Foto: Banco de imagens do GoogleHoje, feriado de finados, amanheci um pouco triste. Não quis pensar nos motivos que me entristeciam, mas a mídia, as pessoas e o clima que paira no ar fazem com que a minha mente seja relembrada do porque deste feriado. Hoje, o dia está muito bonito e ensolarado, mas o meu estado de espírito me faz ver as coisas num tom cinza...
Desde que minha mãe partiu em 14 de Fevereiro de 1996, abriu-se um grande vazio dentro de mim. Uma ferida que o tempo se encarregou de aliviar a dor, mas que nunca cicatriza. Em momentos como esse, essa ferida as vezes sangra e dói. A passagem dela em si não é o fator mais dolorido, mas as circunstâncias em que o passamento ocorreu e a saudade que aperta no peito.
Quando entrei na vida adulta, Deus levou algumas pessoas do meu círculo embora. Sei que não devo questionar as decisões dEle, mas a lição é, as vezes, por demais dura para os nossos frágeis corações.
Batian, Ditian, mamãe, meu primo Manabu, Delo... Todos pessoas muito queridas e que deixaram muitas saudades.
Hoje, apesar do dia ensolarado, não quis ir ao cemitério... Odeio muvuca... Não tem lugar para estacionar, o congestionamento estressante e as filas me desanimam de sair... Fiquei enfurnado em casa o dia inteiro, mas não esqueci de fazer minhas orações e emanar as minhas vibrações de Amor, carinho e o desejo de que eles sejam encaminhados rumo a evolução. Que eles sejam levados por mãos amigas até a morada do Pai Celeste.
Gostaria de arrancar essa dor que carrego, mas quando penso que ela se foi, algo acontece e me faz trazer a tona as lembranças que estavam presas no fundo da minha mente.
Hoje, não tenho motivos para celebrar, mas para lutar e seguir em frente. Talvez essa seja a grande lição que eles nos deixam. Sei que preciso superar e exorcizar essas sombras do passado. Ainda me lembro da última vez em que vi minha mãe com vida... Eu estava de férias no Rio Grande do Sul. Ia voltar para São Paulo e com o semblante triste ela me disse: " Tchau... Vai com Deus meu filho"... Ela estava com sequelas de dois derrames. Os pés inchados... Já não segurava suas necessidades... No alto dos seus 51 anos, passou de uma pessoa extremamente ativa a um vegetal humano...Meu padrasto, acho que fez o que podia, mas ela precisava de cuidados especiais. Metade do seu corpo ficou paralizado. O coração inchou e ela tinha crises constantes. Queria eu poder dar parte da minha vida por ela... Se eu adivinhasse que ela não sobreviveria por muito tempo, eu teria largado minha pequena firma, meus compromissos e tudo mais... Ficaria ao seu lado até o último momento. A única pessoa que podia ficar ao seu lado ajudando meu padrasto a cuidar dela, negou-se, pois achava que todos daquela casa saíram para fazer a vida, ele é que não ia ficar lá cuidando dela. As palavas duras e egoístas me feriram profundamente: "Todo mundo saiu para fazer a vida! Eu vou fazer a minha também! Você que é o bom filho que fique aí cuidando dela..." Depois disso, cortei relações com ele. Aquele que chamei de irmão um dia... Anos depois ele me procurou para o aniversário do filho. Reatamos, mas nunca esqueci sua atitude do passado. Não sei se ele sofre com a lembrança da minha mãe. Não sei se sente remorso. Só sei que sua personalidade e maturidade até o momento não mudou muita coisa. Ainda hoje, 14 anos depois, não consigo deixar de carregar essa mágoa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário