja culturalmente, seja chamando a atenção dos olhos do mundo para o nosso país... 
Uma coisa que me preocupa bastante é a questão da segurança. Nós brasileiros sabemos que o Brasil é um país extremamente perigoso. Nossos visitantes estarão tranquilos? Muitos de nós, que convivemos com a violência todos os dias somos vítimas desse tipo de abuso, o que podemos falar de estrangeiros que não falam Português e que desconhecem a face perigosa das nossas ruas?
Aqui no Japão, uns poucos membros da comunidade brasileira andaram aparecendo nos noticiários, nos boletins policiais e na mídia japonesa. A revista Alternativa, editada em Português para a comunidade brasileira no Japão também veiculou algumas matérias que se espalharam pelo Facebook. Fico muito triste com essas notícias, pois sei que a maioria das pessoas que vem para cá são pessoas sérias e honestas, mas essas notícias arranham cada vez mais a nossa credibilidade por aqui.
Apesar de todos os problemas, eu ando com uma saudade imensa do Brasil. Estou precisando mudar de ares e espantar a depressão que anda me rondando de noite e de madrugada... Espero poder voltar o mais breve possível.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Ano Novo: novos projetos, novo destino...

Foto: Banco de imagens do Google

Já faz um tempo que estou passando por alguns problemas de ordem pessoal, mas tenho aguentado como posso. Ultimamente tenho sentido um aperto forte no peito e na garganta. Uma sensação sufocante e que me angustia muito. Uma tristeza inexplicável, as vezes uma vontade forte de chorar sem motivo aparente... As vezes, só queria poder contar com um ombro para poder recostar a minha cabeça e chorar sem ressalvas, sem vergonha, ou culpa... Sinto que estou morrendo dia após dia, gastando a minha vida numa luta que para mim já não faz mais sentido... Analisando friamente, eu mesmo tenho consciência de que estou apresentando sintomas de depressão. Na verdade, do começo de Agosto para cá, parece que perdi o pouco de entusiasmo que me restava com relação a vida. Perdi muita coisa nesse tempo... O entusiasmo, a alegria... Coisas que eu já tinha em pouca quantidade, mas que ainda tinha... Graças a Deus, ao menos a Esperança ainda insiste em ficar no meu peito. Sei que tenho potencial para dar a volta por cima e reconstruir a minha vida. Não é a primeira vez que me vejo nessa situação. Pois bem... Mentalmente já estou me preparando para fechar mais um capítulo e virar mais uma página da minha vida. Só quero ir embora do Japão de cabeça erguida. Devo muita coisa a este país que é a minha segunda pátria. Só não me sinto mais feliz aqui. Aliás, a sina de toda pessoa que vive algum tempo no Japão é não se sentir feliz de maneira plena nem aqui nem no Brasil. No Brasil temos os problemas de transporte precário, muita violência, muita sujeira na rua e muito vandalismo... Apesar de tudo, ainda tenho Esperança de que com as mudanças que estão ocorrendo, a corrupção e os problemas sociais que parecem crônicos, vão se amenizar de alguma forma. Assim como a minha filosofia de vida sempre foi fazer o Bem e na medida do meu possível ajudar as pessoas, continuarei tentando ser uma pessoa útil onde quer que eu vá. No momento, preciso fazer algumas coisas por aqui como terminar a faculdade, o estágio e deixar as coisas organizadas.
No momento só tenho sonhado com um pouco de Paz e tranquilidade... Acho que diante de tantas coisas que já pedi para Deus, essas coisas talvez não sejam tão difíceis, mas no momento são artigo de luxo para mim...
Quero um dia voltar a sorrir... Não esse sorriso artificial que estampa o meu rosto, mas aquele sorriso espontâneo que um dia eu tive... Quero recuperar ao menos uma parte daquela velha Alegria que eu sentia. Tenho saudades daquele Denis que ainda acreditava que as pessoas eram boas e que sentia que as coisas poderiam ser melhores... Passei uma infância difícil em muitos sentidos, mas me lembro que em alguma parte da minha vida eu tinha facilidade de sorrir e de me encantar com as coisas simples da vida. No primeiro semestre deste ano quero voltar ao Brasil de vez, para tentar resgatar um Denis que talvez não exista mais.
O Kanji aí em cima significa retornar e expressa bem o que sinto agora.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

A parábola do caracol

Foto: Banco de imagens do Google

Nesta parábola há duas grandes lições que eu gostaria de compartilhar:

Havia um pé de cerejeira muito alto e um grupo de caracóis decidiu subir para comer cerejas. Alguns animais que assistiam a reunião dos caracóis disseram-lhes que ainda não era tempo de cerejas.
Um dos caracóis respondeu: "Quando chegarmos lá em cima será tempo de cerejas..." 
Lição número 1: Quando há um projeto, por mais ambicioso que seja, ele deve ser planejado e, se realmente queremos viabilizá-lo, buscaremos os argumentos que darão respaldo à sua execução e não obstáculos que nos desestimularão da tarefa.
Pois bem, os caracóis iniciaram a jornada rumo ao alto do pé de cerejas. A certa altura um pássaro disse que aquela tarefa era desperdício de tempo e energia. Eles poderiam gastar a vida fazendo algo mais fácil...
Depois dessa argumentação alguns caracóis desistiram e ficaram pelo caminho...
Os outros continuaram a jornada. Depois de sacrificantes escaladas, a certa altura, um outro pássaro pousou em um galho e disse: "Nossa, vocês ainda estão aí? Vocês são corajosos hein!!! Boa sorte, pois vocês vão precisar..."
Alguns caracóis que estavam cansados desanimaram e ficaram pelo caminho...
Algumas semanas depois de subir muito, um gato que estava num galho disse: "Coitados... Tanto sacrifício para talvez tudo dar em nada..."
Alguns caracóis já exaustos desanimaram com o comentário e ficaram pelo caminho...
Os poucos caracóis que sobraram continuaram a subir bravamente...
Já no meio do caminho, depois de alguns meses, um macaco que assistia a tudo aproximou-se e disse: "Desistam, nenhum caracol jamais conseguiu subir até o alto..."
Depois desse comentário os caracóis remanescentes desistiram, menos um, que continuava a subir obstinadamente...
O último e mais determinado caracol continuou a subir e subir... Vários animais passavam e faziam comentários para desestimulá-lo de sua missão.
"Desista... Não vai dar certo... Você não vai conseguir... Você está fazendo errado..."
E ele, o caracol continuava a subir... 
Na época de cerejas o caracol chegou lá em cima, onde pôde desfrutar das deliciosas cerejas. Muitos animais aplaudiram... "Eu sabia que ele ia conseguir..." Alguns disseram. Muitos fizeram comentários elogiosos, mas cheios de falsidade... Em dado momento, os animais perceberam que o caracol nem dava bola para o que eles diziam e então resolveram abordá-lo mais de perto... O caracol gentilmente olhou para os outros animais e disse: "Hã? Vocês estão falando comigo? Desculpe, vou tirar os tampões que coloquei no ouvido para poder escutá-los!!!
Lição número 2: Quando você quer fazer alguma coisa, vai aparecer muito "pássaro, gato e macaco" para falar bobagens, mas se você escutá-los, talvez não consiga cumprir sua tarefa.

Desde sempre, muitas pessoas tentaram me desestimular dos meus projetos. Muitas vezes planejei e refiz meus planos várias e várias vezes. Muitas vezes tive que me fazer de surdo, ou desentendido para que comentários maldosos, ou invejosos não me atrapalhassem...
Frases do tipo:
"Você não tem capacidade... Você não vai conseguir... Você é burro... Acho melhor você nem tentar... Você não tem jeito para a coisa... Desista..." e tantas outras mais...
Se você acredita no seu projeto e em si mesmo, o melhor que tem a fazer é driblar os invejosos e se fingir de surdo. 
Um Feliz 2014 para você!!!

domingo, 29 de dezembro de 2013

Não julgue um fato isolado, mas o contexto.

Foto: Banco de imagens do Google

Eu tinha um amigo que ia para a escola todos os dias pelo mesmo caminho. A certo ponto do trajeto, havia uma casa com portões de grade com um cachorro muito bravo. Ele provocava o cachorro todos os dias. Parava, acenava para o cachorro, colocava a mão próximo à grade numa distância que o animal não alcançasse. Irritava o bicho até deixá-lo babando de raiva. Não sei qual dos dois era o mais animal. O meu amigo com certeza era o que tinha a atitude mais idiota. Todas as vezes que ele passava, parece que o cachorro já o estava esperando, para latir e ser provocado. Só de ver o meu amigo, o cachorro se transformava. Pois bem, um dia, acho que a dona do cachorro já estava de saco cheio daquela situação e deve ter deixado o portão encostado, mas não fechado. Pode ter sido apenas um "descuido". Quando meu amigo se aproximou para sua "diversão" diária, o cachorro correu para o portão semi aberto e avançou nas pernas do meu amigo. Deu várias mordidas e, por sorte a dona chegou e puxou o cachorro para dentro. A calça foi rasgada pelos dentes do cachorro e haviam sinais de belas mordidas. Meu amigo fez um grande escândalo e disse que iria processar a dona do cachorro e que ela iria ter que pagar-lhe uma calça nova. Onde já se viu, deixar um cachorro bravo solto!!! A dona, pacientemente se desculpou e mostrou o comprovante de vacina do cachorro. O assunto se encerrou por ali e meu amigo nunca mais passou em frente ao tal portão. Se eu fosse um juiz, com certeza daria ganho de causa para o cachorro, visto que era uma fúria acumulada de tantos meses de provocação. O cachorro foi o mais inocente e a maior vítima naquela história toda.
Quando eu morava na chácara, sempre comíamos juntos... Eu e meus irmãos. Não ligava para os peidos do meu pai, nem para o jeito barulhento de comer do Seu Arnaldo, o primo do meu pai que morava com a gente. Só havia uma coisa que me incomodava muito: Nunca gostei de arrotos à mesa. Tenho uma sensação horrível quando alguém arrota na mesa. A impressão que tenho é que a pessoa está vomitando gases gástricos sobre a comida que estamos comendo. Meu irmão Toninho sempre teve essa mania idiota de arrotar à mesa. Não sei se era para me provocar, pois sabia que eu não suportava esse tipo de coisa... "Cara eu não posso ficar segurando um arroto. Faz mal. É uma coisa tão natural..." E dava um sorriso cínico. Muitas vezes me desentendi com ele por causa disso. O engraçado é que ele não fazia esse tipo de coisa na frente dos meus pais.
Os anos se passaram e tivemos que morar juntos no Japão. Na época, aconteceu uma coisa muito desagradável, que ele conta como se eu fosse a pessoa mais estúpida do mundo, mas existem coisas que tem duas versões. Antes de alguém se doer por causa das minhas reações explosivas, avaliem a minha versão também.
Trabalhávamos numa empresa chamada Yutaka Denshi. Ele fazia umas duas horas extras. Ia embora cedo e conseguia descansar relativamente bem. Eu fazia de três a seis horas extras na época e voltava para casa só o bagaço. Só dava para jantar, tomar banho e dormir para tentar descansar, pois a jornada se repetia no dia seguinte. Quando estou muito cansado, geralmente acordo calado e de mal humor. Odeio aquelas perguntas idiotas: "Que cara é essa? Parece que não dormiu bem... Por quê você não fala? O gato comeu a sua língua? Quando não estou bem, ou não gosto de uma situação, pela minha cara já dá para perceber...
Sentamos e começamos a comer. Em dado momento ele deu um arroto bem sonoro, seguido daquele riso cínico. Não aguentei... Surtei... Tive uma reação explosiva. Joguei a tigela de comida nele, chutei a cadeira e virei a mesa... Naquele dia entramos no meu carro (ele ia trabalhar de carona comigo) sem trocar uma palavra. Fui trabalhar com fome. Tal qual o cachorro, as vezes me sinto como uma bomba relógio, mas as pessoas vivem testando a minha paciência.